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Ração geneticamente modificada

Como transformar o salmão criado em viveiros em uma espécime vegetariana

Ração geneticamente modificada
Cerca de 10% dos peixes pescados nos oceanos são usados na alimentação de espécies criadas em viveiros (Foto: Wikimedia)

As pessoas que se preocupam com a pesca em excesso ou com alimentos geneticamente modificados (GM) são, em geral, as mesmas. Em breve, essas pessoas se confrontarão com um dilema se Johnathan Napier do Rothamsted Research Institute, um instituto de pesquisas científicas e tecnológicas na área de agricultura, com sede no sul da Inglaterra, conseguir viabilizar seu projeto. Napier e seus colegas descreveram esta semana em Metabolic Engineering Communications, o projeto que estão desenvolvendo para reduzir de maneira considerável a pesca, com uma nova alimentação geneticamente modificada (GM) para peixes criados em viveiros.

Além do gosto delicioso, os peixes oleosos,como o salmão, são saudáveis. Existem muitas coisas possíveis de serem eliminadas da alimentação, a fim de melhorar o condicionamento cardiovascular, mas poucas que se possa acrescentar. Porém a carne desses peixes oleosos é rica em ácidos graxos poli-insaturados ômega-3. Os mais importantes são o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexanóico (DHA) essenciais na suplementação alimentar. Os ácidos graxos reduzem a pressão arterial, diminuem o risco de arritmia cardíaca e evitam o acúmulo de placas de gordura que bloqueiam as artérias.

Os peixes obtêm os ácidos graxos por meio da alimentação. A biossíntese é feita por algas unicelulares e as novas moléculas entram na cadeia alimentar marinha e nutrem os peixes herbívoros menores e os peixes carnívoros de porte maior. Por esse motivo, embora seja possível alimentar peixes criados em viveiros, como salmão, com alimentos cultivados na terra, a ingestão de peixes como eperlano e anchova, que não são muitos consumidos pelos seres humanos, aumentam os níveis de ácidos graxos. Cerca de 10% dos peixes pescados nos oceanos são usados na alimentação de espécies criadas em viveiros.

O experimento de Johnathan Napier consistiu em uma mistura de uma planta que produz óleo vegetal (ele escolheu a Camelina sativa, uma planta da mesma família da colza), com alguns genes de substâncias produtoras de DHA e EPA. O resultado foi a fórmula mágica da Camelina geneticamente modificada.

O óleo vegetal extraído das sementes da planta modificada é mais saudável do que a alimentação atual dos peixes criados em viveiros, porque o óleo de peixe que eles consomem contém mercúrio. E na alimentação específica do Homo sapiens, metais pesados como mercúrio são prejudiciais à saúde. A Camelina geneticamente modificada não contém mercúrio.

Portanto, a não ser por preconceito em relação aos alimentos GM, não há motivo que impeça o cultivo da Camelina modificada (uma espécie escolhida em parte por não haver possibilidade de formação de um híbrido com sementes oleaginosas comerciais existentes) em uma escala muito maior.

Fontes:
Economist-Something fishy

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