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Tensão entre China e EUA chega ao setor de Turismo

Pequim emitiu um alerta a turistas que pretendem visitar os EUA, afirmando que as autoridades policiais americanas estão assediando cidadãos chineses

Tensão entre China e EUA chega ao setor de Turismo
A China é a quinta maior fonte de turistas dos Estados Unidos (Foto: Shealah Craighead/White House)

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A tensão na relação entre Estados Unidos e China continua a aumentar. Em um novo capítulo do embate entre os países, o governo chinês emitiu um alerta para os turistas que pretendem visitar os EUA, afirmando que as autoridades policiais americanas estão assediando cidadãos chineses.

O alerta ocorre em meio a uma crescente batalha entre as potências em diversos setores. Os países estão envolvidos em uma guerra comercial, que se arrasta há um ano, em uma disputa tecnológica envolvendo a tecnologia 5G e a empresa Huawei, e, agora, nos setores de Turismo e Educação.

“Recentemente, as agências policiais dos EUA têm assediado repetidamente cidadãos chineses que viajam para os EUA por meio de interrogatórios na fronteira, visitas inesperadas e vários outros meios”, destacou o Ministério das Relações Exteriores da China, segundo noticiou o Financial Times.

Já o Ministério de Cultura e Turismo da China priorizou alertar os chineses sobre a crescente violência armada nos Estados Unidos. Na última sexta-feira, 31, um tiroteio em Virginia Beach, uma cidade no estado da Virginia, deixou 12 mortos e quatro feridos.

“Nos últimos dias houve casos de violência armada e roubos nos Estados Unidos. […] O departamento lembra os turistas chineses para avaliarem completamente o risco de ir para os Estados Unidos”, destacou a Pasta. Os alertas são válidos até o dia 31 de dezembro de 2019.

A China é a quinta maior fonte de turistas dos Estados Unidos, com um total de 3 milhões de chineses visitando o país ao longo de 2018. Os chineses gastaram, ao todo, US$ 36,4 bilhões somente no ano passado, sendo uma importante fonte econômica.

Educação

Paralelamente ao alerta do Turismo, a China está enfrentando dificuldades, em relação aos Estados Unidos, na área da Educação. Na última segunda-feira, 3, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Geng Shuang, destacou, durante uma coletiva de imprensa, as dificuldades que os chineses têm enfrentado para estudar nos EUA. O porta-voz não destaca contramedidas tomadas pela China.

“Recentemente, os EUA impuseram algumas restrições desnecessárias ao intercâmbio normal de pessoas entre os nossos dois países, incluindo estudantes chineses que planejam estudar nos EUA, que têm a oposição do setor educacional e de estudantes internacionais de ambos os países”, apontou Shuang.

Segundo a revista Time, vários estudantes chineses afirmaram que têm notado um ambiente acadêmico mais hostil nos Estados Unidos. Recentemente, a Universidade Emory demitiu dois professores sino-americanos.

Já em relação a vistos estudantis, também é possível notar uma queda acentuada na concessão. De acordo com um relatório do Instituto de Educação Internacional, 363.341 chineses estudam atualmente nos Estados Unidos. Porém, o número pode cair ainda este ano.

Isso porque, além das autoridades americanas estarem levando mais tempo para responder aos pedidos de extensão de vistos – anteriormente, a demora era de semanas, enquanto atualmente é de meses -, a taxa de rejeição ao pedido de visto, em relação à China, aumentou. No primeiro trimestre de 2018, apenas 3,2% dos pedidos foram rejeitados. Enquanto, no mesmo período em 2019, a rejeição foi de 13,5%, segundo dados do governo chinês.

Escalada de tensão

A mais recente tensão entre China e Estados Unidos teve início no primeiro semestre de 2018, quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou a imposição de sobretaxas sobre o alumínio e aço de diferentes países. A partir daí, os países começaram a trocar novas tarifas em diferentes produtos.

Diante da iminente guerra comercial, China e Estados Unidos estabeleceram um grupo de negociações, que se encontra periodicamente, para tentar chegar a um acordo. No entanto, até o último encontro, no último mês de maio, o grupo não obteve êxito nas negociações.

Além da guerra comercial, os países se envolveram em uma intensa batalha tecnológica, tendo como protagonista a empresa chinesa de tecnologia Huawei, que é uma das líderes na ascensão da tecnologia 5G e é constantemente acusada de fazer espionagem para o governo chinês. Basicamente, Estados Unidos, Coreia do Sul e China brigam pelo domínio da tecnologia.

No entanto, a batalha tecnológica ficou mais tensa a partir de dezembro do ano passado, quando a diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá a pedido dos Estados Unidos. Na época, as autoridades chinesas criticaram a detenção, que durou 11 dias.

Agora, meses depois, os Estados Unidos ainda tentam a extradição de Wanzhou, que vive no Canadá. Paralelamente a isso, o governo americano colocou a empresa chinesa em uma espécie de “lista negra”, o que resultou na limitação, feita pela Google, da Huawei em acessar o Android.

Os EUA têm tentado liderar um movimento para banir a operação da Huawei em nível global. Essa pressão já levou a Vodafone, que é a segunda maior empresa de telefonia celular do mundo, a suspender parte da implementação de equipamentos de tecnologia da Huawei. Mais recentemente, no último dia 29 de maio, o secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmou que a Huawei e o governo chinês estão “profundamente conectados”.

Em contrapartida, a China e a Huawei criticam os Estados Unidos, acusando o país, entre outras coisas, de intimidação tecnológica. A empresa chinesa já negou, em diferentes oportunidades, que faça espionagem para o governo chinês. Na ação mais direta contra os Estados Unidos, em março, a Huawei processou o país americano, alegando que está sendo proibida injustamente de atuar no país.

Tanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto o da China, Xi Jinping, devem estar presentes na cúpula do G20, que ocorre no fim de junho, em Osaka, no Japão. Apesar de terem se encontrado na cúpula do G20 em 2018, na Argentina, ainda não se sabe se eles vão se encontrar para uma reunião privada.

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Fontes:
Al Jazeera-China issues US travel warning over official harassment
Financial Times-China warns citizens over US travel
Time-Trump's Trade War Targets Chinese Students at Elite U.S. Schools

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