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Peças de Lewis

Teoria polêmica de jogador de xadrez inspira livro sobre o jogo de estratégia

A polêmica em torno da autoria das peças de xadrez de Lewis

Teoria polêmica de jogador de xadrez inspira livro sobre o jogo de estratégia
Gudmundur Thorarinsson, com sua teoria de que as peças foram esculpidas por uma mulher, foi considerado “louco” (Foto: Flickr)

Em 2010, um historiador islandês amador fez uma afirmação polêmica em um simpósio internacional sobre as peças de xadrez de Lewis, um conjunto extraordinário de peças de xadrez medievais. Gudmundur Thorarinsson, um jogador de xadrez (e engenheiro de profissão), quis convencer a plateia de estudiosos que as 92 peças de marfim de presas de morsas descobertas na ilha de Lewis, na costa ocidental da Escócia, em 1831, haviam sido esculpidas por uma mulher a pedido de um bispo islandês medieval. Ele foi considerado “louco”. Embora o local onde as peças de xadrez foram feitas ainda seja um mistério, segundo os curadores do acervo das peças de Lewis do Museu Britânico e do Museu Nacional da Escócia elas, provavelmente, se originavam da Noruega do final do século XII.

No entanto, a teoria de Thorarinsson atraiu a atenção de Nancy Marie Brown, uma escritora americana com muitos livros publicados sobre a saga dos vikings. Ao se deparar com comentários depreciativos a respeito de uma Islândia medieval descrita como “um lugar sem coesão interna e repleto de agricultores dispersos”, ela decidiu mostrar outra versão da história. O resultado é Ivory Vikings: The Mistery of The Famous Chessmen in the World and the Woman who Made Them, um relato fascinante dos vínculos antigos entre as Ilhas Britânicas e a Escandinávia, que inserem as peças de xadrez encontradas na ilha Lewis em um contexto cultural muito mais amplo e real das atividades comerciais, das pilhagens de terras conquistadas e do gosto por presentes dos vikings.

Os diversos conjuntos de peças foram os primeiros a incluir bispos e rainhas, em vez de condes e vizires, o que demonstrou a evolução do jogo da guerra em sua passagem da Índia para a Europa. Nancy Marie Brown usou seu extenso conhecimento da literatura islandesa para tentar deduzir quem poderia ter incluído bispos e rainhas entre as peças de xadrez. Seu livro é uma história social que relata a evolução do xadrez, a caça da morsa nas regiões costeiras do oceano Ártico, as pilhagens dos vikings do mar Mediterrâneo ao mar Cáspio, e as recentes descobertas de presas e esculturas de morsas no Atlântico Norte, o que indica “o papel dos vikings em uma enorme conexão cultural, com trocas comerciais e de ideias”.

Em última análise, a autora concorda com o historiador islandês amador de que é bem possível que o bispo Pall Jonsson de Skalholt, na Islândia, tenha pedido à sua escultora preferida, Margret a Hábil, que esculpisse as peças de Lewis. O livro do século XIII Saga of Bishop Pall descreve um esteta apaixonado por presentes caros e sofisticados, como os báculos de marfim de morsa esculpidos com requinte por Margret, “na época o melhor escultor de toda a Islândia”, que enviava aos seus amigos bispos.

Nancy Marie Brown descreve as paisagens e os escandinavos com um humor lúcido e seco. Apesar do excesso de narrativas de sagas, em um ritmo vertiginoso de chefes e reis, seu livro proporciona ao leitor um amplo debate sobre uma história envolvente e acessível.

Fontes:
The Economist - Bones of contention

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