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ONDA DE VIOLÊNCIA

Taxa de homicídio no México bate novo recorde

Enrique Peña Nieto assumiu em 2012 com a promessa de reduzir a taxa de homicídios. Mas após um declínio inicial, ela aumentou acentuadamente

Taxa de homicídio no México bate novo recorde
A violência é um dos principais temas de debate da eleição geral marcada para 1º de julho (Foto: Twitter)

Em Apaseo El Grande, uma cidade no estado de Guanajuato, no México, a onda de violência está aumentando. Em fevereiro, bandidos mataram um político local. O cadáver esquartejado de outra vítima foi encontrado em quatro sacos espalhados pela cidade. Nos primeiros três meses deste ano, a cidade com 85 mil habitantes teve 43 assassinatos, mais do dobro do número de homicídios em 2016.

Um visitante talvez não perceba esse clima de violência. Automóveis produzidos em fábricas próximas circulam pelas ruas e crianças brincam na praça principal. Mas os moradores estão assustados. Com uma criança no colo na sala de visitas de sua casa, Efraín Rico Rubio, um ex-vereador e funcionário da área administrativa de uma universidade, descreve a violência. “Os assassinatos acontecem em todos os bairros da cidade”, disse. Ele vê pouca perspectiva de melhoria. As crianças em idade escolar “querem ser iguais a El Chapo”, o traficante de drogas que se transformou em herói popular por ter fugido duas vezes da prisão.

A taxa de homicídios no México ultrapassou o recorde anterior de 2011, quando o então presidente Felipe Calderón deu ordens ao exército para combater as gangues de traficantes. A tática de prender ou matar os chefes do tráfico resultou na divisão das gangues em grupos rivais e no aumento dos crimes.

O atual presidente, Enrique Peña Nieto, que assumiu o cargo em 2012, prometeu reduzir a taxa de homicídios. Mas após um declínio inicial, a violência aumentou acentuadamente. Em março deste ano, o número de assassinatos durante a presidência de Peña havia superado o número de mortes no governo de Calderón. A taxa de homicídios em 2018 é 25% mais elevada do que em 2011.

O aumento da violência é um dos principais temas de debate da eleição geral marcada para 1º de julho. Quase metade dos mexicanos alega que o crime é o principal problema nos lugares onde moram. Em março, o desaparecimento de três estudantes de cinema em Guadalajara e a descoberta que seus corpos haviam sido dissolvidos em ácido provocaram grandes protestos no mês passado.

A prosperidade de Guanajuato está atraindo as gangues de criminosos. O sul do estado é uma zona industrial que se estende de Aguascalientes a Querétaro. As fábricas da região produzem carros e outros produtos de exportação isentos de impostos para os Estados Unidos e o Canadá no âmbito do Acordo de Livre Comércio da América do Norte.

Gangues ganham a maior parte do dinheiro com roubos e extorsões. Os grãos, peças de automóveis e móveis são roubados de trens com destino aos EUA. Porém, a maior fonte de renda é o roubo de combustível. A companhia estatal de petróleo Pemex tem um prejuízo de mais de 30 bilhões de pesos (US$ 1,6 bilhão) por ano com roubo de combustível.

Os huachicoleros, como são chamados os ladrões, lutam entre si pelo controle dos oleodutos. Segundo um político de Guanajuato, 80% dos assassinatos no estado estão relacionados ao roubo de combustível. Em janeiro, o chefe de segurança de uma refinaria de petróleo na cidade de Salamanca foi assassinado. O roubo de carros também causa vítimas fatais. Em 2011, menos de 2% dos roubos de veículos no estado envolveram violência, de acordo com dados do governo. Em 2017, essa proporção aumentou para 26%.

A localização do México, entre as plantações de cocaína da América do Sul e o mercado de drogas dos EUA, o torna vulnerável à criminalidade. Mas o aumento da violência é um reflexo de um Estado fraco, de uma força policial reduzida, de um sistema judiciário falho e, sobretudo, da corrupção.

A preocupação com a violência foi tema do primeiro dos três debates entre os cinco candidatos presidenciais, realizado em 22 de abril. Os dois principais candidatos moderados, Ricardo Anaya, do Partido da Ação Nacional, e José Antonio Meade, candidato do Partido Revolucionário Institucional, apresentaram propostas vagas.

Andrés Manuel López Obrador, o candidato favorito da esquerda, propôs uma solução radical de combate à violência. Ele sugeriu anistiar traficantes de drogas com uma área de atuação menor. Sugeriu ainda convidar o Papa Francisco para mediar as conversas entre as gangues criminosas e o Estado.Seus rivais acusaram-no de apoiar a impunidade. “Você quer perdoar o imperdoável”, disse Meade.

Em Guanajuato suas ideias são recebidas com ceticismo. Três quartos dos eleitores se opõem à sugestão de anistia. No entanto, em regiões onde o narcotráfico é um problema grave sua proposta pode ser mais bem aceita. López Obrador acha que pode convencer os criminosos a entregarem suas armas e os eleitores a perdoá-los. Depois do fracasso da repressão violenta dos governos anteriores, é possível que os mexicanos queiram fazer novas tentativas mais conciliatórias.

Fontes:
The Economist-Mexico’s murder rate heads for a new record

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