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guerra na Síria

Síria enfrenta o risco de fragmentação e guerra civil

Conflitos entre as etnias sírias podem levar o país a ter o mesmo destino da Iugoslávia

Síria enfrenta o risco de fragmentação e guerra civil
Fumaça toma conta da capital Damasco (Reprodução/AP)

Dias após a explosão que matou pessoas do círculo pessoal do presidente Bashar Assad, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, fez a seguinte declaração: “Esta é uma situação que está rapidamente fugindo ao controle. Por esta razão, é extremamente importante que a comunidade internacional pressione ao máximo o presidente Assad para que ele faça o que é certo: recuar e permitir uma transição pacífica”, disse.

A preocupação de Panetta é compreensível, pois a Síria não está mais sob o controle absoluto do regime de Assad e, por trás do controle dos EUA e seus aliados (ou de qualquer outra força internacional), a iminente ameaça de uma guerra civil aumenta cada vez mais. Não é preciso dizer que o pedido de Panetta por mais pressão internacional para que Assad recue é apenas um desejo. O mesmo se pode dizer da ideia do governo de Obama de uma “transição controlada”, onde a oposição colaboraria com o regime, que permaneceria intacto após a saída de Assad.

A Rússia, por exemplo, permanece firme em sua posição contrária aos esforços para pressionar Assad. “Se é uma revolução, não é problema da ONU”, disse o ministro do exterior da Rússia, Sergei Lavrov.

É difícil acreditar que o regime de Assad conseguirá restabelecer o controle sobre a Síria. Até mesmo a elite sunita, antes a favor do regime, começou se afastar de Assad. A perda do apoio da elite sunita estabelece limites para um regime dominado pela minoria Alawite (que conta o apoio de cristãos e outras minorias).

Analistas e ativistas da oposição sugerem que os membros leais a Assad aceitaram sua incapacidade de controlar toda a Síria. Eles direcionam seus esforços apenas aos lugares onde têm maior influência, como o norte de Damasco, em detrimento ao sul da cidade, de maioria sunita, ou mesmo de um estado costeiro de maioria Alawite  que possui o apoio da Rússia e fácil acesso marítimo à cidade de Tartus.

Em outras palavras, a Síria pode estar a caminho de uma fragmentação ao estilo da antiga Iugoslávia, ou de uma guerra civil institucionalizada, como a que durou 17 anos no país vizinho Líbano. Alguns perceberam indícios de uma tentativa de limpeza étnica nos ataques ocorridos em regiões sunitas contra Alawites. Além disso, os Curdos também estão à espreita. Segundo o The Telegraph, lideranças curdas planejam criar um território curdo autônomo.

Apesar do esquerdista italiano, Antonio Gramsci, ter escrito seus trabalhos na década de 30, dentro das prisões de Mussolini, eles poderiam descrever a situação atual da Síria com clareza. Gramsci diz que crises revolucionárias são momentos onde “o velho morre e o novo não consegue nascer”. O “velho” que está morrendo na Síria é o regime autoritário de 32 anos da família de Bashar Assad.

Oposição chinesa e russa

O ocidente falhou em obter o apoio da Russia e da China, que iniciaram uma espécie de pós-guerra fria geopolítica com o ocidente devido às intervenções nas zonas de conflito da Síria.

Na semana passada, o conselho de segurança da ONU debateu sobre a imposição de sanções à Síria mostrou outro conflito que acontece longe da Síria. Diplomatas ocidentais criticaram os vetos de China e Rússia e os classificaram como indesculpável e indefensável. Os dois países consideram que apenas impediram outra investida do ocidente na mudança de regime.

Fontes:
The Economist-Is Syria Facing a Yugoslavia-Style Breakup?
The Economist-As Syria Teeters, So Do Decades-Old Assumptions About the Middle East

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