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Língua portuguesa

Salada de letras

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Reconhecida como a terceira língua mais falada no ocidente, atrás apenas do inglês e do espanhol, o português ainda luta para ver suas duas ortografias oficiais unificadas. Juntar o dicionário usado no Brasil com os de outros sete países, no entanto, não parece ser uma tarefa fácil. Após quase duas décadas da assinatura do Acordo Ortográfico de 1990, em Lisboa, ainda não se sabe quando ele entrará em vigor. Mas, pelo menos, há uma certeza: três nações já ratificaram o documento, o que legitima a sua existência.

A história deste verdadeiro imbroglio teve origem há pouco menos de um século. Em 1911, uma reforma na maneira de escrever em Portugal deixou a ortografia deste país muito distante daquela definida pela pátria tupiniquim. Era o início de uma divisão que ainda tentou ser desfeita algumas vezes durante o século passado. Todas sem sucesso.

"A conversa (sobre um acordo comum) começou em 1945, mas o Congresso brasileiro não o ratificou. Em 1971, novo acordo entre Brasil e Portugal aproximou um pouco mais a ortografia dos dois países, suprimindo-se os acentos gráficos responsáveis por 70% das divergências entre as ortografias oficiais", conta Hélio Consolaro, editor do site Por Trás das Letras. Apenas no primeiro ano da década de 90 foi assinado, enfim, um consenso que pode colocar um ponto final nas disputas entre os vocabulários escritos na metrópole e em suas antigas colônias. Ele foi elaborado pelas Academias Brasileira de Letras e de Ciências de Lisboa.

Na ocasião, os mandatários de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe se reuniram na capital do representante europeu para colocar seus nomes no documento que unificaria, a partir de 1994, todos os dicionários. Para que o tão sonhado acordo entrasse em vigor no dia declarado, era preciso apenas que todos o ratificassem — o que não aconteceu. Depois de muitas idas e vindas, o "Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico" foi aprovado há exatos quatro anos. As atualizações foram significativas. Além da adesão do Timor Leste, passava a ser obrigatória apenas a confirmação de três países para tornar o texto legítimo, algo verificado em novembro de 2006.

Foi nesta data que o pequeno país São Tomé e Príncipe transformou o protocolo em tratado, já que Brasil e Cabo Verde haviam aceitado as novas determinações anteriormente. Ainda assim, era temerário colocar as mudanças em prática sem o consenso de Portugal, que estava em dúvida sobre sua posição. A indecisão parece ter se dissolvido no último dia 6 de março, quando o governo lusitano ratificou o acordo. Mas nada está definido. O parlamento ainda precisa aprovar a nova lei, fato que pode demorar longos meses.

Troca-troca

Ao largo das incertezas em relação a dificuldade de implantação do documento, as suas mudanças já estão definidas há muito tempo. O alfabeto brasileiro, por exemplo, passará a ter 26 letras com o acréscimo do K, Y e W, mas o vocabulário só será afetado em 0,45%. Pouco se comparado aos 1,6% da antiga metrópole. Embora as alterações sejam pequenas, o processo de aclimatação às novas normas não deverá ser simples. "O Brasil já não é mais um país de analfabetos. Fazer mudanças em países africanos é fácil, pois neles são poucas as pessoas alfabetizadas. No Brasil e em Portugal, o custo é grande para quase nada", assegura o editor de Por Trás das Letras.

A dificuldade pode diminuir com algumas dicas fundamentais. No Brasil, as paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, perdem o seu acento circunflexo. Isso significa que palavras como "enjoo" ou "voo" serão escritas assim, sem qualquer sinal extra. O mesmo acontece na terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes. Confuso? Na verdade, é bem simples: o circunflexo também cai em "creem", "deem" e companhia.

Outra alteração significativa, além do notório desaparecimento do trema, fica por conta do uso do hífen. No futuro, quando a segunda palavra começar com as letras "s" ou "r" e houver duplicação, é o fim do pequeno traço. Um exemplo é "antirreligioso" ou "antissemita". A separação entre dois elementos também some quando o prefixo terminar com uma vogal e o sufixo iniciar com outra, como em "extraescolar". A regra, é claro, tem suas exceções: caso a primeira palavra termine com "r", como "hiper", o hífen permanece. É o caso de "hiper-requintado".

Ainda em terras nacionais, o acento agudo vai sumir nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "heroica" e "assembleia". Já os nossos co-irmãos lusitanos deverão escrever "úmidos", ao invés de "humidos", e retirar todas as letras "c" e "p" em palavras nas quais não sejam pronunciadas. Ou seja: colocar no papel "adopção" ou "óptimo" estará absolutamente errado.

