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Preconceito

Racismo na ponta do pé

Apesar de Misty Copeland ter se tornado a bailarina principal do American Ballet Theater, o racismo ainda é visivel no balé

Racismo na ponta do pé
Apesar de Copeland ser a primeira bailarina negra a alcançar o posto de bailarina principal na historicamente branca ABT, ela não é a primeira bailarina negra profissional (Foto: Facebook/Misty Copeland)

A nomeação de Misty Copeland como primeira bailarina do American Ballet Theater (ABT), a primeira negra a assumir o papel de dançarina principal do balé mais renomado dos Estados Unidos, é uma tremenda conquista não só para ela como bailarina, mas também para os negros. Sua conquista, porém, relembra questões sobre artistas negros no balé clássico.

Os Estados Unidos têm uma história de acolher negros extraordinários décadas antes de realmente admitir a igualdade de seus talentos e habilidades. Tradicionalmente, coreógrafos e diretores, em geral, concordavam que corpos negros não se encaixavam com as linhas da técnica clássica. O racismo e a discriminação continuaram a atormentar o balé, e durante a maior parte do século XX, os negros foram amplamente impedidos de ter uma formação de qualidade e carreiras profissionais.

Amplamente, mas não totalmente. Apesar de Copeland ser a primeira bailarina negra a alcançar o posto de bailarina principal na historicamente branca ABT, ela não é a primeira bailarina negra profissional. Na verdade, a linha é longa e ilustre, incluindo Janet Collins, Raven Wilkinson, Nora Kimball, e Virginia Johnson. Essas e outras mulheres estabeleceram carreiras apesar do racismo sutil e aberto que enfrentavam.

O Ballet Russe de Monte Carlo, por exemplo, teria dito a Wilkinson e sua família que eles não deveriam deixar o público saber que a jovem de pele clara era, na verdade, negra. No palco, ela foi muitas vezes obrigada a se “embranquecer” com maquiagem. Essa prática continuou durante décadas apesar de geralmente se limitar aos chamados balés brancos como “Lago dos Cines” e “Giselle”. O nome não é por conta do racismo, mas porque eles são povoados de fantasmas, espíritos e cisnes com trajes cinzentos iluminados com um brilho branco pálido. Apesar do balé branco não ter sido feito para excluir os negros, foi isto que aconteceu.

O Dance Theater of Harlem (DTH) foi a primeira companhia predominantemente negra de balé profissional nos EUA. A companhia foi criada em parte como resposta ao racismo dentro e fora do mundo do balé clássico. Ao saber do assassinato do reverendo Martin Luther King Jr., Arthur Mitchell, o primeiro bailarino principal negro do New York City Ballet, resolveu criar um espaço para bailarinos negros.

O mundo do balé clássico não tem limitado apenas o número de bailarinas negras, mas também o de coreógrafos clássicos negros. E para companhias que não sejam a DTH, os espectadores negros também são raros. Os dias de “embranquecimento” podem ter ficado para trás, mas o balé ainda precisa mudar. É preciso reconhecer as realizações dos artistas que abriram caminho para Copeland. É necessário treinar bailarinos e coreógrafos negros, além de estimular a diversidade do público. Se isso não for feito, não são apenas os bailarinos negros que vão sofrer, mas o balé como um todo.

 

Fontes:
The New York Times-Black Dancers, White Ballets

1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Não consigo dançar samba, e não me atormento por causa disso. Se a Africa tivesse colonizado o mundo estaríamos nos esfalfando para aprender capoeira, punga, umbigada e tambor de crioula.

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