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'GUERRA AO LIXO'

Sudeste Asiático reage contra lixo do Ocidente

'Guerra ao lixo' começou a se espalhar para vários países asiáticos

Sudeste Asiático reage contra lixo do Ocidente
Menos de 10% de todo o plástico descartado no mundo é reciclado (Fonte: Reprodução/Tânia Rego/Agência Brasil)

A chegada maciça de lixo de países ricos vem provocando revolta no Sudeste Asiático. Na última quinta-feira, 30, as Filipinas obrigaram um navio de carga cheio de resíduos a voltar para o Canadá.

O governo de Manila, capital das Filipinas, revelou que há um total de 69 contêineres com mais de 1.500 toneladas de resíduos tóxicos ou não recicláveis que foram enviados ilegalmente para o seu território entre 2013 e 2014.

Há uma tensão diplomática cada vez maior entre países desenvolvidos e do Sudeste Asiático por conta do lixo.

Países do Sudeste Asiático têm a tradição de importar resíduos ocidentais para processá-los. Mas esse cenário vem mudando nos últimos tempos. Há cerca de um mês, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ameaçou enviar de volta para o Canadá um carregamento de lixo caso ele não fosse retirado do país.

“Eu aviso ao Canadá que, se não vier tirar esse lixo daqui na próxima semana, eu vou levar ele pelo mar para jogar lá na sua costa […] Vamos declarar guerra ao Canadá”, disse Duterte na ocasião.

Essa questão já vinha sendo discutida por representantes filipinos e canadenses há mais de cinco anos. Somente nesta semana, no entanto, o Canadá enviou um navio para recolher o lixo.

‘Guerra ao lixo’

A “guerra ao lixo” também começou a se espalhar para outros países asiáticos. A Malásia, um dos principais importadores de lixo do mundo, agora condenou a chegada ilegal de resíduos da Espanha, Reino Unido, Austrália, Alemanha, entre outros.

Nesta semana, a ministra do Meio Ambiente da Malásia, Yeo Bee Yin, ressaltou que o país irá “contra-atacar” e que “não será o lixão do mundo”. “Apesar de sermos um pequeno país, os países desenvolvidos não podem nos assediar”, disse a ministra.

Kuala Lumpur também devolveu recentemente uma remessa de lixo para a Espanha. Outros dez contêineres com plástico poluente serão enviados para EUA, China, Austrália, Canadá, Japão, Arábia Saudita e Bangladesh.

Durante décadas, a China foi o principal receptor de lixo no mundo. O governo chinês proibiu, no entanto, essas operações no ano passado por conta de pressões ambientais. Os carregamentos de lixo então passaram a ser desviados para outros países da Ásia.

Por causa da grande quantidade de resíduos circulando pelo Sudeste Asiático, políticos e especialistas começaram a dizer que a região estava se tornando um lixão para o Ocidente.

Produtos tóxicos

A Tailândia, a Malásia e o Vietnã aprovaram no ano passado uma legislação proibindo que resíduos estrangeiros não recicláveis sejam enviados para os seus territórios.

Embora os governos venham se esforçando para evitar a chegada desses resíduos, o lixo não reciclável continua sendo enviado para eles.

O lixo reciclável é enviado para a Ásia para ser reciclado. Ambientalistas e analistas vêm denunciando, no entanto, que o lixo enviado pelo Ocidente contém, na verdade, produtos tóxicos, tecnológicos ou plásticos não biodegradáveis, impossibilitando seu processamento.

Muitas empresas privadas vêm utilizando técnicas ilegais para realizar o comércio de lixo, com práticas que vão desde contrabando até falsificação de documentos.

Menos de 10% de todo o plástico descartado no mundo é reciclado. Portanto, a maioria dos resíduos vai parar em aterros sanitários ou acaba incinerado, prática que é proibida em muitos países ricos por liberar fumaças altamente tóxicas.

Fontes:
G1 - Sudeste Asiático se revolta contra os resíduos do Ocidente: ‘Não seremos o lixão do mundo’

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