Daqui para frente

Em teoria, se tudo correr como o esperado pelos governos, as alterações começam a valer a partir de 1º de janeiro de 2012. "Haverá um prazo de três anos para adaptação às mudanças. Nesse período, as duas normas — a antiga e a nova — poderão ser usadas em vestibulares, concursos públicos e nos livros didáticos", explica Consolaro. O problema é que parece cedo para assegurar o cumprimento de todos os prazos.

João Guilherme Quental, professor de português e literatura da Escola Parque e um dos fundadores da Editora 34, é um dos que não acreditam no sucesso do acordo. Para ele, antes de se concentrar em datas, seria preciso começar a desenvolver o "vocabulário comum", o que ainda não está sendo feito. "A essa altura, acredito que ele acabe sendo unilateralmente posto em prática pelo Brasil, enquanto os demais países o adotarão segundo seus próprios interesses. Em Portugal, por exemplo, parece-me que a oposição é bem grande, o que o torna cada vez mais improvável".

Um dos principais argumentos de defesa do acordo é que o inglês torna-se, cada vez mais, um idioma universal e não tem dois registros internacionais. Seria, portanto, uma maneira de aumentar o número de cidadãos que dominam o português e de facilitar a vida de pessoas que viajam muito ao exterior e têm uma rotina cosmopolita. "A retirada de acentos, cedilha e til aproximaria ainda mais o Brasil da globalização. Essas coisas não existem em teclados de computadores estrangeiros", diz Consolaro. Além disso, as editoras poderão imprimir um maior número de exemplares de uma obra feito por um brasileiro, por exemplo, já que terá mercado em novos países. Esta alternativa poderá tornar os livros mais baratos.

As maiores interessadas no documento firmado há dezoito anos, em princípio, são mesmo as editoras. Afinal, serão elas as responsáveis por criar novos dicionários, livros e reimprimir os antigos na nova linguagem, o que gera boa margem de lucro. Como afirma João Guilherme Quental, entretanto, a economia do país não receberá maior impulso em virtude das mudanças, já que o número de leitores que necessitam de explicações unificadas para entender um texto escrito por um angolano é mínimo. "No momento,o acordo continua sendo levado adiante em grande parte por conta da inércia de nosso mundo acadêmico, da ganância de algumas editoras (que têm bastante a ganhar, obviamente) e do idealismo simplório de alguns lingüistas".

Como se vê, não será simples juntar os anseios e interesses de nações distintas e colocar em um livro para consulta. Mesmo assim, oficialmente, o novo consenso deve ser colocado em prática daqui a pouco mais de três anos — resta apenas saber por quem. Enquanto isso, ainda é tempo de aproveitar a norma atual para escrever "vôo" com acento e saber que não há qualquer erro de digitação.

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  1. Carlos Oliveira disse:

    Este NOVO ACORDO ORTOGÁFICO é um completo atentado à lingua Portuguesa. Não há benefícios aparentes entre tal acordo, que apenas modifica e mal trata a antiga lingua de CAMÕES.

    PS. se alguem não perceber, por favor mande um mail que eu traduzo para o novo português.

  2. Gabriel Ribas disse:

    Acho isso uma salada de "FRUITA", como dizem os gaúchos.
    "Êu só ácho quê tôda Palávra têm quê têr Acênto."

  3. Agostinho Vaz disse:

    Já tarda o acordo; só é pena que não tenha ido mais longe. Mas há outros problemas que nenhum acordo resolve: é urgente uma geral alfabetização de todos os países lusófonos e um grande investimento na educação superior, para não lermos disparates como aquele que está ali em cima: «o pequeno país caribenho São Tomé e Príncipe». São Tomé no Caribe?! Valha-nos Santa Quitéria.

  4. rosalba disse:

    Oi Felipe, gostei deste artigo. Estou criando uma área sobre língua portuguesa no meu site e gostaria de sua permissão para replicar o seu artigo em http://translation.tecselecta.com
    Obrigada
    Rosalba

  5. Celso Gruba disse:

    Sou totalmente a favor da globalização linguística, precisamos falar a mesma língua com todos. Se as editoras ganharem não há problema, elas são brasileiras, e as emissoras de TV também.

