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ALIANÇA EM XEQUE

Tensão entre Turquia e EUA na Síria se acirra

Em telefonema, Donald Trump pede ao presidente turco para evitar ações que possam gerar um confronto entre forças dos dois países na Síria

Tensão entre Turquia e EUA na Síria se acirra
Ofensiva pode gerar confronto entre Turquia e EUA, dois aliados da Otan (Foto: Pinterest)

O risco de um confronto entre forças turcas e americanas na Síria cresce à medida que soldados turcos se aproximam de Manbij, cidade controlada pela milícia curda YPG, localizada no norte do país. As informações são da rede Al Jazeera.

Manbij  fica a 100 km de Afrin, outra cidade síria controlada pela YPG, que na semana passada foi alvo de uma ofensiva turca. O governo turco afirma que os integrantes da YPG são “terroristas” e prometeu varrê-los da fronteira da Turquia com a Síria. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que Manbij  seria o próximo alvo após a tomada de Afrin.

Sharfan Darwish, porta-voz da milícia curda YPG – aliada das Forças Democráticas Sírias (FDS), que lutam ao lado da coalizão americana contra o Estado Islâmico (Isis) na Síria – disse que seus soldados estão prontos para reagir a uma ofensiva turca.

“Estamos em total prontidão para responder a qualquer ataque. É claro que nossa coordenação com a coalizão internacional continua em relação à Manbij”, disse Darwish.

Em entrevista à Reuters, o porta-voz da coalizão americana, o coronel Ryan Dillon, disse que, em caso de uma invasão turca a Manbij, a YPG terá o respaldo de soldados da coalizão, que têm base na cidade.

“Claramente, estamos muito atentos ao que está acontecendo, especificamente na área de Manbij, porque é aí que nossas forças da coalizão estão. As forças da coalizão presentes nesta área têm o direito inerente de se defender e farão isso, caso seja necessário”, disse Dillon.

Se isso vier a acontecer, colocará dois aliados da Otan, a Turquia e os EUA, em confronto. A escalada na tensão entre os aliados levou o presidente americano, Donald Trump, a telefonar para Erdogan na última quarta-feira, 24, para expressar sua preocupação diante da “falsa e destrutiva retórica” da Turquia em torno da situação e pedir cautela ao presidente turco para que tropas turcas e americanas não se envolvam em uma batalha.

“Ele instou a Turquia a retroceder, a limitar suas ações militares e evitar baixas civis e o aumento de deslocados e refugiados. Ele instou a Turquia a agir com cautela e evitar qualquer ação que ameace gerar um conflito entre forças turcas e americanas”, disse um comunicado da Casa Branca sobre o telefonema.

Na quarta-feira, horas antes do telefonema, Erdogan ameaçou estender a ofensiva contra Afrin para Manbij para “limpar completamente nossa região deste problema”.

No conflito sírio, a YPG foi treinada e armada pelos EUA para combater o Estado Islâmico. Ela foi crucial na retomada de cidades dominadas pelo grupo terrorista, como Raqqa, retomada do Isis em outubro do ano passado.

Porém, o governo Erdogan considera a milícia curda uma ameaça para a Turquia. Isso porque ela é vista como uma extensão síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PPK), que desde a década de 1980 trava uma sangrenta batalha na Turquia pela independência de territórios curdos para a criação de um Curdistão.

Erdogan diz que seu objetivo com a ofensiva, além de expulsar os curdos da fronteira, é criar uma zona de segurança de 30 km na região para que os mais de 3 milhões de refugiados sírios que fugiram para  Turquia em meio à guerra possam retornar para seu país.

“Primeiro, vamos exterminar os terroristas, depois vamos tornar a região habitável. Para quem? Para os 3,5 milhões de sírios refugiados em nosso território”, disse Erdogan.

 

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