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ATAQUE AÉREO

Rússia e Síria culpam Israel por ataque à base militar

Ataque à base síria ocorreu nesta segunda-feira, 9, dois dias após a cidade de Douma ser alvo de ataque químico

Rússia e Síria culpam Israel por ataque à base militar
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, o ataque à base deixou 14 mortos (Foto: Twitter)

A Rússia e o governo da Síria culparam Israel por um ataque aéreo contra uma base militar síria localizada na província de Homs, oeste do país, ocorrido na madrugada desta segunda-feira, 9.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização que monitora o conflito, 14 pessoas morreram no ataque. A ONG informou à agência de notícias Associated Press, que havia combatentes iranianos entre as vítimas fatais.

Segundo informações do New York Times, o governo russo informou, em comunicado, que a base militar, conhecida como T4, foi atacada por dois aviões de guerra israelenses do modelo F-15 nesta segunda-feira. De acordo com o comunicado, o ataque teria partido do espaço aéreo do Líbano e as forças sírias conseguiram derrubar outros oito mísseis disparados. Além disso, as Forças Armadas libanesas divulgaram um comunicado informando que caças israelenses invadiram o espaço aéreo do país nesta madrugada, cruzando o Mediterrâneo em direção à Síria. No entanto, o comunicado não confirma a participação dos caças no ataque à base militar. Além das forças sírias, a base T4 também é usada por combatentes iranianos.

O ataque à base T4 se soma a uma série de eventos ocorridos no conflito sírio ao longo do último fim de semana. Na noite do último sábado, 7, um ataque na cidade de Douma, a 10 km da capital Damasco, deixou pelo menos 70 mortos e mais de 500 feridos. A suspeita é de ataque químico, pois, segundo a Defesa Civil da Síria e a Sociedade Médica Síria Americana, as vítimas atendidas apresentavam dificuldade para respirar e tom de pele azulado, sintomas típicos de intoxicação.

O ataque provocou uma onda de críticas internacionais ao governo do presidente sírio Bashar al-Assad. O governo da Turquia afirmou que a Síria novamente ignorou os acordos internacionais de banimento de armas químicas. No último domingo, 8, o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou Assad de “animal” e afirmou que os países que apoiam o regime sírio terão um alto preço a pagar, citando nominalmente a Rússia e o Irã.

Aliada de Assad, a Rússia nega o envolvimento do governo sírio no ataque a Douma. O governo russo enviou especialistas à cidade para investigar a suspeita de ataque químico. Os especialistas russos disseram não ter encontrado “nenhum rastro” de substância química.

O ataque a Douma também está sendo investigado pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq). Douma é o último reduto rebelde na região de Ghouta Oriental, que, por sua vez, é o último bastião rebelde do país.

Ghouta Oriental foi uma das primeiras regiões do país a se levantar contra o regime de Bashar al-Assad em 2011, início da guerra na Síria. Desde 2013, ela se encontra sitiada por forças do governo de Assad. Antes da guerra, havia cerca de 2 milhões de residentes na região, que é agrícola e fornece alimentos para Damasco. Hoje, o número de habitantes caiu para 400 mil. Em março deste ano, duas cidades da região, Hamoryah e Saqba, foram alvos de ataques químicos que resultaram na morte de 29 pessoas, entre elas 15 crianças.

 

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