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VENEZUELA

‘Serão presos, um por um’, diz Maduro sobre juízes opositores

Presidente venezuelano declara que vai prender os 33 juízes nomeados pela oposição para compor tribunal paralelo contra a Assembleia Constituinte

‘Serão presos, um por um’, diz Maduro sobre juízes opositores
Declaração foi dada por Maduro em seu programa semanal (Foto: Flickr)

O governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, iniciou neste fim de semana uma ofensiva contra os 33 magistrados nomeados para compor um Supremo Tribunal paralelo para desafiar o governo. O Supremo Tribunal paralelo foi nomeado pela coalizão oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD), que atualmente controla o parlamento.

Neste fim de semana, em seu programa semanal de televisão, Maduro prometeu prender e punir cada um dos magistrados. “Esses que foram nomeados [pelos juízes do tribunal paralelo], usurpadores que andam por aí. Todos serão presos, um por um, um após o outro. Todos serão presos e todos terão os bens congelados, as contas, tudo, e ninguém irá defendê-los”, disse o presidente.

O primeiro a ser punido foi Ángel Zerpa, preso na tarde de sábado, 22, em Caracas, pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), órgão tido como a polícia política de Maduro. Zerpa é jurista e professor de Direito da Universidade Central da Venezuela (UCV) e da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab), ambas em Caracas.

O governo Maduro justifica a prisão afirmando que os membros do tribunal paralelo estão em desacato com o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), órgão atualmente controlado pelo chavismo.

Partidos da Mesa de Unidade Democrática emitiram um comunicado repudiando a prisão de Zerpa. “A atuação do Sebin, avalizada antecipadamente e às cegas pela Sala Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça, é uma continuação do golpe de Estado contra a Assembleia Nacional e à Constituição feito por Nicolás Maduro e os órgãos que estão servilmente subordinados a ele”.

O tribunal paralelo foi montado pela oposição como uma forma de desafiar a eleição da Assembleia Nacional Constituinte promovida pelo governo e marcada para o próximo dia 30. A assembleia foi anunciada por Maduro no dia 1º de maio deste ano. Segundo o presidente venezuelano, ela vai “reformar o Estado e redigir uma nova Constituição”, mas opositores afirmam que ela representa mais um golpe de Maduro contra a Constituição e a democracia venezuelana.

Os juízes do tribunal paralelo foram nomeados no último sábado, 22, em uma sessão parlamentar pública, realizada em uma praça no leste de Caracas. “A próxima semana será crucial para a mudança na Venezuela e para revertermos essa falsa Constituinte. A ditadura nos acusa de montar um ‘Estado paralelo’. Quem usurpou as funções do Parlamento? Nós somos o Estado constitucional”, disse Freddy Guevara, vice-presidente do parlamento, em um discurso na última sexta-feira, 21.

Além do tribunal paralelo, a oposição também anunciou uma greve geral no país contra a Assembleia Constituinte para a próxima quarta-feira, 26.

Nos últimos quatro meses, quase 100 pessoas morreram na onda de protestos contra o governo Maduro. No último fim de semana mais duas mortes foram registradas: Ronney Eloy Tejera, de 24 anos, morto a tiros em um protesto no estado de Miranda; e Andrés Uzcátegui, de 23 anos, morto em um protesto em Carabobo.

Fontes:
El País-Maduro anuncia que prenderá “um por um” os 33 magistrados da oposição
O Globo-Venezuela: oposição nomeará tribunal paralelo em ofensiva contra Maduro

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