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USINA DE FUKUSHIMA

Robô chega ao combustível derretido de Fukushima

Primeiras imagens da Unidade 3 foram conseguidas seis anos após o acidente nuclear na usina

Robô chega ao combustível derretido de Fukushima
Combustível derretido se solidificou e ficou similar a lava derretida (Foto: Tecpo)

Seis anos após o acidente em Fukushima, um robô controlado por engenheiros japoneses conseguiu chegar até o combustível de urânio derretido dos reatores nucleares da Unidade 3 e registraram as primeiras imagens. Os vídeos foram transmitidos depois de três dias de percurso e mostram o combustível parecendo lava solidificada.

As mais recentes descobertas foram feitas pelo robô Mini-Manbo, também conhecido como “little sunfish”, que foi construído com materiais endurecidos por radiação, integrado com um sensor para evitar pontos mais quentes nos prédios da usina e hélices para deslizar. O robô tem o tamanho de uma caixa de sapatos. A máquina foi controlada a distância por quatro engenheiros, que treinaram durante um mês antes de colocar a operação em prática.

“Finalizamos a limpeza dos detritos e conseguimos controlar a fábrica. Agora, estamos finalmente nos preparando para o desmantelamento”, explicou o porta-voz da subsidiária da Tokyo Electric Power Co. (Tepco), Daisuke Hirose.

Agora, as autoridades japonesas acreditam que podem convencer o público de que o desastre está totalmente sob controle. Desse jeito, as ações para limpar os reatores, além dos primeiros passos para a remoção do combustível radiativo, poderiam ser iniciadas.

“Até agora, não sabíamos exatamente onde o combustível estava ou com o que ele se parecia. Agora que vimos isso, podemos fazer planos para recuperá-lo”, afirmou o representante da Tepco, Takahiro Kimoto.

O Japão pretende recuperar completamente Fukushima, e não apenas isolar a usina e os reatores – como foi feito pelos russos em Chernobyl. Envolvidos na empreitada afirmam que a operação vai durar de três a quatro décadas e custar bilhões de dólares até que seja concluída. Ademais, foi estabelecido que a extração do combustível de pelo menos um dos três reatores destruídos, vai começar em 2021, no 10º aniversário do desastre.

“Eles estão sendo muito metódicos — muito lentos, diriam alguns —, fazendo um esforço cuidadoso para evitar quaisquer equívocos ou surpresas desagradáveis. Eles querem reconquistar a confiança. Aprenderam que a confiança pode ser perdida muito mais rapidamente do que pode ser recuperada”, destacou o diretor de segurança nuclear da Union of Concerned Scientists, David Lochbaum.

Os níveis de radiação ainda estão altos em alguns locais da usina de Fukushima, tanto que diferentes robôs não sobreviveram a algumas horas dentro da instalação antes de serem destruídos. Por isso, os engenheiros japoneses estão investindo no desenvolvimento de novos robôs mais resistentes à radiação no Naraha Remote Technology Development Center.

Em março de 2011, um desastre nuclear, provocado por um terremoto seguido de maremoto, fez com que três dos seis reatores da usina de Fukushima derretessem e o quarto ficasse danificado. O acidente gerou uma enorme emissão de substâncias radioativas. Os reatores danificados foram envolvidos em um sarcófago de concreto após terem sido cobertos de areia.

Abaixo o vídeo com as primeiras imagens do combustível do reator da Unidade 3 da Usina de Fukushima

Fontes:
New York Times - Six Years After Fukushima, Robots Finally Find Reactors’ Melted Uranium Fuel

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