  6. Joaquim Alexandre disse:

    Anedota, sabujice, neoportugalidade saloia, bacoca e canina – assim classifico o acordo ortográfico. Esta idiotice chamada “acordo ortográfico” usa a falácia da (incontornável) evolução linguística para se autojustificar, escamoteando que os ajustamentos temporais entre a escrita e a fala devem fazer-se em função da idiossincrasia de um país e não da de outro país qualquer, por muito “irmão” (bem entre aspas) que diga ser.
    Ao assinar o acordo ortográfico – e eu que até votei em Sócrates e em Cavaco! – este governo e este presidente da república ficarão na História de Portugal como os diligentes e veneradores dos interesses geopolíticos brasileiros, a começar pelos seus empórios editoriais…
    Sócrates e Cavaco – em quem votei, repito! – deviam dar-se ao trabalho de conhecer o Brasil real, o Brasil exterior aos grandes hotéis e palácios, não tanto o Brasil do sertão profundo mas, antes, o Brasil médio que nos aparece todos os dias aqui, à nossa porta, em restaurantes, cafés, esplanadas… Se se dessem a tal cuidado verificariam que rigor linguístico é coisa que ali não se conhece e, pior ainda, todos os erros, todas as grosserias morfológicas, sintácticas, fonéticas e ortográficas são permitidas. Leiam o jornal de maior expansão (segundo alguns) da América do Sul, “a Folha”, que abrevia o nome do diário “Folha de São Paulo”. É um jornal que leio com todo o respeito e admiração pela elevadíssima qualidade dos seus fazedores mas que usa – e, tudo bem, porque se trata da autonomia linguística do Brasil – “abrasileiramentos” como “leiaute” em vez de “layout” e “picape” em vez de “pick-up”…
    Extremamente práticos, os brasileiros incorporam na sua língua, com inegável rapidez, tudo o que é “amercanóide”, todo o lixo lexical profusamente difundido pela internet, como se a massificação das Tecnologias de Informação fosse sinónimo de evolução temporal amadurecida! É isto – este lixo ortográfico, este rol de asneiras que o acordo ortográfico pretende atirar à cara dos portugueses.
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: os vossos chefes de gabinete já vos informaram que 80 % (repito: oitenta por cento) dos portugueses está contra o “acordo”, em todas as sondagens efectuadas?
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: já acordaram para o facto de que “apenas um por cento” de vocábulos alterados significa, de facto, um impacto modificativo de 70% (setenta por cento) da nossa escrita de todos os dias, pelo facto de tais vocábulos (o tal “apenas um por cento”) ter uma frequência de utilização elevadíssima?
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: não temam pelo desaparecimento da língua portuguesa nos fóruns internacionais. Sem acordos ortográficos, o francês, o castelhano e o inglês europeus mantêm a sua pujança e actualidade. Talvez um dia falemos todos inglês mas, nos dias que correm, O PORTUGUÊS SÓ DEVE SER MODIFICADO EM PROL DA EVOLUÇÃO DO FALAR PORTUGUÊS e não do falar brasileiro.
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: deixem a língua portuguesa de PORTUGAL evoluir em função da evolução de PORTUGAL.
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: ao assinarem o acordo ortográfico não estarão apenas a cometer um erro histórico injurioso para o nosso património histórico e cultural como, piro ainda, a ser os coveiros do “português” que, assim, recua para dar lugar a um mais legitimado “brasileiro”. Eu sei que os senhores pensam pela inversa – mas é apenas uma questão de tempo!
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: já pensaram que PODEM PERDER O VOSSO PROJECTO DE REELEIÇÃO se UM QUALQUER PARTIDO POLÍTICO vier a terreiro, depois de consumada a asneira a que se propõem, MAIS OU MENOS POPULISTICAMENTE, dizer que ANULARÁ O ACORDO se o país lhe der O PODER DE GOVERNAR?
    Engenheiro Sócrates, Professor Cavaco: não sou velho do Restelo nem conservador. Bem pelo contrário: respeito o meu país e os meus compatriotas!

