Início » Internacional » Rússia leva a Ucrânia à Justiça por dívida de US$ 3 bilhões
GUERRA FINANCEIRA

Rússia leva a Ucrânia à Justiça por dívida de US$ 3 bilhões

Rússia emprestou US$ 3 bilhões à Ucrânia para apoiar o governo do presidente Viktor Yanukovych. O líder foi deposto em 2014, mas o dinheiro nunca foi restituído

Rússia leva a Ucrânia à Justiça por dívida de US$ 3 bilhões
Ucrânia deve US$ 3 bilhões à Rússia (Foto: Wikimedia)

Nos dias tensos e incertos do final de 2013, quando os ucranianos ocuparam a praça da Independência em Kiev em protesto contra a aproximação do governo com a Rússia, o presidente Viktor Yanukovych aceitou uma oferta russa. A fim de apoiar a decisão de Yanukovych de resistir às demandas dos manifestantes pró-União Europeia, a Rússia emprestou US$ 3 bilhões à Ucrânia sob a forma de títulos públicos. Yanukovych foi deposto em fevereiro de 2014. Os conflitos armados entre a Rússia e a Ucrânia começaram. Porém, o dinheiro não foi restituído.

O Ministério das Finanças da Rússia decidiu então entrar com uma ação judicial de cobrança da dívida da Ucrânia. Como os títulos haviam sido registrados sob as normas legais britânicas, o governo russo apresentou um requerimento judicial ao Alto Tribunal de Justiça de Londres. Uma audiência começou esta semana na capital inglesa. Em 2015, um grupo de credores propôs uma reestruturação da dívida em condições favoráveis, mas a Rússia recusou-se a participar.

A Rússia dificultou ainda mais o pagamento da dívida com a anexação da Crimeia e o aumento da guerra na região de Donbass. Além disso, o governo russo cortou o fornecimento de gás para a Ucrânia e impôs sanções comerciais ao país. No período de 2013 a 2015 o PIB da Ucrânia caiu 15%. O poder de compra dos cidadãos comuns diminuiu ainda mais. Em 2013, oito grívnias compravam um dólar americano; hoje, um dólar vale mais de 25 grívnias.

Não está claro, no entanto, se os tribunais ingleses que se orgulham de sua imparcialidade política irão afirmar que a Rússia é responsável pelos problemas econômicos da Ucrânia. A Ucrânia pagou os juros do empréstimo até parte de 2015, quando estava em uma recessão profunda. E a Crimeia dependia dos subsídios do governo ucraniano. Portanto, a anexação da Rússia facilitou, em alguns aspectos, o pagamento da dívida.

O processo judicial ocorre em um momento de recuperação econômica da Ucrânia. A grívnia fraca aumentou as exportações. Em outubro, o FMI previu um crescimento de 2,5% em 2017. Mas se o veredicto dos tribunais ingleses obrigar a Ucrânia a pagar a dívida de US$3 bilhões, a grívnia sofrerá uma nova pressão. Os cidadãos ucranianos comuns ficarão revoltados com o pagamento. O país já se preparava para enfrentar anos difíceis. Para quitar outras dívidas em dólares a Ucrânia terá de desembolsar cerca de US$15 bilhões de 2017 a 2020, quase o equivalente às suas reservas cambiais.

Se essas reservas caírem abaixo de US$10 bilhões, os investidores ficarão preocupados com a situação econômica do país. O programa de ajuda financeira do FMI, acordado em 2015, atenuará o golpe, mas no ano passado a Ucrânia só recebeu US$1 bilhão em desembolsos do Fundo.

Com o pagamento ou não da dívida, a Ucrânia terá de promover reformas profundas para erradicar a corrupção e melhorar o estado de direito. Já houve alguns progressos. Segundo Tomas Fiala do banco de investimentos Dragon Capital, com sede em Kiev, a privatização recente do maior banco do país, o PrivatBank, manteve a estabilidade financeira. Por sua vez, o aumento dos preços do gás subsidiado melhorou as finanças da empresa estatal Naftogaz.

Fontes:
The Economist-Ukraine’s conflict with Russia is also financial

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *