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GUERRA NA SÍRIA

Rússia e EUA perto do confronto direto na Síria

EUA estuda ação militar na Síria em resposta a ataque químico em Douma. Moscou alerta que medida terá ‘graves repercussões’

Rússia e EUA perto do confronto direto na Síria
Ameaças e acusações entre EUA e Rússia marcaram reunião do Conselho de Segurança da ONU (Foto: AFP)

O relato de um ataque químico em Douma, cidade dominada por rebeldes na Síria, colocou os Estados Unidos e a Rússia perto de um confronto direto na guerra civil síria. Ambos os países sempre estiveram envolvidos no conflito, porém, indiretamente, com a Rússia apoiando o presidente Bashar al-Assad e os EUA os rebeldes que tentam derrubar o governo sírio.

Segundo informações do Guardian, na noite da última segunda-feira, 9, o presidente americano, Donald Trump, se reuniu com generais das Forças Armadas dos EUA em seu gabinete na Casa Branca para discutir a reposta a ser dada ao ataque a Douma, que no último sábado, 7, deixou pelo menos 70 mortos e mais de 500 feridos, todos eles com sintomas de intoxicação, segundo centros locais de atendimento médico.

Antes de entrar para a reunião, Trump disse a repórteres na Casa Branca que “uma decisão seria tomada em breve”. “Não podemos permitir atrocidades como a que testemunhamos. […] Temos muitas opções, militarmente. E informaremos em breve”, disse Trump, que estava acompanhado de seu novo conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton. Questionado se o presidente russo Vladimir Putin tinha alguma responsabilidade no ataque, Trump respondeu que “pode ser que sim”. “E se ele tiver, será muito difícil. Todos vão pagar um preço. Ele vai. Todos vão”, disse Trump.

Pouco antes da reunião, Trump conversou por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, que também prometeu uma reação militar na Síria, caso seja comprovado o envolvimento das forças de Assad no ataque químico. Macron também reafirmou o compromisso em entrevista à emissora de rádio Europe 1. “Se a linha vermelha for cruzada, haverá uma resposta”, disse o presidente francês.

A tensão em torno do episódio também marcou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada na segunda-feira. Na reunião, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, trocou duras acusações e ameaças com seu homólogo russo, Vassily Nebenzia.

Na reunião, o embaixador francês François Delattre rejeitou a afirmação do governo russo de que não houve ataque químico em Douma. Segundo Delattre, os sintomas apresentados pelas vítimas indicam que elas foram expostas a “um poderoso agente neurotóxico, combinado com gás cloro para potencializar seu efeito letal”. De acordo com o embaixador francês, somente as forças sírias têm os meios e os motivos para fazer uso de tais armas e promover tal ataque.

Posteriormente, Haley atacou a Rússia, principal aliada da Síria. Ela se referiu ao governo de Moscou como o “regime russo, cujas mãos estão cobertas de sangue de crianças sírias”.

“Chegamos a um ponto onde o mundo deve ver a justiça ser feita. A história irá lembrar deste momento em que o Conselho de Segurança ou se esquivou de suas funções ou demonstrou completa incapacidade de proteger o povo da Síria. De qualquer forma, os EUA vão agir”, disse a embaixadora.

O embaixador russo Vassily Nebenzia negou ter havido um ataque químico e disse que a Rússia “está sendo ameaçada de maneira imperdoável”. Nebenzia lembrou que investigadores russos que apuraram o episódio concluíram não haver indícios de um ataque químico em Douma e alertou que qualquer ação militar dos EUA na Síria terá “graves repercussões”.

“Não houve ataque químico. Através dos canais relevantes, já transmitimos aos EUA que o uso de Forças Armadas, sob um pretexto mentiroso, contra a Síria – para onde, a pedido de um governo legítimo, tropas russas foram enviadas – pode levar a graves repercussões”.

Nesta terça-feira, 10, China e Turquia também se manifestaram sobre o ataque. O governo de Pequim, advertiu contra uma ação militar dos EUA na Síria e pediu que se aguarde o resultado de uma investigação “exaustiva e imparcial, baseada em métodos científicos e provas sólidas que determine que se tratou de um ataque químico”. A investigação citada pela China está sendo conduzida pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) e se encontra em fase preliminar.

Já a Turquia, segundo maior exército da Otan, afirmou que os autores do ataque “vão pagar caro”. Atualmente, o país conduz uma operação militar no norte da Síria contra forças curdas presentes na região.

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