  7. Paulo disse:

    Existem muitas razões a favor do acordo, mas eu direi duas:
    1)Actualmente a Língua Portuguesa è a única no mundo que tem duas grafias oficiais: Português europeu, e Português brasileiro,(no inglês existe uma só Língua, embora com variantes diferentes conforme os países)e tanto é assim que se os brasileiros quiserem podem chamar à sua Língua “Brasileiro” porque os Portugueses consideram erro ortográfico a grafia “ótimo” e os Brasileiros consideram erro ortográfico o “óptimo”. Com isto os livros publicados por portugueses em Portugal se forem ao Brasil serão traduzidos para…Brasileiro e vice-versa. Ora se falássemos a mesma Língua nao haveria traduções. Os livros publicados por ingleses nao são alterados ou adulterados nos EUA…nem as vírgulas!!!! Porquê? Porque todos falam e escrevem inglês, apesar das diferenças. Assim com este acordo, Portugal e Brasil ficam finalmente numa posição semelhante a americanos e ingleses!!! O que dará força ao português no mundo.
    2)A Língua Portuguesa é a terceira mais falado do Ocidente, cerca de 220 milhoes de falantes, contudo sem Acordo as diferenças entre os falantes serão cada vez maiores e provavelmente dentro de 30 anos ou menos haverá uma fractura. Resultado: Os brasileiros ficarão isolados do mundo com o seu brasileiro ou…portuhol, e Portugal será uma espécie de Hungria…ou Galiza, ou seja os nossos descendentes só poderão trocar impressões na net através do inglês, ora os nossos netos e bisnetos têm o direito de falar a sua Língua materna com o maior número possivel de pessoas de forma “natural”, o mesmo se pode dizer de brasileiros ou angolanos. Imaginem dentro de 200 anos um português trocar impressoes com um brasileiro em inglês ou…espanhol!!! É isso que queremos? Aconselho a todos uma maior abertura de espírito.

  8. Paulo disse:

    Comprendo o nervosismo de Joaquim Andrade. Em que se baseia para dizer que 80% dos Portugueses são contra o acordo? Eu como portugûes, só conheço uma apresentada na TVI à cerca de 3 meses, que dava quase 60% dos portugueses a favor do acordo. "Pick up"!!!!! Isso é portugues ou ingles? hummm

  9. viviane disse:

    muito legal

  10. gilmar disse:

    Cada um deve escrever e falar da maneira que bem entender.
    Há coisas no Brasil muito mais importantes que a lingua, como por exemplo a miséria.

  11. Antonio Cezar disse:

    Bom dia,

    Quando vejo uma pessoa como este tal de Gilmar, Dizer que a Língua Portuguesa não é importante e que se deve escrever de qualquer jeito, só pode ser a opinião de um ignorante, tentando esconder a sua ignorância.

  12. EDVALDOTAVARES disse:

    PORTUGAL LEGOU AO BRASIL A UNIDADE TERRITORIAL E O BRASIL RETRIBUI COM A UNIFICAÇÃO LINGÜÍSTICA. É aceitável a preocupação de grande parcela do povo português quanto a preservação de regras ortográficas protetoras do idioma pátrio. A linguagem humana, neste caso, para os defensores do jeito dos portugueses se expressarem, é vista carregando a fonética, morfologia, sintaxe, semântica, o social e a psicologia da população lusitana. Não deve ser fácil abdicar de tradições idiomáticas, ainda mais para um país colonizador que no século XVI, em pleno domínio dos oceanos, descobriu e manteve um gigante, salvaguardado dos assédios das demais potências marítimas, sob a sua tutela, nos mares distantes do hemisfério sul. Diante da realidade do século atual, XXI, Portugal tem que entender que a preservação do seu idioma depende da unificação das regras lingüísticas dos oito países que o detém e, Portugal não poderia ficar de fora. Na verdade, o Brasil é o herdeiro e guardião da língua, legado estabelecido pelo Marquês de Pombal nos meados do século XVIII quando a língua indígena tupi imperava no Brasil. Diante dos insofismáveis fatos – Portugal, 10 milhões e 609 mil habitantes; Brasil, à beira de 190 milhões de habitantes -, os sábios mandatários amparados nos aconselhamentos dos homens de notório saber, portugueses, guiados por visão de futuro que sempre norteia os tomadores de importantes decisões, escolheram a melhor. BRASIL ACIMA DE TUDO. EDVALDOTAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

  13. Andre Tessaro Pelinser disse:

    Algumas pessoas parecem querer levar para o lado pessoal as mudanças lingüísticas, como se o Brasil estivesse impondo suas vontades a Portugal e aos outros.

    Gostaria, humildemente, de lembrar que as mudanças são para todos. Assim como sairiam "pês" e "cês" sem pronúncia em terras Lusitanas, sairiam diversos acentos de maciça circulação no Brasil. Deduzo (sim, deduzo, por falta de conhecimento maior) que o mesmo ocorre com os outros países lusófonos.

    Também é sim inegável a evolução natural das línguas, como coloca nosso amigo Joaquim Alexandre, sendo que isso não significa que mudem para melhor ou pior. Apenas mudam.

    Entretanto, parece-me necessário concordar com o Paulo, que também é Português e não é melhor ou pior que eu (para deixar claro que não é pessoal), em relação ao fato de que corremos o risco de em 200 anos ou, talvez, mais, não podermos nos comunicarmos em português, pois possivelmente estejamos falando brasileiro, português, angolano, etc, etc.

