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PESQUISAS

Semelhanças na navegação de falcões e mísseis militares

Entender como falcões interceptam suas presas pode ajudar os engenheiros militares a projetarem mísseis mais precisos

Semelhanças na navegação de falcões e mísseis militares
Em suas caças, os falcões percorrem trajetórias semelhantes a de mísseis sofisticados (Foto: Wikimedia)

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A falcoaria, antes um esporte aristocrático praticado nas cortes europeias, hoje se restringe a grupos pequenos, que ainda exercem a arte de treinar falcões para caçar. Mas nos últimos anos surgiu no sul do País de Gales uma nova versão desse antigo esporte. Desde 2012, em um projeto patrocinado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), os zoólogos Caroline Brighton e Graham Taylor da Universidade de Oxford têm treinado falcões-peregrinos e falcões Harris nas Black Mountains de Monmouthshire, com o objetivo de estudar como essas aves caçam suas presas.

Caroline Brighton pretende obter o título de doutor com essa pesquisa. Por sua vez, o projeto da USAF tem a finalidade de observar como essas aves interceptam seus alvos, tanto no ar (a especialidade dos falcões-peregrinos) quanto na terra (a especialidade dos falcões Harris).

Brighton e Taylor recorreram à tecnologia da filmagem de documentários sobre natureza e vida animal para realizar a pesquisa. Eles prenderam câmeras em miniatura e rastreadores via satélite nos animais. Em seguida, os submeteram a uma série de testes, como atacar um faisão morto no chão, caçar um filhote de ave morto que era arrastado no chão e através de túneis por um guincho e um cabo, e de pegar um filhote morto jogado no chão por um aeromodelo controlado com um sistema de transmissão de adiofrequência. As imagens captadas nos testes foram armazenadas em um computador e um software descreveu a trajetória dos falcões para interceptar suas presas.

A descoberta inicial mostrou que em vez de caçarem como uma pesquisa anterior havia sugerido, segurando a presa em um ângulo constante, enquanto se moviam para interceptá-la, os falcões seguiam a regra da navegação proporcional usada por muitos sistemas de controle de mísseis. Ao contrário do ângulo constante, essa trajetória complexa exige um cálculo contínuo da velocidade e da orientação do voo.

Porém o que mais intrigou os pesquisadores foi a reação de um falcão-peregrino diante de um faisão ou de um pato vivo em um dos testes. No mesmo instante, o falcão perdeu o interesse pelo animal que estava sendo usado como isca e caçou a nova presa com uma técnica de rastreamento denominada orientação ideal, que é usada apenas nos mísseis mais modernos. A orientação ideal utiliza a teoria do controle ótimo, um campo da matemática usado em operações como controle de estoque para processos de fabricação.

A pesquisa realizada pelos zoólogos da Universidade de Oxford criou a expectativa entre os especialistas da USAF de que as aves de rapina possam ter outras técnicas para mostrar, talvez algumas que os engenheiros que projetam mísseis não tenham ainda inventado.

Fontes:
The Economist-Hawker hunters

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