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ESTADOS UNIDOS

Sistema de reconhecimento facial do FBI vira alvo de críticas

Congressistas e ativistas americanos pedem maior fiscalização do uso da ferramenta do FBI, que falha em 15% dos casos

Sistema de reconhecimento facial do FBI vira alvo de críticas
Cerca de metade da população adulta dos EUA integra a base de dados de reconhecimento facial (Foto: Flickr)

O sistema de reconhecimento facial usado pela agência de segurança federal dos Estados Unidos, o FBI, vêm se tornando alvo de críticas no país. Congressistas e ativistas de privacidade americanos alegam que o sistema é falho e pedem maior fiscalização dessa ferramenta.

Cerca de metade da população adulta do país integra a base de dados de reconhecimento facial, utilizado pelo FBI para identificar suspeitos em investigações criminais. No entanto, cerca 80% dessas pessoas não tem registro criminal e fazem parte do sistema sem saber ou ter consentimento – as imagens geralmente são capturadas de carteiras de motorista e passaportes.

“A tecnologia de reconhecimento facial é uma ferramenta poderosa que as autoridades podem utilizar para proteger pessoas, propriedades, fronteiras e o nosso próprio país. Mas ela também pode ser utilizada por maus agentes para assediar ou perseguir indivíduos”, afirmou Jason Chaffetz, presidente do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental do Congresso americano. Ele ainda destaca que a ferramenta do FBI pode ameaçar a liberdade de expressão se for mal utilizada.

Além disso, o jornal britânico The Guardian aponta que o algoritmo usado pelas autoridades falha em 15% das vezes, sendo as mulheres afro-americanas o segmento mais prejudicado pelos erros da tecnologia.

No ano passado, o Gabinete Governamental de Responsabilização dos Estados Unidos (GAO) analisou a ferramenta e descobriu que ela é menos precisa em identificar rostos de pessoas negras do que de pessoas brancas. Além disso, o GAO apontou que afro-americanos são desproporcionalmente mais sujeitos ao reconhecimento facial.

“Se você é negro, está mais sujeito a essa tecnologia, que por sua vez é mais propensa a falhar”, disse o congressista Elijah Cummings.

Dessa forma, congressistas e ativistas pedem que a ferramenta passe por um controle mais rígido. “Não existem leis federais que controlem esta tecnologia, não há qualquer decisão judicial que limite seu uso. Esta tecnologia não está sob controle”, declarou Alvaro Bedoya, executivo-chefe centro de privacidade e tecnologia da Universidade de Direito de Georgetown.

A ferramenta de reconhecimento facial foi implementada em 2010 com o objetivo de complementar os registros de impressões digitais do FBI.

Fontes:
The Guardian-Facial recognition database used by FBI is out of control, House committee hears

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