    Dessa forma, essa discussão aqui travada, entre pessoas de várias nações não seria possível. Ou talvez fosse em inglês, porque nosso orgulho pseudo-idealista teria impossibilitado nossa unidade.

    Também devo mencionar a incorporação dos termos citados e concordar novamente com Paulo: "pick-up" é Português ou Inglês? Porque alguém deve continuar escrevendo-a em outro idioma? É proibido adequá-la ao uso corrente? Portugal não pode fazer o mesmo? E Angola? E Timor?

    Parece-me fútil a exemplificação em relação à "Folha", visto que não há erro nenhum na adaptação dessas palavras.

    Enfim, como diriam Engenheiros do Hawaii, "mudanças sempre exisitiram, sempre existirão". Resta-nos decidir se as deixaremos ocorrer por conta própria ou se tentaremos direcioná-las, dentro do possível.

  14. Ricardo disse:

    Já passou da hora, mas, no Brasil como tudo demora acontecer para facilitar a vida dos Brasileiros. Que venha a revolução da ortografia

  15. Luiz Antonio Franco disse:

    Se não fosse o PORTUGUES falado no Brasil, como estaria o mesmo nos dias de hoje, já que praticamente 85% é falado por nós brasileiros? Que Portugal responda….

  16. Andréia disse:

    E às favas com a diversidade cultural, não é mesmo?
    Interesses e mais interesses permeiam as discussões a respeito de algo tão vivo, e tão dinâmico, no entanto, a completa falta de domínio pelos próprios brasileiros é o que se deve combater; antes de uma mudança para que se venda livros, seja feita uma mudança para que haja o fim do analfabetismo; antes que os livros daqui sejam vendidos, que as pessoas DAQUI os leiam…
    Antes de pensar lá, e nas pessoas "cosmopolitas", pensemos nas que não conseguem sair do "Bê Á Bá".

  17. Helena Ferreira disse:

    Quer queiramos admiti-lo ou não, a realidade em que se funda a fala e até mesmo alguns aspectos da língua falada no Brasil é
    diversa de Portugal e assim permanecerá. Não cabe aos linguístas coagir os falantes de países inteiros a falar como eles entendem movidos por intenções e argumentos que não conseguem convencer aqueles que sabem o que estão a dizer quando se fala de LÍNGUA. Nem tão pouco lhes assiste qualquer legitimidade para alterar pelos métodos propostos o que é a mais digna e legítima expressão de séculos de cultura. Se não se revêem nela ,isso deve-se ao mau uso que dela fazem. Para mim," a minha Pátria é a Língua Portuguesa"e nela me revejo

  18. Joel Reis disse:

    Olá eu sou editor da Wikipédia e sou frontalemente contra o Acordo. Escrevo aqui a minha opinião que deixei naquele portal:

    Chegou a hora de actualizar esta secção. Como toda a gente sabe, parece que o Estado português conseguiu aprovar o maldito e horrendo Acordo Ortográfico. Muitas pessoas perguntaram-me porque estava contra e houve uma ou duas que me acusassem de nacionalismo exagerado. Eu respondo-lhes dessa maneira: “”Apesar de ter uma visão europeia e liberal, quando se trata do património de um Estado, é necessário a sua defesa e a sua projecção. Eu sei que o Português não é só nosso mas também sei que sou utilizador dessa mesma língua e é meu dever defender a variedade lusa presente na língua que identifica Portugal no mundo.”"

    Passados alguns meses, pude aprofundar mais os meus conhecimentos em torno desta matéria. E o que posso concluir é que existem “”"muito”"” mais pessoas contra do que a favor. Como é que sei? Simples: ao investigar as entradas na Internet, ao ler as mais variadas crónicas de linguistas e deputados e ao ler a grande quantidade de opiniões, pode-se concluir que os portugueses não querem o Acordo. Tal como diz o tradutor João Roque Dias, “”clamamos nós em escrever “ação” ao invés de “acção”?”".

