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Software ajuda a coibir lavagem de dinheiro

O software AML monitora transações financeiras e cria listas de pessoas com mais probabilidade de fazer operações ilícitas

Software ajuda a coibir lavagem de dinheiro
O software AML examina vários sinais que lhe permite detectar irregularidades (Foto: Pixabay)

Preocupados, sem dúvida, com a sobrevivência, os traficantes de drogas são pontuais em seus pagamentos. Para as empresas de software, essa pontualidade é uma das muitas pistas que indicam uma operação ilícita de lavagem de dinheiro. O software AML (Anti-money laundering) de prevenção e combate à lavagem de dinheiro, monitora transações financeiras e cria listas de pessoas com mais probabilidade de fazer essas operações ilícitas de transferência de receitas de origem fraudulenta para a economia formal.

Segundo estimativas da empresa de pesquisa Celent, as instituições financeiras gastaram cerca de US$825 milhões neste ano com a compra e funcionamento desse software, em comparação com US$675 milhões no ano passado. Na opinião da Technavio, o mercado é ainda maior e crescerá em mais de 11% ao ano nos próximos anos, em razão da intervenção das autoridades em instituições que cometem irregularidades. Este ano, o Deutsche Bank foi multado em US$827 milhões por lavagem de dinheiro. O rigor do controle e da punição não se aplica apenas às instituições e envolve também seus funcionários.

O número de normas e diretrizes de prevenção e combate à lavagem de dinheiro aumentou cerca de 10% nos Estados Unidos, no Canadá e na União Europeia (UE), e em torno de 15% na Austrália, Hong Kong, Malásia e Cingapura, disse Neil Katkov, um analista da Celent.

David Stewart, diretor do sistema de combate a essa prática fraudulenta na empresa de tecnologia SAS, com sede na Carolina do Norte, avalia que os esforços para cumprir esses regulamentos correspondem a cerca de 70% da despesa da maioria dos bancos. Uma pesquisa realizada este ano pela empresa de consultoria Duff & Phelps revelou que as instituições financeiras gastam cerca de 4% da receita no cumprimento das normas legais e regulamentares, um percentual que deverá chegar a 10% em 2022.

O software AML examina vários sinais que lhe permite detectar irregularidades. As quantias redondas são motivo de suspeita. O aumento dos volumes de transações e valores também inspira desconfiança, assim como o dinheiro que é depositado em uma conta corrente em várias agências bancárias. Os investimentos na área cultural também são investigados. O software também rastreia a atuação dos escroques que movimentam grandes somas de dinheiro por meio do roubo de dados de documentos de identidade de idosos e jovens, disse Michael Kent, executivo-chefe da empresa de transferência de dinheiro Azimo.

O software AML360 de uma empresa de Cingapura destina-se a detectar irregularidades nas transações comerciais. Segundo o CEO da empresa, Daniel Rogers, o software monitora “um quebra-cabeça” de fatores como os itinerários dos navios, a localização dos produtores de commodities e as flutuações nos preços. O software descobre se uma empresa importa aço inoxidável caro, apesar de ter uma fonte de importação mais barata, ou se a importação de cobre aumenta à medida que o preço diminui.

Os programadores estão estudando meios de aumentar a quantidade e o tipo de dados que o software AML examina. Em 2016, a SAS lançou o software Visual Investigator desenvolvido a um custo de US$1 bilhão. O software conecta as transações financeiras a mensagens de texto e imagens de redes sociais. Assim, seria possível descobrir se os grandes depósitos em dinheiro dos restaurantes são compatíveis à quantidade dos pedidos recebidos online.

A automação pode substituir o trabalho dos seres humanos? A empresa de consultoria alemã Berlin Risk, que investiga o caráter, a procedência e a administração dos rendimentos de uma pessoa por meio de conversas com cerca de 20 pessoas que a conhecem, faz um trabalho de análise psicológica do comportamento e da interação desse grupo com o objeto da investigação. Como Carsten Giersch, sócio sênior da empresa argumentou, “Nunca veremos um robô entrevistando fontes”. Ou esse será o próximo passo da evolução da tecnologia?

Fontes:
The Economist-Increasingly, hunting money-launderers is automated

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