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Retirada de tropas da Líbia expõe instabilidade no país

EUA anunciam retirada temporária de militares do país, que, após a queda de Muammar Kadafi, sofre com disputa de poder entre grupos rivais

Retirada de tropas da Líbia expõe instabilidade no país
EUA e ONU instam governos a retomarem as negociações pela paz na região (Foto: U.S. Army Africa/Facebook)

Os Estados Unidos anunciaram a retirada temporária de parte das forças militares do país que atuam na Líbia. Não se sabe quantas tropas serão mobilizadas e por quanto tempo, mas o comando da Forças Armadas na África (AfriCom) garante que segue o empenho por uma Líbia “segura e estável”.

O anuncio da retirada de tropas foi feito através de um comunicado divulgado no último domingo, 7. A retirada ocorre dias após uma visita do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, ao país. Ao deixar a Líbia, Guterres destacou a sua preocupação, reforçando que apenas o diálogo pode resolver a instabilidade.

“Estou profundamente preocupado com o movimento militar que se realiza na Líbia e o risco de confronto. Não há solução militar. Apenas o diálogo intra-líbio pode resolver problemas da Líbia. Apelo à calma e à contenção enquanto me preparo para conhecer os líderes líbios no país”, escreveu Guterres nas redes sociais.

Segundo o comunicado da AfriCom, a retirada das tropas da Líbia ocorre em um momento de crescente “agitação” no país. À distância, a Africom revelou que segue acompanhando a situação, analisando a viabilidade de renovar a presença militar em território líbio. De acordo com a nota, a missão norte-americana na Líbia conta com tropas militares e apoio à diplomacia.

“As realidades de segurança em terra na Líbia estão se tornando cada vez mais complexas e imprevisíveis. […] Mesmo com um ajuste de força, continuaremos a ser ágeis em apoio à estratégia existente nos EUA”, explicou o general Thomas Marinehauser, comandante da AfriCom.

Situação na Líbia

Esperava-se que a situação da Líbia fosse resolvida em 2011, quando os rebeldes, apoiados pela comunidade internacional, conseguiram derrubar o regime de Muammar Kadafi. No entanto, a queda de Kadafi apenas expôs a instabilidade do país. Atualmente, dois grupos governam o território líbio.

De um lado há um governo apoiado pela ONU e a comunidade internacional, concentrado em Trípoli, no oeste do país. O governo é liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj.

Enquanto isso, a outra frente é liderada pelo marechal Khalifa Haftar, de 75 anos, que se tornou militar em 1966. Haftar já foi apoiador de Kadafi, contribuindo para o golpe contra a monarquia. Mais tarde, em 1987, desertou, apoiando a Frente Nacional de Salvação da Líbia (FNSL), que tinha o apoio dos EUA e fazia oposição a Kadafi.

Após passar anos nos EUA, retornou à Líbia em 2011, após o início da Guerra Civil, sendo um dos principais nomes da oposição a Kadafi. Após a queda do ditador, Haftar retornou aos EUA, voltando à Líbia apenas em 2014, quando comandou um fracassado golpe militar. Mesmo com a derrota, Haftar buscou novos apoios e segue como um dos governantes do país.

Haftar e suas tropas mantêm o controle do leste da Líbia, em cidades como Benghazi, Sidra e Ras Lanuf. A instabilidade entre os governos ocidental e oriental eleva-se, pois Haftar não concorda com a proposta da ONU de realizar eleições no país com a participação de Trípoli.

Agora, as tropas de Haftar marcham contra Trípoli, em uma ofensiva militar que pode elevar a situação ao status de uma nova guerra civil. Na última sexta-feira, 5, milícias pró-governo e os apoiadores de Haftar entraram em confronto nos arredores de Trípoli. Segundo uma reportagem do Globo, a ofensiva, que continuou no último domingo, já deixou 21 mortos. Bombardeios já foram registrados.

Em resposta à situação na Líbia, o Departamento de Estado dos EUA divulgou uma nota, assinada pelo secretário Mike Pompeo, revelando que está pressionando os líderes líbios para que as negociações em busca da paz na região sejam retomadas.

“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a luta perto de Trípoli. Nós deixamos claro que nos opomos à ofensiva militar das forças de Khalifa Haftar e pedimos a suspensão imediata dessas operações militares contra a capital líbia. […] Todas as partes envolvidas têm a responsabilidade de reduzir urgentemente a situação, como enfatizaram os ministros do Conselho de Segurança da ONU e do G7 em 5 de abril. Essa campanha militar unilateral contra Trípoli está colocando em risco civis e prejudicando as perspectivas de um futuro melhor para todos os líbios”, diz o comunicado.

Leia também: Disputa pelo poder na Líbia pode se intensificar

Fontes:
DW-EUA retiram parte de suas tropas da Líbia
The Washington Post-American troops in Libya moved out of country as violence escalates near capital
Folha de São Paulo-Quem é Khalifa Haftar, líder do Exército Nacional Líbio?

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