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REAÇÃO POSITIVA

Rusga com Trump reforça a imagem de Theresa May

Críticas da primeira-ministra aos comentários anti-islâmicos de Trump foi bem recebida pela população e uniu políticos britânicos em torno do tema

Rusga com Trump reforça a imagem de Theresa May
O British First, cujos vídeos xenófobos Trump divulgou, é um grupo marginal de extrema-direita (Foto: Flickr/Number 10)

A disparada matinal de comentários tolos ou irrelevantes de Donald Trump pelo Twitter, assim como seu hábito de atacar aliados e incentivar grupos racistas não é novidade em seu governo. Mas em 29 de novembro, o presidente se superou. Ao acordar, atacou a CNN por telefone, mencionou uma antiga teoria de conspiração e divulgou vídeos do grupo xenófobo British First para seus 43,6 milhões de seguidores no Twitter. Ignorar os tuítes de Trump foi uma estratégia inteligente adotada por algumas pessoas para permanecerem mentalmente saudáveis em 2017. Porém, os tuítes da manhã de 29 de novembro revelaram traços inquietantes de sua personalidade difíceis de ignorar.

Em primeiro lugar, Trump tem uma profunda falta de curiosidade em pesquisar a origem das informações que recebe. O British First, cujos vídeos xenófobos Trump divulgou, é um grupo marginal de extrema-direita, sem nenhuma relevância, do Reino Unido. Mas compartilha os pontos de vista de Trump sobre os muçulmanos. Bastou essa informação para que o presidente o apoiasse.

Uma segunda característica de sua personalidade é a suscetibilidade. Apesar do poder de seu cargo, Trump sente necessidade de reafirmar suas palavras, como um mecanismo de autodefesa. Quando a primeira-ministra Theresa May o criticou pela divulgação dos vídeos, ele não resistiu ao silêncio: “Theresa May, não se preocupe comigo, preocupe-se com o terrorismo islâmico radical e destrutivo no Reino Unido. Nós estamos bem!”, disse em uma mensagem no Twitter.

A primeira-ministra May, cujo governo quer negociar um acordo comercial com os Estados Unidos depois que o Reino Unido sair da União Europeia (UE), assumiu um risco calculado ao criticá-lo. A maioria dos líderes estrangeiros já percebeu que o presidente reage mal a críticas bem intencionadas. Mas no caso de May, a desaprovação teve um efeito surpreendente. O gesto de Trump conseguiu unir deputados britânicos com pouquíssimos pontos de consenso, bem como promover o diálogo inter-religioso.

Apesar do ânimo belicoso, após os atritos Trump ameniza o tom e apoia seus aliados. O primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, foi uma das primeiras vítimas, mas a política dos EUA em relação à Austrália pouco mudou. Isso significa que, aparentemente, a crítica de Theresa May não terá repercussões sérias.

Os primeiros-ministros britânicos têm um cuidado especial em manter uma boa convivência com os presidentes dos Estados Unidos. Além disso, a base do relacionamento é o compartilhamento de inteligência e diplomacia, temas mais resistentes ao Twitter. Na verdade, para a primeira-ministra May, que está negociando um divórcio extremamente complicado com a UE, dificultada pela impopularidade e por conflitos internos em seu gabinete, a discussão com Trump teve um efeito positivo perante a opinião pública.

Fontes:
The Economist - A very British row

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