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ÁRVORE GENEALÓGICA

Rainha Elizabeth pode descender do profeta Maomé

O suposto vínculo consanguíneo da rainha Elizabeth com Maomé provocou diferentes reações no mundo árabe

Rainha Elizabeth pode descender do profeta Maomé
O suposto parentesco está atraindo um novo interesse no Oriente Médio (Foto: Wikimedia)

“A rainha Elizabeth deve reivindicar seu direito de governar os muçulmanos”, dizia o texto de uma das principais notícias publicada no Arab Atheist Network, um fórum na internet. Mas não foi apenas uma brincadeira. De acordo com relatos de Casablanca a Karachi, a monarca britânica é descendente do profeta Maomé e, portanto, prima dos reis do Marrocos e da Jordânia, além de parente do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã.

O suposto parentesco, mencionado pela primeira vez há muitos anos, está atraindo um novo interesse no Oriente Médio. Em março, o jornal marroquino Al-Ousboue fez uma árvore genealógica da rainha, que se estendeu por 43 gerações. O estudo citou o parentesco com o conde de Cambridge no século XIV, com Fátima, filha do profeta, que viveu na Espanha muçulmana durante a Idade Média. Sua ligação com Maomé já tinha sido verificada por Ali Gomaa, o grande mufti do Egito, e por Burke’s Peerage, uma editora britânica especializada em livros de genealogia.

O ponto de partida do ancestral comum é uma princesa muçulmana chamada Zaida, que fugiu de um ataque berbere em sua cidade natal, Sevilha, no século XI, e refugiou-se na corte católica de Afonso VI de Castela. Zaida mudou seu nome para Isabela, converteu-se ao catolicismo e teve um filho com Afonso, Sancho. Séculos depois, uma das descendentes de Sancho se casou com o conde de Cambridge. Mas as origens de Zaida são discutíveis. Alguns dizem que era filha do califa Muatamid bin Abbad, um descendente do profeta. Outros alegam que se casou com um dos membros da família do califa.

O suposto vínculo consanguíneo da rainha Elizabeth com Maomé provocou diferentes reações no mundo árabe. Alguns disseram que se tratava de uma conspiração traiçoeira para reviver o império britânico com a ajuda de muçulmanos, sobretudo xiitas, que veneram os descendentes do profeta, e citaram a menção ao parentesco no canal de notícias em árabe da BBC. Porém, outros gostaram da ideia. “Une as duas religiões e reinos”, disse Abdelhamid Al-Aouni, autor do artigo publicado no jornal  Al-Ousboue. Em alguns textos a rainha foi chamada de sayyida ou sherifa, títulos reservados aos descendentes do profeta.

Por sua vez, seu filho, o príncipe Charles, tem um interesse especial pelo islamismo. “Houve momentos em que ele quis se casar com mais de uma mulher”, observou um de seus confidentes muçulmanos. Charles é patrono do Oxford Centre for Islamic Studies, onde cumprimenta o público com a saudação islâmica, as-salamu alaykum (“que a paz esteja convosco”). Comenta-se que Charles quer ser coroado em uma cerimônia ecumênica e receber a ordem sacra de “defensor da fé”, não “da fé cristã”. Em sua missão de paladino da fé, ele pode escolher o título honorífico de amir al-mumineen (comandante dos fiéis), concedido aos governantes muçulmanos.

Fontes:
The Economist-Muslims consider Queen Elizabeth’s ties to the Prophet Muhammad

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