Início » Internacional » Reino Unido prende mais dois suspeitos pela morte de 39 pessoas em caminhão
REINO UNIDO

Reino Unido prende mais dois suspeitos pela morte de 39 pessoas em caminhão

No total três pessoas foram presas por suspeita de tráfico humano. Ativistas fizeram vigília em homenagem às vítimas e em prol dos refugiados

Reino Unido prende mais dois suspeitos pela morte de 39 pessoas em caminhão
Entre os corpos, estavam 31 homens e oito mulheres (Foto: @AntiRacismDay/Twitter)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

A polícia do Reino Unido prendeu mais duas pessoas por suspeita de envolvimento na morte de 39 chineses encontrados em um caminhão na última quarta-feira, 23. No total, três suspeitos já foram presos.

Inicialmente, apenas um homem, de 25 anos, da Irlanda do Norte, havia sido preso. Agora, nesta sexta-feira, 25, um homem de 38 anos e uma mulher de 39 anos, ambos da Inglaterra, também foram detidos. Eles são suspeitos de tráfico de pessoas e homicídio culposo pela morte das 39 pessoas.

“A identificação formal seguirá o processo e será uma parte longa, mas crucial, da investigação. À medida que nossas investigações continuam, o quadro pode mudar em relação à identificação e continuaremos fornecendo atualizações quando apropriado”, explicou a polícia de Essex, do Reino Unido, através de um comunicado.

Em um primeiro momento, só foi anunciada a descoberta dos 39 corpos. Na última quinta-feira, 24, os policiais afirmaram que se tratavam de 39 cidadãos chineses, sendo 31 homens e oito mulheres. O Ministério das Relações Exteriores da China não confirmou se todas as pessoas realmente eram chinesas. Especula-se que pelo menos uma vítima possa ser vietnamita. A possibilidade foi divulgada pela ativista de direitos humanos Hoa Nghiem.

Segundo a ativista, a família anunciou o desaparecimento da vietnamita Pham Thi Tra My, de 26 anos. De acordo com o irmão mais novo de Tha My, Pham Manh Cuong, a jovem foi para a China no início de outubro, antes de viajar para a França. No território francês, tentou ir para o Reino Unido, mas foi parada pela polícia e voltou para a França.

No entanto, ela teria tentado ir uma segunda vez ao Reino Unido. Na noite da última terça-feira, 22, horas antes do caminhão ser encontrado, ela enviou uma última mensagem à sua família, expondo que estava correndo risco de vida. Desde então, a família não obteve mais notícias.

“Sinto muito, mãe, meu caminho para o exterior não teve sucesso. Mãe, eu amo muito você e papai! Estou morrendo porque não consigo respirar”, escreveu a jovem.

Na noite da última quinta-feira, manifestantes se reuniram em Londres, no Reino Unido, para fazer uma vigília em homenagem às 39 vítimas. Os ativistas levantaram a bandeira em prol da migração segura e do acolhimento a refugiados, e acenderam velas pelas vítimas chinesas.

As investigações reúnem autoridades de cinco países para tentar rastrear o movimento das pessoas que foram encontradas no caminhão. O caso traz à tona a constante preocupação com a migração ilegal, principalmente de chineses com destino final o Reino Unido.

No ano 2000, 58 chineses foram encontrados mortos em um caminhão refrigerado em Dover, o porto mais movimentado do Reino Unido. Eles morreram asfixiados no contêiner. Na época, as autoridades anunciaram uma repressão ao tráfico de pessoas.

Mesmo com a expansão da economia chinesa, os 39 corpos encontrados no caminhão chamam a atenção para uma considerável parcela da população chinesa que segue vivendo na pobreza, buscando melhores condições de vida em outros países. Especialistas indicam que a migração ilegal de chineses caiu, mas não há estatísticas confiáveis sobre o assunto.

Normalmente, segundo o especialista em tráfico humano envolvendo chineses e professor da Universidade Massachusetts Lowell, Sheldon Zhang, a entrada de chineses na Europa é feita através de intermediários conhecidos como “cabeças de cobra”. A entrada varia entre US$ 50 mil e US$ 60 mil.

“Francamente, fico chocado ao saber que esses migrantes mortos eram cidadãos chineses. […] Eu pensei que os ‘cabeças de cobra’ já deviam ter aprendido, a partir do incidente de Dover em 2000, a não usar os caminhões para transportar seres humanos”, contou ao New York Times.

Segundo dados do Instituto de Políticas de Migração (MPI, em inglês), quase 10 milhões da população de migrantes, estimada em 258 milhões, é composta por chineses, o que torna a China o quarto maior país de origem de migrantes.

Desse total, entre 10% e 20% estão localizados na África, ocupando diferentes classes socioeconômicas. Já outros quase 2,5 milhões vivem nos EUA, 712 mil no Canadá e 473 mil na Austrália.

De acordo com a diretora associada do programa internacional da MPI, Natalia Banulescu-Bogdan, há uma grande variedade entre migrantes chineses, que vai desde pessoas “pouco qualificadas” até “altamente qualificadas”. Segundo ela, normalmente os que vão para a Europa não estão entre os “mais pobres entre os pobres”.

“Se você viaja por canais regulares, precisa pensar em passaportes, taxas de visto. Se você viaja por canais irregulares, os contrabandistas geralmente cobram taxas bastante altas e, mais do que isso, trata-se de conhecimento e de oportunidades, e isso exige uma rede bastante sofisticada de pessoas no exterior”, explicou Bogdan.

Fontes:
The Guardian-Essex lorry deaths: police arrest Warrington couple
The New York Times-2 More Arrests After 39 Bodies Are Found in Truck in U.K.
CNN-Why would people from China, the world's second-biggest economy, risk their lives to enter the UK?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *