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Rússia faz da ciberespionagem a arma perfeita

A ciberespionagem russa é uma arma de baixo custo, difícil de ser detectada e de impactos devastadores

Rússia faz da ciberespionagem a arma perfeita
Intervenção russa teve efeitos devastadores na política americana (Foto: kremlin.ru)

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Em setembro de 2015, o agente especial do FBI Adrian Hawkins telefonou para o Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) para reportar notícias graves sobre a rede de computadores do órgão.

Em sua breve, porém, alarmante mensagem, Hawkins informou que pelo menos um dos sistemas de rede usado pelo comitê foi invadido pelos “Dukes”, como os investigadores chamam o grupo de hackers ligado ao governo da Rússia.

Os Dukes são bem conhecidos pelo FBI. A agência de inteligência passou os últimos anos tentando expulsá-los de sistemas de email do governo americano, da Casa Branca e até mesmo da Junta de Chefes de Estado, um das redes mais bem protegidas dos EUA.

O contato entre o FBI e o DNC foi o primeiro e sombrio sinal da ciberespionagem russa nas eleições presidenciais americanas de 2016, a primeira empreitada do tipo da história dos EUA. Segundo os agentes, o que começou como uma coleta de informações se tornou uma operação para prejudicar uma candidata, Hillary Clinton, e virar a balança da disputa a favor de seu oponente, Donald Trump.

Nos meses que se seguiram, membros do partido democrata assistiram impotentes emails e informações confidenciais do partido e da campanha de Hillary serem vazados para sites como WikiLeaks e, depois, noticiados em veículos da mídia. Para o deleite de Trump, que usou desenfreadamente as informações vazadas em sua campanha, mas descartou a possibilidade de espionagem russa.

A falha do FBI em medir a dimensão dos ataques anulou os esforços para minimizar seus impactos. E a resposta pouco enérgica de Washington significa que os russos não pagaram um preço alto por suas ações, algo que pode influenciar futuros ciberataques.

Os EUA tem, agora, um cético presidente eleito, agências de inteligência e os dois de seus maiores partidos envolvidos em um extraordinário debate junto à opinião pública sobre quais evidências existem de que Vladimir Putin usou a espionagem para deliberadamente subverter a democracia americana e escolher o vencedor da disputa presidencial.

Na semana passada, dois jornais americanos, o Washington Post e o New York Times, divulgaram relatórios do FBI e da CIA nos quais as agências de inteligência afirmam ter descoberto intervenções da Rússia nas eleições. Trump rebateu as conclusões. “É o mesmo pessoal que disse que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa”, disse o presidente eleito.

Embora não se saiba ainda a amplitude dessa intromissão, seus efeitos devastadores na política americana ficaram claros. A Rússia criou uma arma de alto impacto, baixo custo, de ação difícil de prever e de ser detectada.

Nesta quarta-feira, 14, quatro dias após a divulgação dos relatórios, membros do parlamento britânico do Partido dos Trabalhadores afirmaram desconfiar que Putin interferiu no referendo que decidiu pelo Brexit. Segundo o parlamentar Ben Bradshaw tal possibilidade seguiria uma tendência de Moscou de intervir em questões de outros países.

“Eu acho que ainda não começamos a acordar para o que a Rússia está fazendo no quesito ciberespionagem. Não apenas a interferência, agora constatada, na campanha presidencial americana, mas provavelmente em nosso referendo do ano passado. Ainda não temos evidências disso, mas eu considero muito provável”, disse Bradshaw.

Fontes:
The New York Times-The Perfect Weapon: How Russian Cyberpower Invaded the U.S.
The Independent-Labour MP claims it's 'highly probable' Russia interfered with Brexit referendum

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