    Mas pensemos o seguinte. Os senhores que se dizem a favor das alterações não possuem “”"nenhuma”"” razão científica e linguística para essas mesmas alterações. Eu notei e noto, ao ouvir e ao ler as crónicas dos “prós”, um discurso mais político e sencionalista do que propriamente real e científico (“”Ai não sei quê países irmãos”", “”Ai e tal a projecção”"). No programa “”Prós e Contras”" da RTP, uma senhora de origem africana disse que “”o Acordo ajudará na alfabetização dos povos pois a escrita tornar-se-á mais simples”". Isto é uma simples “”"estupidez”"” e mostra que, afinal de contas, o acordo é para facilitismos. Eu nasci na Suíça e convivi com a ortografia francesa que é muitíssimo mais etimológica. Escrevem “”mysthère”", “”pharmacie”", “”aujourd”hui”", etc. e nenhuma ex-colónia francesa nem o Canadá entrou em guerra com a França acerca disso, ou seja, toda a gente aprende aquela ortografia arcaica (e aí, sim! É mesmo arcaica!). Mas, no Português não! Temos que facilitar para os pobres meninos porque não sabem escrever em condições. Pois bem, façam o favor de investir melhor da educação e na escrita e não invetam estas pasmaceiras. Porquê? Porque quando estava a ter aulas na escola portuguesa na Suíça, tive que copiar muitos textos e redigir ditados para escrever bem e correctamente. Cada erro era uma grande chamada de atenção. Por isso, não me venham com esta desculpa descarada.

    Mas continuemos e vejamos a grande falcidade. Diz o acordo que o principal objectivo é “”unificar a ortografia e projeccioná-la no âmbito mundial”". Essa é de rir! De rir! Desde quando é que uma língua se diz ter uma única ortografia aceita “”"duplas”"” ou até “”"triplas”"” grafias? Não conheço outras línguas que tenham tal barbaridade! Chamam eles a isso “”unificar”"? Pois eu chamo a isso “”"enganar”"” tantos os portugueses como todos os outros povos porque na realidade isto é dizer “”"o dito por não dito”"”, “”"mentir”"” e arranjar argumentos falaciosos.

    Porém, dizem aqueles senhores que se trata de uma estratégia para o Português. João Roque Dias afirma: “”É estratégico, sim. Mas para o Brasil”". Que fique bem saliente que eu “”"nada tenho”"” contra o Brasil mas aqui, neste assunto é “”amigos, amigos; negócios à parte”". Quem fica a ganhar? Portugal? Não acredito porque mesmo sendo o Português Europeu uma língua oficial da UE, não noto que tivéssesmos ganho alguma coisa. Os PALOPS e Timor? Coitados, têm mais que fazer! Então, resta o Brasil. E a resposta é clara: quem ganha é o Brasil. Este acordo que vai instruir uma “”ortografia única”" vai permitir ao Brasil meio caminho andado para a propagação da sua indústria editorial no mundo e o seu ambicioso lugar no Conselho de Segurança da ONU. E isto à custa de todos os outros países, mas sobretudo, Portugal. Este acordo é a sentença de morte do controlo que o país tem sobre a língua. Quando entrar em vigor, Portugal já não terá a sua particularidade e a sua variedade presente na língua dando assim ao Brasil total acção sobre a língua. Não nos esqueçamos que “”o Acordo seria inviável se Portugal não aderisse”". Ao ler essa frase ainda pensei que pudéssemos ter controlo mas com os nossos governantes, estou completamente enganado e desiludido.

    Agora, vejamos o campo linguístico. Diz o acordo que são abolidas as consoantes “”c”" e “”p”" em palavras onde essas letras são “”irremediavelmente”" (mentira!) mudas. Ora, sejamos francos e honestos, pode-se traduzir da seguinte maneira: “”agora, os portugueses vão escrever segundo a ortografia brasileira. Ponto final. Parágrafo.”" Estão a querer impor uma ortografia que não é nada compatível com a fonética do Português Europeu. Tal como diz a filóloga [[Maria Alzira Seixo]], este acordo vai acabar com a função essencial destas consoantes que é abrir a vogal precedente. Como todos sabemos, o português europeu tende para a consonantização e o “”c”" e o “”p”" são essenciais como em “”electricidade”" e “”electromagnestismo”". Eu não digo “”ele•tromagnetismo”" porque o “”c”" é semi-articulado. Eu não digo “”adução”" para a palavra “”adopção”" mas sim “”a – dó – ção”". Escrever “”adoção”" é escrever na mesma lógica que “”adoçante”". Que semelhança! Vejam quão estúpida é esta regra. Outro facto é “”Egipto”". Poucos são aqueles que pronunciam o “”p”". Mas ao dizer “”egípcio”", eu digo o “”p”". Então porque raio hà-de se tirar o “”p”" em “”Egipto”"? Só porque não é pronunciado? Isto é uma regra “”"estúpida”"”!

