Início » Internacional » Terremoto expõe uma corrupção que mata no Irã
INFRAESTRUTURA

Terremoto expõe uma corrupção que mata no Irã

Terremoto que deixou mais de 530 mortos no Irã expõe como a corrupção dentro das empresas estatais deu origem a construções de má qualidade

Terremoto expõe uma corrupção que mata no Irã
Mais de 40 mil propriedades foram danificadas de forma permanente pelo terremoto (Foto: Pouria Pakizeh/ISNA)

A inauguração de uma nova ala do hospital Imam Khomeini foi um grande acontecimento para a cidade iraniana de Islamabad, localizada próximo à fronteira com o Iraque. A construção da ala foi um projeto do Ministério da Habitação e a inauguração, que contou com a presença do ministro da Saúde, foi transmitida em rede nacional pela televisão estatal. Mais de 100 leitos foram adicionados à nova ala, construída na parte lateral do prédio. A expansão custou US$ 15 milhões e levou oito anos para ser concluída.

Porém, no final de semana passado, o terremoto que atingiu a fronteira entre Irã e Iraque, deixando mais de 530 mortos e pelo menos 7 mil feridos fez a nova ala desabar como um castelo de areia. Em contraponto, a parte antiga do prédio, construída há mais de 40 anos, permaneceu de pé e com poucos danos à infraestrutura.

O terremoto expôs o que os iranianos há tempos vêm criticando: a corrupção dentro das empresas estatais deu origem a construções de má qualidade e minou o setor de infraestrutura do país. Logo, não é surpresa que muitos prédios estatais, incluindo hospitais e escolas, estejam entre as mais de 40 mil propriedades que foram danificadas de forma permanente pelo terremoto.

Segundo interlocutores ouvidos em condição de anonimato pelo New York Times, no Irã a licença para construção pode ser comprada e as empreiteiras são autorizadas a economizar em quesitos de segurança. Além disso, muitos fiscais que deveriam coibir a prática vivem mais da propina que ganham do que do salário que recebem.

Como resultado, houve um aumento acentuado no número de acidentes de trabalho em construções nos últimos anos. Isso inclui a explosão de dezenas de dutos de transporte de gás e incêndios em refinarias de petróleo. Este ano, um arranha-céu localizado no centro da capital Teerã que não passou pela inspeção adequada pegou fogo e desmoronou, matando mais de 20 bombeiros. O prédio, que, entre outras coisas, abrigava dezenas de lojas de tecidos, não tinha sequer aspersor (também conhecido como sprinkler).

Na terça-feira, 14, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, visitou a cidade de Sarpol-e Zahab, uma das mais afetadas pelo terremoto. Diante de prédios em ruínas e uma população revoltada, ele prometeu abrir uma investigação para apurar a qualidade das construções criadas por projetos estatais.

No entanto, há ceticismo em relação à promessa. “As instituições do Estado que deveriam combater a corrupção são corruptas. Não há remédio em curto prazo”, disse o economista Saeed Laylaz, em entrevista ao “NYT”.

Funcionários do hospital Imam Khomeini também permanecem céticos. “É inimaginável. Ocorre um forte terremoto e esta (a parte antiga do prédio) é a única segura. Como podem deixar isso acontecer?”, disse Mohammad Fardin Ghanbari, que trabalha na recepção do hospital.

Fontes:
The New York Times-Iranians Are Outraged Over Shoddy Construction in Earthquake Zone

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Markut disse:

    Como era de se esperar, a corrupção disseminada urbi et orbi.

    A ONG Tansparência Internacional mapeia a percepção da corrupção , no mundo habitado.

    Não por coincidência, os menos corruptos são os mais bem escolarizados e, por outro lado, tambem assinala que, mais da metade dos 176 paises levantados são corruptos,ou altamente corruptos.

    O que resulta óbvio é que a melhor escolaridade contribui para amenizar esse indesejavel atributo que, como pensavam Confucio, Hobbes e Nietzsche,entre outros, faz parte da inamovivel natureza humana.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *