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A 4ª ELEIÇÃO EM QUATRO ANOS

Reino Unido vai às urnas de olho no Brexit

Partido Conservador tenta aumentar base para garantir o Brexit, enquanto Partido Trabalhista tenta surpreender e conquistar a maioria

Reino Unido vai às urnas de olho no Brexit
Eleições devem definir o rumo do Brexit (Foto: Colagem/Number 10/Flickr/Jeremy Corbyn/Twitter)

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O Reino Unido vai às urnas nesta quinta-feira, 12, para escolher os ocupantes das 650 cadeiras da Câmara dos Comuns. A eleição parlamentar tem sido tratada como a mais importante dos últimos tempos no país, pois implica diretamente no Brexit – o processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

Os dois principais concorrentes na corrida eleitoral são o Partido Conservador, do primeiro-ministro Boris Johnson, e o Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn. Enquanto os conservadores são majoritariamente favoráveis ao Brexit, os trabalhistas querem manter o Reino Unido na União Europeia ou convocar um novo referendo para votar, mais uma vez, a possível separação do país do bloco.

As novas eleições – a quarta em quatro anos – foram convocadas justamente para tentar garantir a saída do Reino Unido do bloco. O primeiro-ministro Boris Johnson considerou a possibilidade do Partido Conservador aumentar seu número de representantes no Parlamento, o que facilitaria o Brexit – aprovado em um referendo de 2016 com 52% do apoio popular.

Adiamentos e incertezas

O processo de saída do Reino Unido da União Europeia tem se arrastado pelos últimos meses. A responsável por garantir que o processo fosse concluído era a ex-primeira-ministra Theresa May, que assumiu o cargo em 2016 com esse objetivo.

Após anos de negociações, May conseguiu chegar a um acordo para o Brexit junto à União Europeia no dia 25 de novembro de 2018. A partir de então, a primeira-ministra começou a focar seus esforços em garantir a aprovação do pacto junto ao Parlamento britânico, não obtendo sucesso.

Dessa forma, o ano de 2019 elevou as incertezas em torno do acordo. O processo de saída do Reino Unido da União Europeia estava, inicialmente, previsto para o último dia 29 de março. Com a proximidade da data e a falta de acordo, May garantiu o adiamento para o dia 22 de maio. Mais tarde, em abril, ela conseguiu estender o prazo para o dia 31 de outubro.

Em maio, porém, May não resistiu à pressão e anunciou sua renúncia ao cargo de primeira-ministra em uma despedida emocionada. Pouco tempo depois, Johnson assumiu a responsabilidade de garantir o processo do Brexit com um acordo – apesar de sempre se posicionar favorável à saída do Reino Unido do bloco econômico mesmo sem um pacto.

No entanto, com o passar os meses, Johnson esbarrou em diferentes obstáculos, parlamentares e jurídicos, para conseguir aumentar seu apoio. Suas maiores vitórias ocorreram em outubro, quando o primeiro-ministro conquistou um novo acordo com a União Europeia e, mais tarde, conseguiu um novo prazo para o Brexit, que se estende até o próximo dia 31 de janeiro.

Novas eleições

Johnson, porém, continuou esbarrando na falta de apoio parlamentar, o que o levou a tentar convocar novas eleições – tendo êxito. Segundo o instituto YouGov, o primeiro-ministro conseguirá, de fato, aumentar sua base de poder. Pesquisas apontam que o Partido Conservador deve conquistar 339 das 650 cadeiras, o que garante a governabilidade por maioria. O número é um aumento, já que os conservadores eram apenas 298.

Enquanto isso, a previsão é que o Partido Trabalhista tenha menos apoio. Anteriormente, os trabalhistas eram 243. Agora, as pesquisas indicam que o número de assentos do partido vai cair para 231, o que diminui a força da legenda dentro do Parlamento, mas ainda a mantém como a segunda principal bancada.

Apesar da indicação das pesquisas, o resultado ainda é incerto devido à volatilidade dos eleitores britânicos, que estão cansados e receosos sobre o Brexit. No entanto, enquanto os conservadores basicamente uniram forças com o partido do Brexit, liderado por Nigel Farage, os trabalhistas disputam votos com outras legendas contrárias ao processo de separação com a União Europeia.

Caso, por outro lado, os conservadores vençam, mas não conquistem a maioria dos assentos na Câmara dos Comuns, eles serão obrigados a firmar coalizão com outros partidos para garantir a governabilidade. Neste ponto, há a possibilidade da legenda encontrar dificuldades, o que pode levar o país a outro pleito eleitoral e dificultar a aprovação do processo do Brexit.

Se, de outra forma, os trabalhistas conquistarem a vitória, mas não a maioria, também devem ser enfrentadas dificuldades. Isso porque Jeremy Corbyn seria o líder mais à esquerda que o Reino Unido já teve. O representante do Partido Trabalhista também não goza de apoio midiático no país. Ademais, Corbyn também enfrenta resistência de judeus, já tendo recebido denúncias de antissemitismo.

Fontes:
The Guardian-Polls open in 'most important general election in a generation'
G1-Reino Unido vai às urnas em eleição que tem Brexit como tema central

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