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CENSURA

Relator da ONU acusa Japão de coibir liberdade de imprensa

Investigação levanta questões sobre a pressão do governo sobre a mídia em assuntos como participação na guerra e o acidente nuclear de Fukushima

Relator da ONU acusa Japão de coibir liberdade de imprensa
O governo respondeu às acusações, dizendo que o relatório contém mentiras (Foto: Wikimedia)

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O Relator Especial das Nações Unidas (ONU) sobre a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão, David Kaye, acusou o Japão de coibir a liberdade de imprensa e silenciar debates públicos acerca de questões como o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, ou as ações do país na Segunda Guerra Mundial.

Em um relatório submetido ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, David Kaye, o relator, disse ter identificado “questões muito preocupantes” sobre o histórico do Japão em relação à liberdade de expressão. A investigação – a primeira sobre esta questão no país – começou por causa de preocupação com a pressão governamental sobre a mídia.

Críticos citaram o atraso da imprensa em reportar o acidente nuclear de março de 2011, uma decisão que, acredita-se, reflete tentativas oficiais de minimizar a severidade do desastre.

Em 2014, o jornal Asahi Shimbun, o maior do Japão, sofreu pressão do governo do primeiro-ministro Shinzo Abe e tirou de circulação um artigo que dizia que 650 trabalhadores abandonaram a fábrica de Fukushima Daiichi logo depois do desastre, desobedecendo ordens da gerência de que ficassem e tentassem um último recurso para controlar os reatores.

O jornal admitiu que a reportagem, baseada na interpretação de testemunhos vazados, estava equivocada.

Kaye não mencionou relatórios específicos do desastre nuclear, mas expressou preocupação sobre a remoção de material didático histórico das escolas do país, que referenciam o uso de escravas sexuais pelo Japão durante a guerra. Ele disse que a falta de debates públicos sobre o papel do Japão na guerra, restrições ao acesso à informação e pressão governamental que levou a mídia a praticar autocensura “requer atenção, para que não acabe deteriorando as bases democráticas japonesas.”

O governo respondeu às acusações. O embaixador do Japão nas Nações Unidas, Jinichi Ihara, acusou Kaye de divulgar mentiras sobre o compromisso do governo com a imprensa livre. Ele falou sobre o assunto em uma declaração para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas na segunda-feira, 12. “É triste que algumas partes do relatório de Kaye tenham sido escritas sem um entendimento completo das explicações do governo e suas posições”, disse Ihara.

Fontes:
The Guardian-Japan accused of eroding press freedom by UN special rapporteur

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