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‘Arte degenerada’

Regime nazista confiscou 20% das obras de arte europeias

Paradeiro de dezenas de milhares de obras de arte roubadas por nazistas durante a Segunda Guerra e revendidas a preços irrisórios ainda é desconhecido

Regime nazista confiscou 20% das obras de arte europeias
Reprodução da obra 'Paisagem com Cavalos', do pintor alemão Franz Marc, uma das peças encontradas em um apartamento em Munique (Reprodução/Christof Stache/AFP)

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O anúncio feito esta semana de que cerca de 1.400 obras de grandes artistas – entre os quais Picasso, Renoir, Dix, Chagall, Max Beckmann e muitos outros – foram descobertas em um apartamento em Munique, na Alemanha, é um sinal de que a Europa ainda está redescobrindo sua herança artística, confiscada pelo regime nazista há sete décadas na sua cruzada para aniquilar o que considerava “arte degenerada”.

Leia mais: Apartamento alemão tinha 1.500 obras de artistas de renome

De acordo com a jornalista Anne-Marie O´Connor, autora de um livro sobre o furto de uma obra de Gustav Klimt por nazistas (“The Lady in Gold: The Extraordinary Tale of Gustav Klimt´s Masterpiece, Portrait of Adele Bloch-Bauer”), embora o tamanho do acervo descoberto em Munique não tenha precedentes, ainda há dezenas de milhares de quadros, que foram confiscados pelos nazistas, escondidos pela Europa. Segundo O´Connor, que deu entrevista ao Washington Post nesta quarta-feira, 6, cerca de 20% das maiores obras de arte europeias foram roubadas por nazistas durante a Segunda Guerra. Os próprios alemães documentaram o que confiscaram.

O´Connor lembra que Adolf Hitler foi um pintor medíocre que estudou belas artes em Viena depois de ter sido rejeitado pelas melhores academias de arte. Ele não tinha talento, mas se considerava um grande julgador e apreciador de arte. Depois que chegou ao poder, Hitler começou a exercer influência na furiosa guerra cultural europeia.

Em 1937, sob sua liderança, a Alemanha nazista montou uma enorme exposição entitulada “Arte Degenerada”. Hitler retirou das paredes de museus milhares de obras de arte que ele considerava corrompidas, e as exibiu em Berlim. Algumas das peças que foram recuperadas no apartamento em Munique estavam naquela exposição. Toda a arte exposta por Hitler em “Arte Degenerada” era basicamente modernista. Hitler e os nazistas não gostavam de Picasso ou Matisse. Gostavam apenas da arte convencional. Décadas depois, a mostra realizada pelos nazistas em Berlim ajudou a identificar quais artistas eram considerados pervertidos pela liderança nazista.

Durante o período nazista, em toda a Europa, as obras desses artistas eram depreciadas e vendidas a preço de banana para colecionadores ou comerciantes.  As pessoas compravam essas peças e revendiam. O resto das pinturas aparentemente foi vendido sob coação, por famílias judias que tinham grandes coleções de arte e pouco tempo para vendê-las antes da fuga. Assim, em poucos anos, uma grande parcela da arte modernista da Europa mudou de mãos rapidamente, às vezes por motivo de coação, às vezes porque os nazistas baixavam artificialmente os preços sem deixar registros de venda.

Quanto ao acervo encontrado em Munique, O´Connor diz que especialistas ficaram surpresos com a descoberta, pois achavam que as peças haviam sido destruídas. O próprio pai do dono do apartamento onde as obras foram encontradas, um homem chamado Cornelius Gurlitt, havia mentido, dizendo que as obras foram destruídas em um bombardeio em Dresden em 1945.

 

 

Fontes:
Washington Post - Why Nazi-seized art is only now resurfacing – and how it will change the art world

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