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Quinto dia de greve geral trava Paris

França entra em seu 5º dia de greve geral contra a reforma da Previdência de Macron. Onda de protestos no país completou seu 1º ano em 16 de novembro

Quinto dia de greve geral trava Paris
Transportes públicos estão paralisados, o que gerou 620 km de congestionamento (Foto: nordinebey/Twitter)

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A França segue enfrentando uma onda de protestos e greves gerais contra a reforma da Previdência proposta pelo governo do presidente Emmanuel Macron.

Nesta segunda-feira, 9, no quinto dia de greve geral, a capital Paris registrou 620 quilômetros de congestionamentos, o maior volume em cinco anos.

O congestionamento se deu porque, diante da paralisação dos transportes públicos – ônibus, trens e metrôs -, muitos franceses optaram por tentar chegar ao trabalho de carro. A quantidade de veículos, somada à chuva que assola partes da França nesta segunda-feira, aumenta a dificuldade.

Enquanto apenas 20% dos trens de alta velocidade circulam, linhas regionais são atendidas por 30% da frota. Ademais, poucos trens realizam viagens internacionais. A ligação entre França e Itália está totalmente paralisada, enquanto a conexão Paris-Londres opera com dificuldade.

Mesmo com o intenso protesto que assolou a França na última quinta-feira, 5, – quando foram registrados mais de 800 mil manifestantes em protestos liderados por sindicatos – e com as greves chegando ao quinto dia, o governo francês promete não retroceder na tentativa de aprovar a reforma da Previdência. Segundo o governo, a reforma, que basicamente vai unificar o sistema de pensões e acabar com 42 regimes especiais, é necessária para manter o sistema financeiro viável.

Apesar do argumento de membros do governo, que devem se reunir na tarde desta segunda-feira para estudar formas de lidar com os protestos, a opinião pública parece estar do lado dos manifestantes. Segundo uma pesquisa divulgada no último domingo, 8, 53% dos franceses apoiam as greves.

Uma pesquisa anterior já mostrava que a população concorda com uma mudança no sistema previdenciário, mas não aprova a forma como o governo Macron está promovendo essa reforma. Alguns apontam que a proposta está avançando rápido demais, enquanto outros admitem não confiar que Macron fará uma reforma justa.

Diante disso, Macron se encontra em um dilema. Prometendo não recuar na reforma da Previdência, o que agrada sua base eleitoral, o presidente enfrenta a resistência de boa parte da população. Caso recue, ele corre o risco de perder o apoio de sua base. Visando uma possível reeleição em 2022, os próximos passos em relação à reforma da Previdência podem alavancar ou acabar com suas chances.

A relação entre Macron e os Coletes Amarelos – como ficou conhecido o movimento nas manifestações – seguiu se deteriorando desde o início dos protestos, em novembro de 2018. No último dia 16 de novembro, os manifestantes foram às ruas para fazer protestos em celebração ao primeiro ano do início das manifestações.

Em novembro de 2018, os Coletes Amarelos tomaram às ruas francesas em protesto contra a alta no preço dos combustíveis, que havia sido anunciada pelo governo de Macron. Além dos protestos contra o reajuste, os manifestantes estenderam as manifestações contra a perda de poder aquisitivo dos franceses e passaram a exigir a renúncia do presidente Emmanuel Macron.

A rejeição à reforma da Previdência de Macron já tinha sido expressa por trabalhadores metroviários no último mês de setembro. Naquela época, dez das 16 linhas de Paris ficaram paralisadas por causa da greve dos trabalhadores do metrô. Isso porque a mudança no sistema de pensões reduziria os benefícios dos metroviários.

A média de aposentadoria do trabalhador francês é de 63 anos, sendo que a de trabalhadores do metrô é de 55,7 anos. Outros trabalhadores com pensões mais vantajosas também seriam afetados pela reforma.

Além da greve – até o momento sem manifestações nas ruas – desta segunda-feira, os manifestantes estão planejando novos protestos pela França para a próxima terça-feira, 10. A iniciativa seria mais uma forma de mostrar ao governo francês a rejeição à reforma, que já pode ter todos os detalhes definidos na próxima quarta-feira, 11.

Leia também: As faíscas da relação entre Macron e os Coletes Amarelos
Leia também: O bondoso discurso de Macron diante de uma França desconfiada

Fontes:
The Guardian-France pensions overhaul to go ahead despite huge protests
Agência Brasil-Quinto dia de greve deixa Paris sem transporte público e congestionada

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1 Opinião

  1. Rogerio de Oliveira Faria disse:

    Belo exemplo para os povos cordeirinhos…

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