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Rios ao redor do mundo têm alta concentração de antibióticos

Pesquisadores analisaram amostras retiradas de rios de seis continentes e 65% apresentaram traços de antibióticos acima do nível considerado seguro

Rios ao redor do mundo têm alta concentração de antibióticos
A poluição antibiótica contribui para o desenvolvimento de bactérias super-resistentes (Foto: Pexels)

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Rios espalhados por todo o planeta apresentam uma alarmante concentração de antibióticos. É o que aponta um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de York, no Reino Unido, apresentado nesta segunda-feira, 27, em uma conferência em Helsinque.

O estudo analisou 711 amostras de água de rios de 72 países, em seis diferentes continentes, para detectar a presença de 14 tipos de antibióticos comumente usados no tratamento de doenças. Eles detectaram a presença de traços de antibióticos em 65% das amostras analisadas.

Do total de amostras analisadas, 111 apresentaram concentração de antibióticos superior ao nível determinado como seguro pela AMR Industry Alliance, uma rede que reúne pesquisadores e empresas do setor biofarmacêutico.

Países pobres foram os que apresentaram os piores resultados. Amostras retiradas da África foram as que registraram maior concentração de antibióticos. Em segundo lugar ficou a Ásia, seguida da América do Sul, América do Norte, Europa e Oceania.

 Em Bangladesh, onde foi detectado o caso mais drástico, a amostra analisada apontou a presença de metronidazol (antibiótico usado para tratar infecções cutâneas e vaginais) em concentração 300% acima do nível considerado seguro.

Também foram detectados traços de antibióticos acima do recomendado em rios como o Danúbio, na Áustria, que apresentou traços do antibiótico Claritromicina – usado para tratar infecções no sistema respiratório – quatro vezes acima do considerado seguro. O rio, que é o segundo maior da Europa, foi o considerado aquele com maior poluição antibiótica do continente.

O Tâmisa, que costuma ser classificado como um dos rios mais limpos da Europa, também apresentou contaminação em alto nível, assim como seus afluentes. Nele, os pesquisadores detectaram traços de Ciprofloxacina – usado em infecções cutâneas e urinárias – três vezes acima do considerado seguro.

A poluição antibiótica é um dos fatores que acarretam no desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos – uma tendência em ascensão que vem desafiando o setor farmacêutico. Tal poluição é causada por descarte de esgoto sem tratamento e também pelo costume de jogar lixo nos rios.

“É muito assustador e deprimente. É possível que grande parte do meio ambiente tenha níveis suficientemente altos para afetar a resistência a antibióticos”, disse Alistair Boxall, cientista ambiental da Universidade de York e coautor do estudo, segundo noticiou o jornal Guardian.

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