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SAÚDE

Rússia na contramão do combate a Aids

Financiamento restrito russo deixou lacunas no tratamento contra o HIV; menos de 25% dos soropositivos russos recebem medicamentos antirretrovirais

Rússia na contramão do combate a Aids
Seringas usadas continuam sendo o principal meio de transmissão (Foto: Flickr/NIAID)

Na maior parte do mundo a ameaça do HIV e da Aids diminuiu. No entanto, a situação é contrária na Europa Oriental e na Ásia Central. Na Rússia, que tem mais de 80% das novas infecções na região, 51 mil pessoas foram diagnosticadas nos cinco primeiros meses deste ano.

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A União Soviética começou a reportar o HIV em 1987, e o vírus começou a ser relatado na Rússia no início dos anos 2000, principalmente entre usários de drogas injetáveis. Seringas usadas continuam sendo o principal meio de transmissão, mas como há outras formas de contágio, os médicos consideram que esta é uma ameça para a população em geral. Para piorar, políticas ruins alimentaram a epidemia. A Rússia tem evitado a educação sexual e as políticas contra drogas que deram certo em outros lugares.

A metadona (narcótico do grupo dos opióides utilizado principalmente no tratamento dos toxicodependentes de heroína e outros opióides) e outras terapias de substituição de opioide não injetáveis são legais na Rússia. A Organização Mundial de Saúde considera a metadona o “método mais promissor da redução da dependência de drogas”.

O ministro do Exterior da Rússia, no entanto, considera que o tratamento de substituição é uma ideia “narcoliberal”. O financiamento restrito russo deixou lacunas no tratamento contra o HIV. Desta forma, menos de 25% dos soropositivos russos recebem os medicamentos antirretrovirais (medicamentos que suprimem a carga viral). Este número está bem abaixo da média global de 46%. Para piorar, os custos são elevados, os medicamentos na Rússia custam muito mais do que no Brasil e na Índia, por exemplo. Pacientes que não recebem esta medicação ficam mais propensos a morrer de AIDS — e mais susceptíveis a propagar o vírus.

A estigmatização complica ainda mais a situação. Usuários de drogas temem repercussões criminais se eles procurarem ajuda. Além disso, a propaganda anti-gay russa dificulta as organizações de caridade que apoiam os gays a operar no país.

Fontes:
The Economist-Immune to reason

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