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Crise humanitária

Situação de refugiados em países vizinhos da Síria está no limite

A maioria dos milhões de refugiados sírios buscou asilo em países vizinhos, que necessitam de ajuda internacional urgente contra a escassez de recursos para abrigá-los

A atenção mundial está voltada para a crise de refugiados na Europa e para a mudança de postura de líderes da União Europeia que, finalmente, resolveram tomar medidas para lidar com o assunto.

Porém, uma das razões que está levando centenas de sírios a buscar asilo na Europa é que a vida nos campos de refugiados em países vizinhos, onde eles buscaram asilo primeiro, se tornou insuportável.

Cerca de 12 milhões de sírios, metade da população que havia na Síria antes da guerra, já foram deslocados de suas casas desde que os conflitos começaram, em 2011. Destes, mais de 4 milhões deixaram o país, a maioria indo para países vizinhos, como Jordânia, Turquia e Líbano, país onde os refugiados sírios já são um quarto da população.

Conforme o número de refugiados foi aumentando, a situação nestes países, que já estava no limite, se deteriorou rapidamente. Um dos motivos é que as agências da ONU responsáveis por prover alimentos, abrigo e assistência médica a esses refugiados estão, como alertou em julho António Guterres, alto comissário do departamento de refugiados, “financeiramente quebradas”. Apesar dos constantes apelos feitos a países membros, a ONU conseguiu arrecadar apenas US$ 1,6 bilhão dos US$ 4,5 bilhões necessários este ano para auxiliar refugiados sírios em países vizinhos.

Como resultado direto, o Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas racionou a provisão de alimentos de 1,6 milhões de sírios, deixando os refugiados no Líbano com apenas US$ 13 por mês. Na Jordânia, os refugiados pararam de receber qualquer tipo de alimento na semana passada. Há o temor de que crianças que dependem dessa ajuda alimentícia carregarão para o resto da vida sequelas geradas pela desnutrição.

O dinheiro para emergências médicas, como ferimentos feitos por bala ou estilhaços, também é escasso, e o auxílio médico é limitado a tratamentos preventivos. Com isso, muitos refugiados sírios são obrigados a trocar abrigo e atendimento médico por alimentos para suas famílias. Apenas 30% das crianças sírias no Líbano está na escola. Não é à toa que os refugiados que conseguem dinheiro pagam traficantes de pessoas e partem para uma arriscada travessia para a Europa.

A maioria das agências humanitárias da ONU são mantidas quase inteiramente por doações feitas por indivíduos, empresas, fundações e governos. A agência da ONU para refugiados (Acnur) recebe uma pequena parcela do orçamento anual da ONU. Claramente, esse modelo não está funcionando.

Com cerca de 60 milhões de deslocados no mundo por conflitos que não parecem estar perto do fim, as agências da ONU com financiamento precário não conseguem atender às necessidades desesperadoras dos refugiados.

Os países membros da ONU deveriam avaliar suas contribuições para as agências humanitárias da ONU. Os países ricos, incluindo a Arábia Saudita e países do Golfo Pérsico, deveriam aumentar suas doações imediatamente. E as nações que fizeram promessas de doações precisam cumprir com a palavra. Até lá, Jordânia, Turquia e Líbano continuarão precisando de ajuda para lidar com os milhões de refugiados que abrigaram.

Fontes:
The New York Times-Caring for the Other Refugees

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