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Papa Francisco

São Francisco, o santo que inspirou o novo papa

Com exceção da Virgem Maria, São Francisco, cujo nome foi escolhido pelo novo papa, é o mais conhecido e honrado dos santos católicos

São Francisco, o santo que inspirou o novo papa
São Francisco é o santo padroeiro da Itália (Reprodução)

Francesco di Bernardone, mais conhecido hoje como São Francisco de Assis (1181/2-1226), era magro e de aparência simples. Usava uma túnica imunda, um pedaço de corda amarrado na cintura e caminhava sem sapatos. Enquanto pregava, muitas vezes dançava, chorava, fazia sons de animais, tirava a roupa e tocava a cítara. Seus olhos negros brilhavam. Muitas pessoas o viam como um louco ou um homem perigoso e jogavam terra nele. As mulheres se trancavam em suas casas.

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São Francisco aceitava tudo isso com serenidade, e as qualidades que no início tachavam-no de excêntrico, eventualmente foram interpretadas como um sinal da sua santidade. Suas palavras, disse um escritor, “acalmavam, queimavam, penetravam”. Ele tinha uma maneira de “transformar todo o seu corpo em língua.” Quando chegava a uma cidade, os sinos das igrejas soavam. Pessoas roubavam a água em que ele havia lavado os pés porque acreditavam que ela curava animais doentes.

Anos antes de morrer Francisco foi beatificado, e nos últimos oito séculos ele não perdeu nada de seu prestígio. Com exceção da Virgem Maria, ele é o mais conhecido e honrado dos santos católicos. Em 1986, quando o Papa João Paulo II organizou uma conferência de líderes religiosos para promover a paz mundial, ele escolheu sediá-la em Assis. Francisco é especialmente amado por partidários de causas esquerdistas: o movimento dos direitos dos animais, feminismo, ecologia, vegetarianismo (embora ele não tenha sido vegetariano). Mas não é preciso estar à esquerda para simpatizar com Francisco. Ele é o santo padroeiro (junto com Catherine e Bernardino de Siena) de toda a nação italiana.

Jorge Mario Bergoglio, o novo papa, optou pelo nome Francisco, que convém a um homem humilde, que leva a sério seu voto de pobreza. Mas ainda não está claro se a sua humildade e modéstia influenciarão o Vaticano, ou se ele terá coragem suficiente para enfrentar a disfunção organizacional e a corrupção que assolaram o papado de Bento XVI. O Cardeal Bergoglio nunca se dedicou a entender a burocracia da Igreja, a Cúria, e depois de ter ficado em segundo lugar na votação que elegeu Bento em 2005, ele expressou alívio por não ter que enfrentar a perspectiva do papado.

“Na Cúria eu iria morrer”, disse ele pouco depois da eleição de Bento XVI, em entrevista aos meios de comunicação italianos. “Minha vida está em Buenos Aires. Sem as pessoas da minha diocese, sem os seus problemas, eu sentiria que algo está faltando a cada dia”.

 

Fontes:
The New Yorker - Rich man, poor man

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1 Opinião

  1. Madson Cabral disse:

    Que Deus tenha misericórdia. É muita cegueira espiritual junta.

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