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'SHUTDOWN'

Senado dos EUA tenta pôr fim à paralisação no governo

Impasse em torno do Orçamento de 2018 leva à paralisação parcial da máquina pública, que pode ter um custo de US$ 6,5 bilhões por semana

Senado dos EUA tenta pôr fim à paralisação no governo
Senadores devem votar na tarde desta segunda-feira, 22, um novo projeto de financiamento (Foto: Flickr)

O Congresso americano iniciou a semana em seu segundo dia de paralisação parcial da máquina pública por conta do impasse em torno da aprovação do Orçamento de 2018.

Em votação na última sexta-feira, 19, o Senado dos EUA rejeitou uma proposta do governo de Donald Trump, que previa a extensão provisória do Orçamento até 16 de fevereiro. Com a decisão do Senado,  entrou em vigor o processo conhecido como “shutdown” – quando todos os serviços públicos considerados “não essenciais” deixam de funcionar até segunda ordem. Serviços essenciais, como a Casa Branca, o Banco Central, o Congresso, a polícia e outras agências de segurança seguem funcionando normalmente.

A medida deixou cerca de 850 mil funcionários públicos federais paralisados nesta segunda-feira, 22. Muitos deles não sabiam se deveriam ficar em casa ou se apresentar ao local de trabalho. O Senado corre contra o tempo para fazer com que os serviços voltem a funcionar o mais rápido possível.

Segundo o líder do Senado, Mitch McConnel, do Kentucky, os parlamentares devem votar, ainda nesta tarde, um projeto de autorização de gastos que permitiria o retorno das operações da máquina pública.

Porém, não há garantia de que um acordo será fechado, pois o apoio ao projeto é incerto. Democratas e republicanos debateram durante todo o último domingo, 21, tentando chegar a um acordo, mas não conseguiram finalizá-lo e retomarão os trabalhos nesta segunda-feira.

Tentando mediar as conversas, McConnel disse que permitiria uma votação sobre a reforma da imigração, caso os democratas aceitassem a proposta de financiamento do governo. Caso o acordo não ocorra e a paralisação continue, os republicanos se manterão contrários ao DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals) – uma iniciativa que beneficia filhos de imigrantes ilegais -, que foi encerrada e causará a deportação de aproximadamente 700 mil beneficiados.

Os democratas, por sua vez, deixaram aberta a possibilidade do acordo de financiamento não ser fechado nesta segunda-feira, já que pelo menos 12 senadores do partido deveriam votar positivamente para que o projeto seja aprovado – as regras da Câmara exigem 60 votos. Com isso, o abismo partidário pode aumentar ainda mais entre republicanos e democratas.

“Há, penso eu, pessoas de ambos os partidos de boa vontade que desejam ter uma estrutura para que possamos avançar para abordar todas essas questões. Mas neste momento, está nas mãos da liderança, e eu realmente espero que eles encontrem um caminho a seguir”, explicou o senador Chris Coons, democrata de Delaware.

O “Shutdown” americano

Enquanto o aumento do teto da dívida para 2018 não for aprovado, o governo federal tem parte dos serviços considerados não essenciais paralisados, fazendo com que gastos não programados não ocorram. Dessa forma, os funcionários públicos não podem se apresentar ao trabalho, ficando de “licença”, mas sem pagamento.

Programas culturais, como passeios aos museus, parques e a Estátua da Liberdade estão paralisados. Esta é a 19ª vez na história dos Estados Unidos que os serviços são congelados. O último shutdown ocorreu em 2013, quando os parques nacionais, que têm em média 750 mil visitantes por dia, perderam US$ 500 milhões em bilhetes de entrada.

Por outro lado, os serviços públicos essenciais não são paralisados. Os serviços postais dos Estados Unidos também não ficam congelados, pois se autofinanciam, e não dependem do orçamento federal.

Segundo um relatório da S&P Global, divulgado em dezembro de 2017, o shutdown pode custar US$ 6,5 bilhões por semana, afetando, inclusive, empresas que têm contratos com o governo federal.

Fontes:
O Globo - Senado dos EUA tenta nova votação para acabar com paralisação
The New York Times - Government Shutdown Goes Into Monday as Senate Inches Toward Deal
Observador - Shutdown nos EUA. Pode um Governo fechar?

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