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PARCERIA ESTRATÉGICA

Rússia inaugura seu 1º gasoduto na China

Gasoduto vai enviar anualmente 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural russo para a China nos próximos 30 anos e deve render US$ 400 bilhões para Moscou

Rússia inaugura seu 1º gasoduto na China
Inauguração é mais um passo no estreitamento de laços entre China e Rússia (Foto: Kremlin.ru)

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Os governos da China e da Rússia inauguraram nesta segunda-feira, 2, um importante gasoduto que enviará gás russo para o país asiático.

Batizado de Energia da Sibéria, o gasoduto foi inaugurado durante uma cerimônia da qual participaram, por videoconferência, os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping.

O acordo para a criação do gasoduto foi assinado em maio de 2014, pela estatal russa Gazprom e a chinesa Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC), durante uma visita de Putin a Xangai.

O acordo histórico prevê o envio anual de 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural russo para a China nos próximos 30 anos. Para 2020, a expectativa é de envio de 5 bilhões de metros cúbicos de gás, montante que sobe para 38 bilhões anuais a partir de 2024. Estima-se que o acordo vai render cerca de US$ 400 bilhões para a Rússia.

Segundo informou o governo russo, o gás será transportado dos campos de Chayandinskoye, em Iacútia, e Kovykta, no leste da Sibéria, e terá sua primeira estação na China na cidade de Heihe, na província de Heilongjiang, nordeste do país. No total, ele atravessará 3.000 km de território russo e 5.111 km de território chinês.

A demanda por gás natural na China tem crescido a cada ano e, segundo um relatório da Agência Internacional de Energia, em 2040, deve superar a produção interna em 43%. Em paralelo, a China planeja expandir o uso de gás natural para 10% da matriz energética em 2020, e 15% em 2030, conforme informações da Xinhua, a agência de notícias estatal da China.

A inauguração do gasoduto é mais um passo no estreitamento de laços entre China e Rússia. Tendo lutado em lados opostos no conflito sino-soviético de março de 1969 – que tinha a questão fronteiriça como cerne -, os dois países vivem hoje uma lua de mel geopolítica.

A aproximação entre Moscou e Pequim se intensificou em 2016, quando a Rússia vivia uma deterioração nas relações com países ocidentais e a China experimentava uma desaceleração econômica. Os vínculos entre as duas potências são reforçados por interesses econômicos e geoestratégicos.

China retalia EUA por apoio a Hong Kong

Paralelo à inauguração do gasoduto, Pequim concretizou nesta segunda-feira sua ameaça de retaliação aos Estados Unidos, anunciada na semana passada, em resposta à promulgação de uma lei em apoio às manifestações pró-democracia em Hong Kong.

O governo chinês anunciou a suspensão imediata da permissão de navios e aviões de guerra dos EUA para visitar Hongk Kong. Também foram anunciadas sanções a ONGs americanas acusadas por Pequim de incentivar manifestantes a se engajar nos protestos pró-democracia.

Na última quarta-feira, 27, Trump promulgou uma lei intitulada Hong Kong Human Rights and Democracy Act of 2019, que foi aprovada pelo Congresso americano em 15 de outubro, numa agenda bipartidária.

A lei determina que o Departamento de Estado dos EUA certifique o Congresso, anualmente, se Hong Kong tem garantido seu status especial, determinado em tratados e acordos, entre eles, o firmado com o Reino Unido, no âmbito da devolução da região para a China, sob o modelo “um país, dois sistemas”. As certificações serão uma exigência para que os EUA mantenham seus negócios comerciais com Hong Kong.

Embora celebrada como uma declaração de que os EUA não toleram ataques à democracia, a lei tem sido alvo de críticas de hipocrisia. Alguns analistas apontam que o governo americano usou a legislação para embaraçar ainda mais a situação da China, que tem nas manifestações de Pequim seu maior desafio político em décadas.

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