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República Democrática do Congo sofre com derramamento de sangue

A situação na República Democrática do Congo não está nada boa anos depois da guerra civil

República Democrática do Congo sofre com derramamento de sangue
Joseph Kabila foi eleito para um último mandato em 2011. Seu mandato iria até 2016, mas ele continuou no poder (Foto: Pixabay)

Nenhum conflito desde a década de 1940 foi tão sangrento e completamente ignorado como a guerra na República Democrática do Congo. A taxa de morte estimada entre 1998 e 2003 foi entre um milhão e cinco milhões. Esta guerra matou mais que o conflito na Síria, no Iraque, no Vietnã ou na Coreia. Mas poucos fora dali saberiam dizer o motivo do conflito.

Para entender o conflito, uma boa analogia seria imaginar uma casa gigante, cuja estrutura está ruindo. Este era o estado da República Democrática do Congo sob o regime do corrupto Mobutu Sese Seko, que governou de 1965 e 1997. Depois, imagine que uma bala de canhão colocou a casa abaixo. Essa bala foi lançada pela Ruanda, a pequena e turbulenta vizinha da República Democrática do Congo. Agora imagine que todas as gangues locais foram roubar as joias de família e o conflito ficou violento.

Mobutu e seus subordinados saquearam o estado até que ele mal conseguisse se suportar. Quando veio o genocídio de Ruanda em 1994, o estado congolês entrou em colapso. Os perpetradores do genocídio, que foram derrotados em casa, fugiram para a República Democrática do Congo. A Ruanda, então, invadiu o país para eliminá-los.

Os ruandeses derrubaram Mobuto e colocaram seu aliado local, Laurent Kabila, no lugar. Kabila, então, mudou de lado, armou os responsáveis pelo genocídio e Ruanda tentou derrubá-lo também, mas a Angola e o Zimbábue o salvaram.

Oito países se envolveram no conflito, junto com várias milícias locais. A guerra acabou quando todos os lados estavam exaustos e sob pressão dos doadores dos governos envolvidos. Os capacetes azuis das Nações Unidas chegaram. O filho de Kabila, Joseph, se tornou presidente desde o assassinato de seu pai em 2001. Atualmente, a lei vale pouco. Quando um juiz recentemente se recusou a ir contra um líder de oposição, bandidos invadiram sua casa e estupraram sua esposa e sua filha.

Joseph Kabila foi eleito para um último mandato em 2011. Seu mandato iria até 2016, mas ele continuou no poder. Ele é muito impopular, não mais de 10% dos congoleses são a favor dele. Dez das 26 províncias estão sofrendo com o conflito armado. Várias milícias estão derramando sangue novamente. Esta é uma evidência de que países que sofreram uma guerra civil recentemente são mais propensos a sofre outro conflito.

O mundo deveria se preocupar com a República Democrática do Congo e ajudá-la. Primeiro porque seus cidadãos são seres humanos e merecem uma vida melhor. Além disso, o Congo é enorme, logo, quando a situação for catastrófica, as consequências vão se espalhar.

Doadores do governo deveriam pressionar Kabila a manter sua promessa de fazer novas eleições no final do ano em vez de comandar o governo novamente.

Fontes:
The Economist-Congo is sliding back to bloodshed

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