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Guerra sem limites

Sudão do Sul: um país à beira do colapso

A violência no Sudão do Sul deixa um rastro incontável de mortos, milhares de desabrigados e metade da população passando fome

Sudão do Sul: um país à beira do colapso
Observadores internacionais acreditam que a crise humanitária no país ainda deve piorar (Foto: Flickr)

A guerra civil no Sudão do Sul chegou a um nível de violência tão alto, que tornou impossível contabilizar as mortes. Quase metade da população do país está passando fome e mais de um milhão e meio de pessoas já deixaram suas casas para fugir das atrocidades diárias cometidas por rebeldes e por forças leais ao presidente Salva Kiir.

Para o sul-sudanês John Khamis a situação no país está insustentável. “Não existe mais um país. Não faço ideia de como o conflito vai terminar” diz Khamis, que vive em campos de refugiados da ONU há quase quatro anos.

O Sudão do Sul é o país mais novo do mundo. Ele conquistou sua independência do Sudão em 2011. Na época, as duas maiores etnias do país, a dinka e a nuer, se uniram para formar um governo.

Porém, em dezembro de 2013, o presidente Salva Kiirm, um dinka, acusou o ex-vice-presidente Riek Machar, um nuer, de planejar um golpe de estado. Kiirm e Machar tem um histórico de hostilidade de décadas atrás. A luta política pessoal entre eles rapidamente afundou o país em uma violenta guerra civil e étnica.

Além do território, os dois líderes tentam, conquistar o máximo de apoio possível das várias outras etnias locais. Os métodos usados pelos dois lados do conflito são chocantes e vão desde o recrutamento de crianças-soldados ao assassinato brutal de civis.

Em um pronunciamento feito esta semana, o diretor da Unicef, Anthony Lake, alertou para a escalada da violência contra as crianças no Sudão do Sul. “É impossível descrever a violência contra crianças. Sobreviventes relatam que os meninos estão sendo castrados e deixados para sangrar até a morte. As meninas de oito anos sofrem estupro coletivo e depois são assassinadas. Há crianças que são jogadas em construções em chamas”.

Observadores internacionais acreditam que a crise humanitária no país ainda deve piorar. Com a economia em queda livre, o preço dos alimentos, do gás e outros produtos de necessidade básica dispararam.

A única esperança de paz está em uma possível reconciliação entre Kiirm e Machar. Apesar de improvável, não seria a primeira vez. Em 1991, Machar abandonou o partido Exército da Libertação Popular, de Kiirm, para iniciar uma perseguição à etnia dinka. Em 2005, os dois assinaram um tratado de paz. Seis anos depois, a independência foi declarada.

Dak Ongin, que vive em um campo de refugiados da ONU, lembra da época, mas diz não ter mais esperança de paz. “Achei que a paz fosse durar para sempre. Se o governo continuar se comportando assim, nós mesmos vamos ter que retomar nossas casas”.

Fontes:
The New York Times-As South Sudan Crisis Worsens, ‘There Is No More Country’

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