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Seria possível um golpe militar na Venezuela?

Analistas políticos e opositores do regime venezuelano não descartam a possibilidade de uma intervenção militar para depor Nicolás Maduro

Seria possível um golpe militar na Venezuela?
Em agosto, Maduro sofreu uma suposta tentativa de assassinato (Foto: Nicolas Maduro/Twitter)

Quando Donald Trump sugeriu no ano passado que uma intervenção militar na Venezuela seria uma solução para depor Nicolás Maduro, seu comentário foi alvo de críticas de líderes regionais e analistas políticos.

Até assessores mais próximos de Trump rejeitaram a ideia, dada a longa série de interferências desastrosas dos Estados Unidos na política da América Latina. Mas um pequeno grupo da oposição venezuelana apoia a realização de um golpe militar para depor o presidente Maduro.

Em 11 de setembro, o New York Times publicou uma matéria sobre reuniões de militares venezuelanos com membros do governo dos EUA, com o objetivo de discutir um plano de ação para derrubar Maduro.

Em 2006, diante do fortalecimento da oposição, Maduro convocou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte e elegeu aliados do governo. Ele se reelegeu em maio deste ano, em uma eleição descrita como uma farsa por concorrentes e analistas.

“Não há solução democrática para a crise na Venezuela”, disse Julio Borges, um político da oposição que se exilou na Colômbia. “Nicolás Maduro está destruindo o país e o exército o vê como um inimigo da nação”.

A inflação corroeu o poder de compra da moeda. Faltam produtos básicos, como alimentos e remédios para a população. As taxas de criminalidade aumentaram e a Justiça é quase sempre omissa em reprimir a violência. Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos migraram para outros países.

“Em um clima em que a retórica belicosa ganha terreno em Washington, creio que há uma possibilidade de intervenção dos EUA para depor o presidente Maduro”, disse Geoff Ramsey, um  especialista em assuntos da Venezuela do instituto de pesquisa Washington Office on Latin America.

O senador da Flórida Marco Rubio, que tem orientado o governo em questões referentes à  política externa dos EUA na América Latina, escreveu um artigo no Miami Herald em fevereiro deste ano, no qual se mostrou favorável a uma revolta popular, com o apoio dos militares para depor Maduro.

“A história mostra que os déspotas poucas vezes desistem voluntariamente do poder ditatorial”, escreveu Rubio. “O caminho mais estável e pacífico para a Venezuela é a criação de um movimento constituído por membros da oposição ao governo e militares, com o apoio do povo venezuelano, para derrubar Maduro e seus aliados”.

O governo autocrático de Maduro já foi alvo de ataques. Em agosto, ele sofreu uma suposta tentativa de assassinato, enquanto discursava na comemoração do aniversário de 81 anos da Guarda Nacional Bolivariana.

Um grupo pequeno e misterioso que se autointitula Movimento Nacional dos Soldados de Camiseta assumiu a autoria do suposto atentado, apesar de Maduro insistir em culpar o governo da Colômbia e de membros da oposição venezuelana.

Em 2017, o policial Óscar Pérez sequestrou um helicóptero e atirou em prédios do governo em protesto contra o regime ditatorial de Maduro. Pérez foi assassinado pelas tropas venezuelanas.

O antecessor de Maduro, Hugo Chávez, foi deposto por um golpe militar em abril de 2002. Mas sem o apoio popular ao golpe, Chávez reassumiu o poder três dias depois, com mais autoridade do que antes. Embora não houvesse provas, Chávez acusou os EUA de intervencionismo.

É uma história que pode se repetir com Maduro, que há muito tempo acusa os EUA de interferência em assuntos internos da Venezuela.

 

Leia também: Trump ouviu ‘em primeira mão’ plano para derrubar Maduro
Leia também: Tillerson vê possibilidade de golpe militar na Venezuela

Fontes:
The Guardian-Venezuela: is a US-backed 'military option' to oust Maduro gaining favour?

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    Assim como uma nova Operação Condor, para desinfectar a América LatRina!

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