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Engenharia urbana

Sistemas contra inundações são negligenciados por planejadores urbanos

Ao construírem as cidades, alguns planejadores urbanos neglicenciam a importância de um sistema de drenagem eficiente para evitar as inundações

Sistemas contra inundações são negligenciados por planejadores urbanos
Inundações são causadas em grande parte por drenos inadequados para fazer o escoamento de água (Foto: Wikipedia)

Muitas cidades chinesas oferecem uma “vista para o mar”, mas é um tipo de vista que provoca medo e raiva, em vez de uma sensação agradável. A expressão é usada com ironia pela mídia chinesa para descrever as inundações que deixam as estradas intransitáveis e, às vezes, matam pessoas durante os temporais. Essas inundações são causadas em grande parte por drenos inadequados para fazer o escoamento de água de terrenos úmidos. As áreas urbanas mais do que duplicaram de tamanho desde 1998, mas as autoridades não tomaram providências para modernizar e melhorar o sistema de drenagem das cidades.

Durante o verão, uma época de chuvas, as queixas dos moradores urbanos às autoridades do governo aumentam na exata proporção que a água suja invade as ruas. Até mesmo a imprensa estatal se une a esse coro de reclamações. Em 28 de julho, em um artigo publicado no China Youth Daily, os articulistas disseram que o fato de os planejadores urbanos terem dado prioridade a “projetos que estimulavam a vaidade”, em vez de se preocuparem com o sistema de drenagem ineficiente, a falta de bueiros ou de outras construções para conter ou desviar a água das chuvas era “incompreensível”.“O dinheiro não parece ser a fonte do problema”, continuou o artigo.

Os habitantes de Pequim ainda têm lembranças terríveis da inundação em 2012 que matou 79 pessoas (a maioria na periferia da cidade) e causou um prejuízo de 12 bilhões de yuans (US$1,9 bilhão). Grande parte da catástrofe foi causada pelo alagamento de passagens subterrâneas, com drenos inadequados. Os moradores da cidade fizeram duras críticas online ao governo, quando as autoridades locais tentaram arrecadar dinheiro para ajudar as vítimas, encobrindo com um ato de caridade a falha dos funcionários.

Esse desastre atraiu um pouco mais a atenção do governo para o problema das inundações. Mas as tentativas de solucioná-lo não têm sido óbvias. Em junho, devido a um temporal em Xangai, o serviço de táxi Uber mudou as imagens de seus aplicativos de carros para barcos. A maioria dos drenos ainda não consegue nem mesmo escoar a água de chuvas moderadas, que costumam ocorrer uma vez por ano ou com um pouco mais de frequência.

Cheng Xiaotao, do Instituto Chinês de Recursos Hídricos e Pesquisa Hidrelétrica de Pequim,  disse que de 2006 a 2014 o número de cidades com um controle inadequado de enchentes aumentou de 170 para 284. Segundo Xiaotao, o país não produz drenos com a rapidez necessária para atender à expansão urbana. Mas o governo chinês pretende investir em projetos de obras públicas, como sistemas de drenagem, entre outros.

Fontes:
The Economist-At sea in the city

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Pior ainda é o caso das cidades da periferia de Porto Alegre que inundam a qualquer suspiro do Rio Gravataí, o sexto rio mais poluído do Brasil. Casas e barracos construídos livremente em áreas alagadiças são constantemente inundadas e basta as águas baixarem que todos, sem exceção, voltam para os mesmos locais que serão inundados no próximo suspiro do Gravataí ou do arroio Feijó. Isso acontece ano após ano.

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