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'METRALHADORA' DE SOBRETAXAS

Terá Trump declarado guerra comercial contra o mundo?

O presidente dos Estados Unidos decidiu esta semana tarifar meio mundo. Parte das investidas é em resposta à iniciativa francesa de impor tributos a serviços digitais

Terá Trump declarado guerra comercial contra o mundo?
França, Brasil e Argentina sofreram recentemente com as investidas de Trump (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Muitos defendem a ideia de que a terceira guerra mundial não tocará em armas. Nem matará pessoas – pelo menos de forma violenta. Na opinião destes observadores, todas as batalhas serão travadas no âmbito comercial, numa disputa tão insana e cruel quanto à explosão de bombas atômicas em áreas civis. Tudo indica que os primeiros movimentos desta conflagração mundial estão começando, com o deslocamento de peças no tabuleiro da Casa Branca.

O presidente dos Estados Unidos decidiu esta semana tarifar meio mundo. Parte das investidas é em resposta à iniciativa francesa de impor tributos a serviços digitais. Mas a metralhadora giratória de Donald Trump atinge até mesmo o Brasil – que buscava obter vantagens se fazendo de subserviente.

Em resposta ao anúncio francês da criação de um imposto que atinge empresas americanas digitais, como a Amazon, Apple, Facebook e Google, Trump ameaça tarifar vinhos, queijos e champanhes franceses “e todo o resto”, em represália. “Não sou apaixonado por estas empresas, mas são nossas empresas”, disse ele. Os tributos – segundo a advertência de Washington – podem chegar à casa dos 100% sobre US$ 2,4 bilhões em produtos.

Da Europa para a Ásia: negócios da China

A França já alertou que pode retaliar. Seu ministro das Finanças disse, nesta terça, 3, que haverá uma forte resposta. Bruno Le Maire entende que “o comportamento americano é inaceitável em relação a um de seus maiores aliados”. Le Maire destaca que o imposto francês busca somente estabelecer justiça tributária e que as empresas digitais paguem impostos nos países onde faturam. Ele alertou que a Comissão Europeia já prepara sua represália contra medidas que considere injustas.

Ainda na coletiva, Trump mudou o tom quando perguntado sobre os parceiros chineses. Embora admita que não há prazo para o fechamento de um acordo entre Pequim e Washington, o presidente americano chegou a admitir que as negociações comerciais vão bem. Ele prefere, no entanto, esperar até após as eleições – em que buscará a reeleição – para sacramentar um gigantesco pacote comercial.

Sobrou para o Brasil

Corre pelas redes sociais no Brasil uma frase irônica – baseada no instinto feminino: “Regras do primeiro encontro: não saia dando logo a sua base de Alcântara para quem só quer taxar seu alumínio”. Fato é que o Brasil – especialmente o presidente Bolsonaro – acordou com forte ressaca, tentando lembrar o que fez na noitada anterior. Ao anunciar pelo Twitter que pretende tarifar em 25% o aço – e em 10% o alumínio – brasileiro (e também o argentino), Trump surpreendeu não somente o governo brasileiro, mas também seus próprios diplomatas.

Esta, aliás, não é a primeira vez que Trump deixa frustrado seu calouro brasileiro. Apesar de uma suposta aproximação com Bolsonaro, o presidente americano continua aplicando “seus trotes” ao colega brasileiro. Primeiramente, Trump acenou positivamente para o desejo tupiniquim de participar da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Depois, sem explicação, recuou. No movimento seguinte, relutou em retomar as importações de nossa carne bovina. A despeito do andamento das negociações, o Brasil, mais uma vez, parece em compasso de espera.

Maior exportador de aço para os Estados Unidos, o Brasil conta com o apoio da indústria americana contra tal medida. Afinal, a sobretarifa fará encarecer o preço de seus produtos. Os industriais de lá entendem que, com uma cota de importação estabelecida, o mercado americano não sofria com “inundação” do produto brasileiro. O Itamaraty – que tinha o assunto como superado – acorda surpreso. E o chanceler Ernesto Araújo, certamente, perderá noites de sono por entrar numa guerra em que somente tem a perder.

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2 Opiniões

  1. BS disse:

    Incompreensível essa subserviência do presidente do Brasil ao Trump.

  2. Regina disse:

    Trump foi zoado no encontro da Otan e esnobado pela princesa britânica. Mas aqui na presidência, só salamaleques…

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