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OBITUÁRIO

Sobrevivente do Holocausto morre aos 91 anos

Abraham Peck passou por nove campos de concentração

Sobrevivente do Holocausto morre aos 91 anos
Segundo sua biografia "Abe vs Adolf", sua família incluía quatro avós, dois pais, uma irmã, 14 tias, 14 tios e 54 primos. Destes, apenas sete sobreviveram a guerra. Peck e mais seis primos (Foto: JewishLink of New Jersey)

Abraham Peck passou quase toda a Segunda Guerra Mundial indo de uma campo de concentração para outro. Ele foi obrigado a trabalhar, foi torturado, passou fome e teve perdas profundas. Ele viu seu pai morrer nas mãos dos nazistas. Perdeu quase todos os amigos e parentes, enquanto lutava com todas as forças para sobreviver. Na última quinta-feira, aos 91 anos, o sobrevivente do Holocausto morreu de insuficiência renal.

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Peck encontrou forças no pensamento de que se ele desistisse da vida, Hitler iria ganhar. No total, ele passou por nove campos de concentração. Como explicou sua biógrafa Maya Ross, para ele “viver era ganhar”. E ele ganhou esta batalha: se casou, teve um filho, dois netos e três bisnetos, além de ter seu próprio negócio nos Estados Unidos.

Antes de morrer, ele dividiu sua história com todos que pudessem ouvir. Ele quis compartilhar sua jornada para prevenir que algo terrível como o Holocausto possa acontecer novamente.

Ele cresceu em Szadek, na Polônia, uma pequena cidade que tinha 3,5 mil habitantes, dos quais 500 eram judeus. Depois que os nazistas dominaram a Polônia e grande parte da Europa, apenas 13 destes 500 continuaram vivos. Peck era um deles. Segundo sua biografia “Abe vs Adolf”, sua família incluía quatro avós, dois pais, uma irmã, 14 tias, 14 tios e 54 primos. Destes, apenas sete sobreviveram à guerra: Peck e mais seis primos.

O pior momento de sua vida foi em 1942. Seu pai serviu no exercito polonês na Primeira Guerra Mundial, até que uma bala atingiu seu braço. Anos depois, com o mundo em guerra novamente, ele era escravo no campo de trabalho nazista Rawicz. Em 1942, como muitos outros, contraiu pneumonia e morreu.

Peck tinha 16 anos e sofria de febre tifoide, mas ele queria mais do que tudo enterrar seu pai, mesmo que o funeral fosse jogar o corpo numa cova coletiva. Cada manhã, um carro vinha para recolher os corpos para queimá-los em algum lugar. Peck pediu para ir junto para acompanhar o corpo de seu pai. Em resposta um guarda bateu com um rifle em suas costas e gritou “seu cachorro maldito, você deve voltar ao trabalho”. Ele nunca soube onde seu pai foi enterrado.

Em 1945, as forças americanas liberaram Peck junto com outros sobreviventes do campo de concentração de Dachau, e ele descobriu que muitos de sua família não resistiram.

Peck passou um tempo em luto e com raiva, mas depois conheceu outra sobrevivente dos campos de concentração, Helen Fajwelman. Em 1949, eles tiveram um filho. No ano seguinte, imigraram para os Estados Unidos.

 

 

Fontes:
The Washington Post-‘Abe vs. Adolf’: Abraham Peck, survivor of 9 Nazi concentration camps, dies at 91

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Aos poucos, esses sofridos depoimentos irão naturalmente se esvaindo,pelo desparecimento físico das vítimas. É esperar que o registro trágico dessas sofridas vivências permaneça, para que não se dê a repetição da barbárie. que precisa ser constantemente combatida.

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