Início » Internacional » Senador democrata tenta barrar evento que homenageia Bolsonaro
'PESSOA DO ANO'

Senador democrata tenta barrar evento que homenageia Bolsonaro

Evento está previsto para acontecer no hotel Marriott, em Nova York. Outros lugares já rejeitaram a solenidade, que perdeu três patrocinadores

Senador democrata tenta barrar evento que homenageia Bolsonaro
Campanha ‘#CancelBolsonaro’ ganha força nas redes sociais (Foto: Senator Brad Hoylman/Facebook)

O senador democrata Brad Hoylman, de Nova York, iniciou uma campanha pela internet para que o hotel Marriott Marquis cancele o evento que homenageará o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. A solenidade está prevista para o próximo dia 14 de maio.

Inicialmente, o evento iria acontecer no Museu Americano de História Natural. No entanto, o museu cancelou a solenidade. Antes do cancelamento, o espaço já tinha admitido que estava “preocupado” com “os objetivos declarados da atual administração brasileira”.

Após isso, diante da má repercussão internacional do evento, algumas empresas retiraram o patrocínio do evento, como a companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times.

Agora, Hoylman, que é assumidamente homossexual, quer pressionar a rede Marriott a também abandonar o evento. Na descrição da campanha “#CancelBolsonaro”, iniciada através do site de abaixo-assinado Change, Hoylman destaca comentários polêmicos do presidente brasileiro, afirmando que “o presidente Bolsonaro tem um histórico extremamente perturbador de intolerância, misoginia, racismo e xenofobia”.

A campanha foi iniciada na última quarta-feira, 1, e já reúne mais de 3,6 mil assinaturas. Segundo o senador, a rede Marriott respondeu ao abaixo-assinado afirmando que “hospedam grupos de todos os valores”. Diante disso, o democrata questionou: “O que virá em seguida? Hospedar a convenção anual do partido nazista americano? Estou furioso”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.

Já na manhã desta quarta-feira, 2, Hoylman compartilhou um trecho de uma entrevista concedida pelo CEO do Citigroup, Michael Corbat, à CNBC. O Citigroup é um dos patrocinadores do evento que vai homenagear Bolsonaro. Na entrevista, Corbat afirma que a empresa passou “muito tempo certificando-se de que nosso povo entenda os valores da nossa empresa”.

Em resposta, Hoylman afirmou que o patrocínio ao evento está deixando os valores do Citigroup claros, “mas talvez não da maneira que pretendiam”. Em seguida, afirmou que esses valores não representam as pessoas de Nova York.

Nas redes sociais, pessoas contrárias à realização da solenidade levantam a hashtag “Cancel Bolsonaro” (#CancelBolsonaro). O Stonewall Democrats, que é o principal grupo do Partido Democrata de direitos dos homossexuais de Nova York, também se posicionou contra o evento, pedindo que seus membros lembrem-se do posicionamento do Marriott nas próximas viagens.

Resposta do Marriott

A CEO da Marriott International, Anne Sorenson, escreveu, através do LinkedIn, um artigo respondendo ao abaixo-assinado do senador democrata. O artigo, intitulado “Quando dizemos que o Marriot dá as boas-vindas a todos, é isso que significa” (em tradução livre), ela defende a realização do evento no hotel.

De acordo com Sorenson, a realização da solenidade não reflete os valores compartilhados pela rede Marriott. No entanto, a CEO se posiciona contrária ao cancelamento do evento, afirmando isso é uma forma de “abertura e inclusão”. Em seguida, diz que o afastamento de um convidado ou grupo devido a pontos de vistas diferentes é “a essência da intolerância”.

“Ser receptivo a todos e inclusivo significa não apenas acomodar clientes e grupos com os quais podemos concordar, mas também aqueles com os quais podemos ter discordâncias fundamentais, mesmo indivíduos cujas opiniões podemos considerar intolerantes e não inclusivas. Permitir que um grupo use nossas instalações de modo algum sugere que endossamos suas opiniões”, escreveu Sorenson, sem citar diretamente a homenagem a Bolsonaro.

Entenda o caso

No último mês de fevereiro, Bolsonaro foi anunciado como o homenageado brasileiro do prêmio “Pessoa do Ano”, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. O atual governador de São Paulo, João Dória, e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, também já foram condecorados com o prêmio.

A solenidade seria realizada no Museu Americano de História Natural, em Nova York. No entanto, diante das críticas, inclusive do prefeito da cidade, o democrata Bill de Blasio, o museu optou por cancelar a solenidade. Após isso, especulou-se que o evento seria realizado no Cipriani Hall, tradicional restaurante de Wall Street, mas os administradores do local também rejeitaram a solenidade. Agora, o jantar de gala está previsto para acontecer no hotel Marriot Marquis, em Nova York. No entanto, Blasio e Hoylman ainda pressionam para impedir que a solenidade ocorra na cidade

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Célia disse:

    Cadê a democracia defendida pelos tal democratas?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *