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A sequência de erros que deu origem ao Estado Islâmico

A invasão fracassada do Iraque foi o ponto de partida dos conflitos religiosos e sectários do Oriente Médio

A sequência de erros que deu origem ao Estado Islâmico
David Kilcullen não poupa críticas à atuação dos EUA no Iraque (Foto:)

Quando David Kilcullen, um jovem oficial do Exército australiano contratado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como estrategista de combate ao terrorismo, chegou à Zona Verde em Bagdá no final de 2005  deparou-se com o “foco do maior erro estratégico desde a invasão da Rússia por Hitler”. Assim como dizem que a Primeira Guerra Mundial foi uma catástrofe que desencadeou todos os outros acontecimentos trágicos do século XX, a invasão fracassada do Iraque foi o ponto de partida dos conflitos religiosos e sectários do Oriente Médio.

Em seu novo livro Blood Year: Islamic State and the Failures of the War on Terror, Kilcullen descreve com precisão os erros e as oportunidades perdidas que resultaram nos acontecimentos de 2014. Este é o “ano sangrento” do título do livro, quando o Estado Islâmico (EI) começou seus ataques ao Iraque que culminaram na captura de Mosul, a segunda maior cidade do país, e na perigosa aproximação de Bagdá. Dezoito meses depois da iniciativa de Barack Obama de criar uma coalizão internacional para “destruir” o EI, o autointitulado “califado” ainda ocupa Mosul e outras cidades iraquianas, além de controlar grande parte da região leste da Síria e de ocupar a cidade de Raqqa, sede da “capital” do califado desde 2013.

David Kilcullen não poupa críticas à atuação dos EUA no Iraque, em especial ao secretário de Defesa de George W. Bush, Donald Rumsfeld. Segundo ele, a invasão do Iraque foi uma ação irresponsável que prejudicou o combate ao grupo terrorista Al Qaeda, mas a insistência de Rumsfeld em manter a estratégia de uma “presença moderada” de tropas foi um erro ainda mais grave, porque em seguida ao caos previsível decorrente da deposição de Saddam Hussein não havia soldados suficientes para controlar a situação.

Com a dissolução do Exército iraquiano e da queda do partido governista Baath, a maioria da classe média qualificada do país perdeu seu empregos. O cenário do desastre futuro configurara-se. Nos anos de conflitos sectários violentos que se seguiram o movimento terrorista Al Qaeda no Iraque, o predecessor do EI, sob a liderança psicótica de Abu Musab al-Zarqawi foi a força mais potente entre os grupos rebeldes.

Fontes:
The Economist-The mistakes that made Islamic State

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3 Opiniões

  1. jayme endebo disse:

    A criação do ISIS iniciou quando o primeiro ministro xiita Maliki não dividiu proporcionalmente o poder com os sunitas e as milicias xiitas receberam sinal verde para a revanche eliminando os parlamentares que representavam as principais tribos sunitas. Os sunitas foram reclamar com Obama e este liberou os xiitas para resolverem a sua maneira o poder no Iraque.Era uma clara sinalização de provocar o maior aliado sunita na região : Arabia Saudita e Golfo que acabaram por financiar os revoltosos a criar grupo de resistencia e nas cadeias do Iraque surgiu o maior líder desta revolta o Al-Bagdhadi. Aplicando as leis do terror e medo foi ganhando territórios e dinheiro dominando campos de petróleo e oleodutos e com essa riqueza passou a ter autonomia em relação aos seus criadores do Golfo e Saudita.Temos então três culpados : Obama, Sauditas e Golfo e o Maliki o resto é teatro do terror.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    Ruim com ele, pior sem ele.
    O tempo é o senhor da razão.
    Cada povo tem o governo que merece.
    A sabedoria popular é farta em mensagens que indicam que em vez de matarem Sadam, deveriam é ter lhe devolvido o poder. Ele sabia lidar com aquela gente.

  3. Jayme Mello disse:

    O filme O Poderoso Chefão, dos anos setenta, nos brinda com uma saga familiar e, trazendo nessa narrativa, um formidável número de atores (as) e cada qual interpretando, personagens deveras emblemáticos, no entanto, criminosos natos.

    O teatro de operações criminosas desses quadrilheiros é nos bairros periféricos da cidade de Nova York, EUA, bem como outras cidades nacionais, não obstante, suas ramificações delituosas se estenderem a outras terras mais longínquas.

    Um desses relatos da saga, esmiúça o início da trajetória, de um cantorzinho comum de qualquer esquina, mas que devido ao forte apadrinhamento chega ao estrelato e, por ironia da sua trajetória artística, o “cantorzinho”, face as suas peculiaridades, é confundido pela plateia com um outro cantor/ator de renome internacional e, esse artista é, do mundo dos vivos e, põe-se vivo nisso.

    Todavia, jornalistas do meio artístico, ciosamente, trataram de desfazer a dúvida, que para eles, os jornalistas a comparação era esdruxula e, até citando a licença poética, justificaram, tratar-se de pura coincidência e nada mais.

    A saga traceja fatos indeléveis que se interligam, muito embora, aqui ou ali, quiçá, propositalmente, o autor do drama, isoladamente registre também nuances indestrutíveis, porém, tão subjetivas que carecem de nós, apurada introspecção, haja vista a possibilidade da tela cinematográfica nos mostrar tudo e, às vezes, sem dizer uma só palavra.

    Nesta cena agora, os quadrilheiros estão cuidando dos seus negócios no Caribe, região, extremamente rica em belezas naturais e, diametralmente oposta a situação econômica daquele espaço geográfico.

    E, Cuba – capital – Havana, foi o país caribenho escolhida por eles, os quadrilheiros, para a expansão dos seus negócios, com apoio irrestrito do governo (Fulgencio Batista) é um ditador local de 1933/44 com um interstício até 1952, quando mediante golpe retorna ao poder.

    Em 1959, foi desapeado do poder, de igual maneira por outro ditador e, esse chamado Fidel Castro, recentemente desapeado, todavia, de certa forma, se mantém até então, através do irmão Raul Castro.

    Desnecessário aqui esmiuçar as perversidades sofridas pela população cubana, e toda sorte de crimes praticados pelos honoráveis ditadores, enquanto suas permanências na cadeira, aliás, os ditadores, indiscutivelmente, são todos iguais, o que difere um do outro, são os seus asseclas e, alguns dos quais, psicopatas que nem cpf possuem.

    Mas voltando ao mundo dos negócios da “família” no Caribe essa reunião, acontece num hotel de luxo, com suntuoso baile, contraditando, o momento conturbado no Caribe, face os guerrilheiros estarem aproximando de Havana.

    O quadrilheiro/mor dentro do seu carro, assiste um fato inusitado e de difícil compreensão, pelo menos para ele:

    Uma pessoa comum, desarmada enfrenta sozinha a força policial e num ato de desespero, dá cabo à própria vida se explodindo!

    Ato continuo, o “capo” diz ao seu motorista de forma definitiva:

    – “Vamos sair daqui o mais rápido que possível, pois, essa guerra já está perdida, eles estão se matando porque não tem mais o que perder”.

    Portanto, a pronta percepção do quadrilheiro/mor, sobre a grave situação local nos conduz a série de conjecturas:
    a) Ele, percebe que sua permanência ali em terra alheia, vai custar o próprio pelo;
    b) O adversário fica muito mais forte, quando não tem mais o que perder;
    c) Aquela guerra territorial decisivamente não era dele;
    d) Descobre que boi inteiro em terra alheia é um “capado” a caminho do matadouro;
    e) Ele percebe o limite extremo de abandonar uma invasão;

    E, nessas diminutas conjecturas, não se inclui – obviamente, questões religiosas, culturais, limites territoriais estratégicos, riquezas naturais oceânica, florestas naturais e de subsistência, solo, subsolo, agriculturas, pecuária, extrações petrolíferas em seu amplo espectro.

    Dessa maneira, são questões essas descritas acima, é que fazem o Norte das desavenças no Mundo, assim, os escombros que ainda restam no Iraque, é produto duma visão turva e de igual maneira, a tal “primavera Árabe”, erroneamente, produziu nada mais nada menos que o Estado Islâmico – um inimigo mortal que não tem a perder, quase que semelhante aquele lá do Caribe.

    Lá com os “amigos do Norte” a campanha eleitoral em plena efervescência e, alguns outros do mundo pensante, preocupados com o possível ressuscitar de alguns “idosos senhores”, alguns dos tais –, que falou ao mundo sobre os (inexistentes) material bélico dos iraquianos, aliás, onde tudo se multiplicou em forma de violência no mundo.

    É patente que a Europa,veladamente fecha portas para os refugiados da tal primavera. Com a desinformação e/ou informação truncada, tendenciosa, de certa maneira orientando e produzindo, conceitos que estão levando a sociedade, viver hipocritamente, dando as costas para uma realidade dura, semelhante àquela vivida pelas vítimas do nazismo, vítimas essas hoje, outra parte desse mesmo mundo, que merece, até mesmo para sua sobrevivência (Europa) outro olhar, quiçá mais humanitário.

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