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FUNERAL EM MASSA

Serra Leoa enterra mais de 300 mortos em deslizamento

Foram enterradas 320 vítimas do deslizamento que devastou a capital do país no início da semana. Centenas de pessoas seguem desaparecidas

Serra Leoa enterra mais de 300 mortos em deslizamento
Tragédia foi gerada por fortes chuvas, seguidas de deslizamento na cidade (Foto: Facebook)

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O governo de Freetwon, capital de Serra Leoa, realizou na última quarta-feira, 16, o primeiro funeral em massa das vítimas do deslizamento de terra que devastou a cidade na última segunda-feira, 14, deixando pelo menos 400 mortos e centenas de desaparecidos.

No total, foram enterradas 320 vítimas. O sepultamento coletivo é uma forma encontrada pelo prefeito de Freetwon, Sam Gibson, de liberar espaço nos institutos médicos legais da cidade, que estão repletos de corpos, que continuam chegando.

Segundo Mohamed Kamara, coordenador da equipe que realiza o funeral, os corpos serão enterrados em duas covas, em um cemitério de Waterloo, que fica na periferia de Freetwon. “Não temos mão de obra suficiente para cavar uma cova para cada corpo; temos de enterrá-los em sepulturas coletivas”, disse Kamara.

O funeral em massa trouxe à memória da população um trauma ainda recente: a epidemia de ebola que deixou milhares de mortos entre 2014 e 2016, que foram enterrados em condições similares.

Na quarta-feira, milhares de pessoas se agruparam em frente ao necrotério do hospital Connaught, em Freetown, na tentativa de encontrar corpos de parentes desaparecidos. Um deles era Thomas Benson, de 30 anos. Em entrevista ao New York Times ele disse ter perdido nove parentes na tragédia. No necrotério ele encontrou os corpos de seu sobrinho, sua irmã e seu tio. “Graças a Deus eles nos deixam levá-los. Mesmo em decomposição, enterramos os outros por contra própria, com dignidade”, disse Benson.

Na segunda-feira, fortes chuvas geraram inundações em Freetwon poucas horas antes do amanhecer. Os temporais levaram uma parte da colina Sugar Loaf a se desprender, cobrindo centenas de casas e ruas. Muitas pessoas foram soterradas em casa, enquanto outras foram surpreendidas pelo deslizamento quando estavam dentro de seus carros. A região mais afetada foi o bairro de Regent, que fica próximo à colina.

Horas após a tragédia, o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, disse que as equipes de resgate do país estavam sobrecarregadas e pediu ajuda urgente à comunidade internacional. Até o momento, não houve resposta ao pedido. Na terça-feira, 15, a ONU informou que seus representantes e sócios humanitários estão trabalhando junto às equipes de resgate. “Estão ajudando as autoridades nacionais nas operações de resgate, retirando os habitantes, dando assistência médica aos feridos, registrando os sobreviventes e dando comida, água e produtos de primeira necessidade às vítimas”, disse a organização.

A cidade de Freetown está localizada entre o mar e a montanha e tem a maior taxa de precipitação da África. Chuvas torrenciais acompanhadas de inundações são constantes na cidade, mas nunca na escala vista esta semana.

Segundo uma reportagem da rede Al Jazeera, o sentimento de choque que tomou a população logo após a tragédia vem dando lugar à raiva contra um problema enfrentado anualmente na cidade. Muitos se questionam por que o governo não se empenha mais em coibir construções ilegais de casas na cidade superlotada, algo que vem sendo apontado como o motivo da tragédia ter sido de tamanha proporção.

Fontes:
The New York Times-Sierra Leone Buries Over 300 Mudslide Victims in Mass Graves
Al Jazeera-Sierra Leone mudslide survivors describe shock, anger

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