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SÍRIA

Rússia dificulta acesso de inspetores ao local de ataque químico

EUA acusa Rússia e Síria de estarem tentando manipular as provas disponíveis

Rússia dificulta acesso de inspetores ao local de ataque químico
Os investigadores internacionais da Opaq ainda não puderam entrar na área do ataque (Foto: Flickr/OPCW)

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A equipe de inspetores enviada pela Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) continua sem poder entrar numa área em Douma, na Síria, para investigar um ataque químico ocorrido no dia 7.

Segundo o governo sírio e seus aliados russos, que controlam Ghouta Oriental, os investigadores internacionais, que foram para Síria na semana passada, ainda não puderam entrar por questões de segurança. O vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Riabkov, disse que a culpa era da Organização das Nações Unidas (ONU), que não havia dado permissão para que os inspetores fossem a Douma (a missão da Opaq depende da ONU). Porém, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a Opaq contava com as permissões.

O embaixador americano na Opaq, Kenneth Ward, expressou suspeitas de que Damasco e Moscou estavam tentando manipular as provas disponíveis. “É nosso entendimento que russos podem ter visitado o local do ataque”, disse o embaixador durante um encontro da Opaq em Haia na última segunda-feira, 16. “É nossa preocupação de que eles podem ter adulterado com a intenção de frustrar esforços da Missão de Descobertas de Fatos da Opaq para conduzir uma investigação eficaz”, disse o embaixador. Seus comentários foram obtidos pela Reuters.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, negou que Moscou tenha interferido em qualquer evidência. “Eu posso garantir que a Rússia não adulterou o local”, disse à BBC.

Inspeção da Opaq

As autoridades russas e sírias vinham pedindo que os inspetores realizassem, com urgência, uma missão de coleta de provas em Douma. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), dos cerca de 70 mortos no ataque em Douma em 7 de abril, 43 apresentavam quadros relacionados com substâncias tóxicas.

Na última sexta-feira, 13, os Estados Unidos realizaram um ataque na Síria, com apoio da França e do Reino Unido, contra as instalações estatais sírias, supostamente vinculadas ao programa de armas químicas. Segundo Moscou, isso atrasou ainda mais a chegada dos inspetores.

No entanto, um grupo de repórteres, a maioria escolhidos por Moscou, foram levados ao local do suposto ataque químico na última segunda-feira, 16. Eles relataram que não houve ataque químico e que as vítimas foram enganadas pelos Capacetes Brancos. Eles teriam feito as vítimas acharem que o sufocamento, causado pelas nuvens de poeira, era um ataque químico. Diplomatas ocidentais, então, questionaram como a Rússia pôde assegurar a segurança de repórteres selecionados e não dos inspetores.

 

Leia também: Rússia diz que ataque químico na Síria foi encenado

Fontes:
El País-Rússia e Síria dificultam o acesso de inspetores à zona do ataque químico
The Guardian- Chemical weapons experts press for access to Syria attack site
O Globo-Ocidente acusa Síria e Rússia de impedirem acesso da Opaq a Douma

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