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FALTA DE CHUVAS

Seca ameaça futuro de fazendeiros australianos

Os longos períodos de seca em Nova Gales do Sul e em Queensland ameaçam o futuro dos fazendeiros locais

Seca ameaça futuro de fazendeiros australianos
A seca prolongada nos estados da região leste da Austrália está esgotando as reservas de dinheiro e de paciência dos fazendeiros locais (Fonte: Reprodução/Pixabay)

Doug e Rachelle Cameron chegaram em sua fazenda a cerca de 40 km de distância da cidade de Augathella, com a caminhonete carregada de ração para alimentar o gado. Era um dia típico do período de seca na Austrália, com a paisagem imóvel e silenciosa.

Os filhos, Stirling, 11, Ella, 8 e Grace, 6, saíram do carro e chutaram o chão empoeirado, enquanto o gado se movia ao redor dos bebedouros. Muffy, o bezerro cinzento, os examinava com atenção. Um passarinho havia feito um ninho na viga de um moinho de vento abandonado.

A fazenda de 34 mil acres, Nive Downs, localizada a 750 km de distância de Brisbane, em  Queensland, sofria os efeitos de cinco anos de seca na região. Para os Cameron, a seca começara após as inundações de 2012. Como a maioria dos fazendeiros, eles reduziram o rebanho por causa dos pastos secos e para diminuir as despesas com a compra de ração.

O casal se conheceu na faculdade de agronomia. Rachelle cresceu em uma fazenda de gado no litoral da Austrália, com uma vegetação exuberante, rios e montanhas, um forte contraste com a região plana e seca em torno de Augathella.

Em agosto, o problema da seca dominou o noticiário da mídia australiana depois do anúncio oficial da estiagem prolongada em Nova Gales do Sul. Há sete anos, pouco chove no estado de Queensland. Diversas instituições beneficentes têm ajudado os fazendeiros com dinheiro e ração para os animais. Os comerciantes ajudam a consertar galpões e mulheres tricotam casaquinhos para cordeiros órfãos.

As discussões sobre a seca no país e a mudança climática só foram interrompidas pela notícia da renúncia do primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, causada por pressão de membros de sua legenda, o Partido Liberal.

A seca prolongada nos estados da região leste da Austrália está esgotando as reservas de dinheiro e de paciência dos fazendeiros locais.

O casal Cameron diminuiu o rebanho do gado charolês de 1.300 cabeças para 900 e prepara-se para mais um verão sem chuvas. Doug e Rachelle também decidiram diversificar suas atividades com a produção de carne seca. Doug teve essa ideia na época em que o preço do gado caiu devido a uma proibição temporária de exportação, em 2011.

A última grande seca se estendeu do final da década de 1990 até 2010. Durante a Seca do Milênio, como foi chamada, o sul da Austrália sofreu com períodos longos sem chuvas, enquanto no norte choveu acima da média.

Na última semana de agosto, a primeira mulher eleita presidente da Federação Nacional de Agricultores, Fiona Simson, declarou que a mudança climática era responsável por períodos cada vez mais longos de seca. Poucos dias antes, seu antecessor, Brent Finlay, criticara os políticos que “saltavam em frente às câmeras dos jornalistas” para discutir o problema da seca, porém eram incapazes de apresentar uma proposta eficaz de combate à falta de chuvas e à mudança climática.

Louise e Andrew Martin têm uma fazenda de criação de ovelhas em Tambo, a uma hora de distância de carro da fazenda dos Cameron. Em vez de discutir a mudança climática e seus efeitos, Andrew preocupa-se mais em se preparar para condições climáticas adversas. “A melhor maneira de enfrentar a seca é aceitá-la como um fato inevitável”, disse.

Apesar da redução de seu rebanho de ovelhas por causa da seca, Andrew discorda da concessão de subsídios para o setor agrícola. Andrew, que também é prefeito da região de Blackhall-Tambo, acha que os subsídios deveriam ser usados pelos conselhos municipais para gerar empregos e modernizar a infraestrutura local.

Assim como os Cameron, o casal Martin diversificou suas atividades com a criação de jumentos usados ​​por criadores de ovelhas para afugentar cães selvagens.

Há cinco anos, no começo da seca, Andrew e seus vizinhos construíram uma cerca ao redor de suas propriedades para impedir a entrada dos cães. Esse trabalho em conjunto aprofundou as relações sociais entre eles.

“As pessoas se reúnem todos os meses para conversar, beber cerveja e jantar no restaurante local. Essa convivência nos ajuda a enfrentar as dificuldades”, disse Louise.

Fontes:
The Guardian - The land falls silent: Australian farmers battle life without rain

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