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Mongólia

Setor de mineração gera expectativa de riquezas

Presidente mongol teme que lucros sejam mal utilizados por governo

Setor de mineração gera expectativa de riquezas
O governo tem muito a ganhar com o boom

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Até recentemente, os mongóis costumavam se referir a si mesmos como “mendigos sentados numa enorme pilha de ouro”, em referência aos enormes, porém ainda pouco explorados, depósitos de minérios no solo do país. Até pouco tempo, o trabalho era escasso e os salários, baixos. Consumidores em Ulan Bator, capital do país, não podiam se dar ao luxo de fazer muitas escolhas, a menos que estivesse no mercado em busca de carne desidratada, legumes ou chapéus peludos.

No entanto, com a chegada de diversos projetos de mineração, uma transformação começa a acontecer na Mongólia e apresenta uma série de desafios para o governo: como controlar o boom econômico prometido, sem devastar o meio-ambiente ou desestabilizar a economia e a democracia nacional?

Poucos acreditam no boom. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento anual de dois dígitos nos próximos anos, e um aumento de 300% do PIB per capita – que atualmente é de US$ 2 mil – até 2018. Duas minas na região de Gobi, no sul da Mongólia, devem gerar boa parte das novas riquezas. Uma delas, a Oyu Tolgoi, que recebeu o sinal verde do governo em 2009, deve explorar cerca de 40 milhões de toneladas de cobre e ouro. A outra, Tavan Tolgoi, uma mina de cobre que foi reformada, inclui rodovias e conexões ferroviárias para seu principal cliente, a China.

O governo tem muito a ganhar com o boom: é dono de um terço da Oyu Tolgoi (o restante pertence à firma canadense Ivanhoe). No entanto, o presidente mongol Tsakhiagiin Elbegdorj permanece temeroso:  “se acumularmos lucros e receita num sistema ruim com um governo ruim, a Mongólia estará em apuros”, diz Elbegdorj. A política da Mongólia ainda se baseia na troca de favores e nas compras de votos, e um inchaço nos cofres públicos pode acentuar esses maus hábitos. A corrupção também pode se alastrar – como aconteceu nos anos 1990, com a privatização apressada de estatais, logo após o país ter deixado a sombra da União Soviética e introduzido a democracia. Na verdade, o envolvimento de várias figuras do governo nos negócios de mineração torna esse cenário bastante provável. Mesmo o gasto público feito de maneira correta, pode fazer com que a inflação dispare.

Uma economia apoiada em poucas commodities também é suscetível a aumentos repentinos nos preços. Uma nova lei de estabilidade fiscal foi adotada, determinando índices de preços das commodities para fins orçamentários. Quando os preços ultrapassarem os índices, o excesso na receita será guardado no “fundo de estabilidade”. Se os preços caírem, o governo pode usar o fundo para cobrir os custos. Outras precauções estão sendo tomadas, como a recém aprovada nova legislação anticorrupção. E Elbegdorj promete aumentar os investimentos em áreas fora do setor de mineração, como turismo, finanças e terceirizações. Segundo ele, a contribuição da mineração pode diminuir de 70% para 20% em duas décadas.

As estimativas do presidente soam improváveis. No entanto, há esperança de que os líderes da Mongólia, mais preparados que seus antecessores, sejam ao menos capazes de entender os dilemas envolvidos no controle das novas riquezas e nas expectativas que as acompanham. “A questão é saber se nos tornaremos a Nigéria ou o Chile”, diz um conselheiro governamental do país que está rapidamente se distanciando de seu passado nômade.

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Fontes:
Economist - Nomads no more

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