    Tenham calma porque ainda existe mais estupidez para se constatar. Diz o incrível Acordo que são retiradas os acentos diferenciais como em “”pára”", “”pêlo”" e “”jóia”". Em “”pára”" passa a “”para”". Hmm, imaginem então esta frase: “”Para para olhar, escutar e ouvir.”" Não ficaria melhor o acento? Claro que depois, o contexto entraria mas nos primeiros segundos é notória a falta de qualquer coisa. Para “”jóia”", esta regra do Acordo vai entrar em conflito com a seguinte regra gramatical: “”o + i = oi”" e diz-se “”oi”" como em “”foi”". Quando os miúdos irão aprender que “”o+i é oi”" não tardarão a entrar em confusão ao lerem “”joia”" ou até “”Troia”". Mas que Cavalo de Tróia!. Por fim, e com os pêlos bem eriçados, iremos deparar-nos com esta situação: “”Pelos pelos passam inúmero substâncias.”" Enfim, sem comentários. Ainda para acabar com este parágrafo, também são retirados os acentos em “”vêem”" e “”lêem”". Conclusão, os defensores dizem que serão simplificadas as regras na acentuação. Eu digo é que uma “”"facilitação”"”. Por favor não no mentem tão descaradamente! Nota-se logo que a razão é o facilitismo e, coincidência ou não, no Brasil, os jovens praticamente deixaram de utilizar a acentuação e além do mais, a versão brasileira do Português tem tantos acentos que estas regras vêm como uma lofada de ar fresco. Lá serão eliminados os acentos em palavras como “”idéia”", “”platéia”", “”abençôo”" e “”enjôo”". Enfim, as razões estão bem à vista: responder aos interesses do Brasil de modo a facilitar e a remediar uma regra (a regra da acentuação, claro) que praticamente já não é usada pelos jovens. E mesmo a diérese (trema) é eliminada em palavras como “”tranqüilo”" que já não é usada no jornal “”Folha de São Paulo”". Neste parágrafo o que há é uma “”"injustiça”"”.

    Deixando o campo da acentuação, vejamos o seguinte: o Acordo propõe a eleminação do hífen em palavras como essas: "contra-regra" e "extra-escolar". Razões linguísticas e científicas para essas alterações?: “”"zero”"”. Retira-se o hífen em casos como “”hão-de e há-de”". Mais uma vez, razões linguísticas: zero. Coincidência ou não, mais uma vez, no Brasil, as últimas duas palavras não levem hifen. O que eu quero dizer é que essas regras que inventaram sobre o hífen é apenas uma fachada ou, se quiserem, uma atenuante porque aquilo que o Acordo realmente quer é abolir o “”c”" e o “”p”" do português de cá.

    Como se pode ver, os meus argumentos são linguísticos e científicos. Não me baseio em sencionalismos e em mentiras. Se querem o Portguês bem projectado, então invistam no idioma, numa melhor educação tanto aqui como nos outros países. Como é que uma língua dita internacional pode ter uma “”norma única”" se aceita “”"duplas”"” ou “”triplas”"” grafias? A língua vai cair no ridículo pois será a única que permite essas parvoíces! De todas as maneiras, sobre a votação no parlmento, devo dizer que faltou ouvir as pessoas certas como escritores, filólogos ou linguístas. De todos os deputados que votaram a favor, será que a maioria leu o texto? Duvido porque os deputados são para a política e não para a linguística. Não é um decreto-lei que me vai obrigar a escrever segundo uma norma que eu não aceito. Mas ficarei desiludido quando o nosso património desaparecer da língua só por causa de caprichos geo-políticos (Maldita hora em que apareceu a CPLP!). A língua é do povo! Clamamos nós em escrever "Ação" ao invés de "acção"? Não! Então para quê aquela treta? Um acordo cheio de erros, de ambiguidades, de parvoíces e de estupidez! Malaca Casteleiro, devias ter vergonha de ser Português! Agora faço esta pergunta: Algum daqueles políticos e “”acordistas”" perguntaram à parte mais importante que é o povo? Envergonhai-vos vós destas patetices!

    Além do mais, que quiser assinar a petição contra o acordo que já vai em mais de 80 mil assinaturas pode fazer aqui: http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/

  19. William disse:

    Sou universitário, curso, atualmente, Letras.

    Sou totalmente contra esta reforma, creio que cada país tem sua cultura, sua etimologia e sua escrita. Se o inglês é único, é porque desde o início, provavelmente, foi dado assim; agora não adianta, depois de tanto tempo, vir mudar nossa ortografia, que não tem só o português, mas varia do tupi e possui poucas palavras de outras origens, fato este que não acontece, por exemplo, em Portugal, sem descendência do Tupi. Por isso, acho que o melhor é deixar como era, todos temos consciência de que praticamente ninguém quer entrar numa escola de idiomas para aprender o português.

