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CRISE HUMANITÁRIA

Retrocesso na Venezuela: morte de recém-nascidos dispara

Estudo publicado pelo Unicef e pelo Banco Mundial aponta que a mortalidade infantil na Venezuela atingiu os mesmos índices registrados em 1977

Retrocesso na Venezuela: morte de recém-nascidos dispara
Lançamento da pesquisa coincide com a polêmica gerada por almoço de Maduro em restaurante de luxo (Foto: Pexels)

Um estudo publicado pelo Unicef e pelo Banco Mundial aponta que a mortalidade infantil na Venezuela atingiu os mesmos índices registrados lá em 1977. O lançamento da pesquisa esta semana coincide com a veiculação nas diversas redes sociais de um vídeo que mostra o presidente do país, Nicolás Maduro, degustando um churrasco de cordeiro feito pelo chef turco Nusret Gökçe – ao preço de US$ 1 mil por pessoa – em um restaurante requintado de Istambul.

O retrocesso de 40 anos em índice de tamanha relevância somente não ganhou mais retumbância porque as duas entidades – pressionadas por governos aliados a Caracas – evitam comentar os números. Há 40 anos, a mortalidade de crianças com menos de um mês de vida, no país vizinho, atingia 19 para cada mil nascidos. Em 2008, a taxa caiu para 9,7 casos por mil crianças, mantendo-se baixa até 2013. Agora, os dados apontam para números que beiram a tragédia: são 20 óbitos a cada mil nascimentos. Isso significa dizer que Maduro convive com a morte de uma criança a cada 20 minutos enquanto degusta seu churrasco – regado a baforadas de um charuto cubano – sem que esses dados lhe virem o estômago.

Números são preocupantes e vergonhosos

Na hora e meia em que sorveu delícias e chamegos no restaurante Nusr-Et Steakhouse – ao lado de sua amada Cilia -, Maduro nem se deu conta da morte, naquele exato instante, de seis crianças de outra faixa etária: aquelas que têm menos de cinco anos. Segundo o Unicef, foram 30,9 crianças mortas a cada mil no ano passado – contra 16 em 2011.

Números colhidos também pela Organização Mundial de Saúde (OMS) alertam que as crianças estão especialmente ameaçadas por surtos de doenças, como o sarampo. Em 2017, foram 727 casos confirmados. Este ano, os novos casos atingiram a marca de 3.500, com 62 óbitos.

Na OEA, Brasil e vizinhos defendem Caracas

Para Maduro e seus asseclas, a crise venezuelana é causada tão somente pelo embargo financeiro imposto pelos Estados Unidos e pela União Europeia – duas potências que têm, na visão dele, o único objetivo estratégico de prejudicar seu país. Antes mesmo de Maduro ser brindado pelos trejeitos performáticos do chef turco, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse na semana passada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que em seu país “todos têm acesso à saúde”.

Enquanto a Venezuela afunda a olhos vistos e transforma sua população num contingente de famintos e desvalidos, o Brasil e também Argentina, Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia acabam de rechaçar qualquer ação que “implique uma intervenção militar ou o exercício da violência, a ameaça ou o uso da força na Venezuela.” A manifestação, por escrito, foi divulgada horas depois de o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, afirmar que “com respeito a uma intervenção militar para derrubar Nicolás Maduro, não devemos descartar nenhuma opção”.

Em setembro de 2017, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas em Nova York, o presidente Donald Trump recebeu um grupo de presidentes da região – entre eles, Michel Temer – para tratar da Venezuela. O pragmático Trump perguntou se eles tinham certeza que não queriam uma “solução militar” para Caracas. Surpresos, todos rejeitaram a ideia. Agora, um ano depois, o “Grupo de Lima” reafirma “seu compromisso de contribuir para a volta da democracia na Venezuela, mas com iniciativas no âmbito do direito internacional”.

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1 Opinião

  1. BS disse:

    Chega a ser surreal ver o ditador Maduro se empanturrando de carne em um restaurante caro no exterior enquanto o povo venezuelano passa fome. Cruel, desumano e imperdoável.

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