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JOGO DE INTERESSES

Rússia e Turquia têm muito a ganhar com reaproximação

Isolados e com a economia seriamente afetada, Putin e Erdogan ensaiam uma reconciliação

Rússia e Turquia têm muito a ganhar com reaproximação
Putin recebeu Erdogan em São Petersburgo nesta terça-feira, 9 (Foto: kremlin.ru)

Um ano após suspender relações políticas e econômicas, Turquia e Rússia começam a reatar os laços. Uma ligação feita pelo presidente russo, Vladimir Putin, oferecendo apoio ao colega turco, Recep Tyyip Erdogan, logo após a tentativa de golpe contra seu governo em 15 de julho pavimentou a retomada do diálogo entre os dois líderes.

A reconciliação foi coroada nesta terça-feira, 9, com um encontro entre os dois em São Petersburgo, Rússia. É o primeiro diálogo entre ambos desde novembro do ano passado, quando caças turcos abateram um avião militar russo que sobrevoava a fronteira entre a Síria e a Turquia.

A reaproximação é uma das prioridades da agenda de Erdogan. Medidas tomadas por Moscou logo após a crise de 2015, como a proibição da importação de produtos turcos e a restrição das atividades de empresas russas na Turquia afetaram seriamente a economia do país. Essas agruras somaram-se à queda no turismo, uma das principais fontes de renda turca, após o aumento dos ataques do Estado Islâmico no país, especialmente em Istambul.

Basaran Ulusoy, presidente da Associação de Agências de Viagens da Turquia (Tursab), disse, em entrevista à agência de notícias alemã Deutsche Welle, que espera que o encontro faça o setor retornar aos “velhos e bons tempos”. “Esperamos que Erdogan e Putin abram uma página nova na economia, começando pelo turismo”.

A reaproximação também é bem-vinda no jogo de xadrez da Rússia contra o Ocidente. A reaproximação ocorre na mesma proporção que a Turquia se distancia dos EUA e da União Europeia e mostra que Putin nunca perde uma chance de explorar as fissuras nas alianças dos países da Otan.

Além disso, sem os antigos aliados do Ocidente, tanto a Rússia como a Turquia ficaram isoladas no cenário mundial. Logo, Putin e Erdogan planejam mostrar ao mundo que têm outros parceiros a quem recorrer. E com características similares: ambos são vistos como líderes autoritários, inflexíveis, nacionalistas e com apetite bélico.

Falta apenas resolver o ponto realmente sensível da relação entre os dois países: a Síria, onde cada um apoia um lado diferente no conflito. Erdogan quer a queda do presidente sírio, Bashar al Assad, aliado da Rússia. Os dois lados terão de encontrar um modo de acomodar seus interesses. O mais provável é que isso ocorra através de um acordo para uma transição pacífica de governo na Síria.

Fontes:
DW-Ankara-Moscow pivot: a new era begins
The New York Times-Putin and Erdogan, Both Isolated, Reach Out to Each Other

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