    Viva a língua como ela é!

  20. Vilma disse:

    Eu também sou contra a essas mudanças. Dá a imprensão que o Brasil não sabe andar com as suas próprias pernas.

  21. Maria da Conceição disse:

    Tem coisas mais importantes para mudar no nosso país, mas já que estamos falando em mudanças, então devemos começar pela base, que é alfabetizar nossas crianças, elas chegam ao ensino médio sem saber ler e escrever corretamente. Vamos nos preocupar primeiramente com esse absurdo. Quando o ensino era tradicional crianças no primário sabiam escrever,ler e interpretar corretamente, hoje com tantas mudanças e outras concepções chegamos a essa triste realidade. Concordo plenamente com as oportunidades "toda criança na escola", mas não façamos(políticos) disso uma escada para subir ao poder, olhem para o essencial que é a EDUCAÇÃO

  22. vania amorim disse:

    eu tb sou contra a essas mundanças.já é um pouco dificil entender o portugues, porq tem muitas palavras,se escreve com acento outra sem acento,separado com acento ex:porque ,porquê, por que,por quê. isto é dificil imagine agora com essas mundanças,nimquém passa no vertigular.

  23. Jurandir Figueira disse:

    Concordo em pelo menos 95% com oscomentários de Joel Reis…Não havia nem há necessidade de alterações externas nas linguas de nossos povos, portugueses ou brasileiros. O fato de termos uma raiz comum não nos obriga a acordos. E se nas escolas já há dificuldade de se ensinar o "brasileiro" imaginemos quando entrar em vigor o novo acordo. Na verdade é um acordo preparado que não beneficia nem um nem outro país. Deveriamos ter deixado fluir as diferenças que marcam as nacionalidades.

  24. Martta Santos disse:

    Eu, como professora de Língua Portuguesa, não concordo com as mudanças. Deveria ficar tudo como está! Pra que essa reforma agora na nossa Língua Portuguesa? Não tem cabimento!! Isso só servirá para confundir as pessoas que já são alfabetizadas! Sinceramente, essa mudança não é necessária na minha opinião.

  25. fabiana disse:

    Acho que até demorou de mais pra acontecer essa mudança, sempre tive muitas dificuldades na escrita e achava certos acentos uma besteira.Gostei muito e minhas filhas tambem

  26. Arménia disse:

    Temos vindo a assistir ao longo dos anos, um Portugal que se submete a tudo, temos perdido a nossa identidade, ainda se lembram do suposto acordo iberico? sim, primeiro levam bandeira e depois claro a lingua. Ja agora tambem o hino,dado que ate certos jogadores nem o sabem. Sim, fomos Gloriosos no passado, mas por agora nao o sermos quer dizer que devemos virar as costas a nossa historia. Porque e isso que iria acontecer! Os nossos antepassados ficarão orgulhosos,D.afonso Henriques foi tudo em vão(dado que perdemos uma parte de sermos portugueses) e Camoes o teu tão glorificado Livro, pelos vistos o povo portugues já nao é assim. Bem, não sei que mais dizer, porque nunca pensei que levassem isto avante. Espero que consigamos fazer algo para rejeitar este "acordo".

  27. Renata disse:

    Eu não concordo com a banalização que estão fazendo com nossa língua.
    A mudança que está proposta é totalmente descabida, e para quem tem dificuldade com a língua não são essas novas regras que vão educá-los; onde vamos parar?
    O governo deveria tomar vergonha na cara e ao invés de roubar recursos deveria investir cada vez mais na educação.
    Ao invés de mudar as regras da nossa língua deveríamos mudar de presidente!!!

  28. Rute disse:

    EU NAO CONCORDO COM ESSE NOVO ACORDO PORQUE TALVEZ PARA QUEM O ASSINOU PODE SER VANTAJOSO,MAS E PARA AQUELES QUE ESTAO APRENDENDO O USO DE TREMAS,ACENTOS ETC? AO INVES DE ESTAREM SE PREOCUPANDO EM MUDAR A NOSSA LINGUA DEVERIAM ESTAR SE PREOCUPANDO EM DESENVOLVERRM ACORDOS PARA ACABAR COM A VIOLENCIA,EXCLUSAO SOCIAL ETC

  29. Maria de Fátima Lima disse:

    Com essa mudança da nossa língua nos mostra que nosso Brasil cada vez mais está em desenvolvimento, é mais uma conquista que todos brasileiro deveriam festejar. Valeu Presidente!