Início » Internacional » Theresa May anuncia renúncia
PRIMEIRA-MINISTRA BRITÂNICA

Theresa May anuncia renúncia

Após sucessivas derrotas relacionadas ao Brexit, primeira-ministra britânica deixará o cargo no próximo dia 7 de junho

Theresa May anuncia renúncia
Theresa May afirmou que continuará 'a servir como primeira-ministra até que o processo esteja concluído' (Fonte: Twitter/Theresa May)

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, anunciou nesta sexta-feira, 24, que deixará a liderança do Partido Conservador no dia 7 de junho.

Ainda de acordo com a premier britânica, a escolha de um novo líder começará na próxima semana.

Em entrevista nesta sexta, Theresa May afirmou que continuará “a servir como primeira-ministra até que o processo esteja concluído”.

Em referência ao Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, a premier ressaltou que é dever dos políticos “implementar o que [o povo] decidiu”. “Fiz tudo o que podia para convencer os deputados a apoiar o acordo de saída. Infelizmente, não consegui. É agora claro para mim que é do interesse do país que seja um novo primeiro-ministro a liderar esse esforço. Por isso, anuncio que irei me demitir do cargo de líder do Partido Conservador na sexta-feira, 7 de junho”, anunciou Theresa May.

A premier disse também que “será sempre uma matéria de grande arrependimento que não tenha conseguido cumprir o Brexit. Será função do meu sucessor procurar um caminho que honre o resultado do referendo. Para ser bem-sucedido, ele ou ela terá de encontrar um consenso no Parlamento, que eu não consegui. Esse consenso só pode ser atingido se ambas as partes em debate estiverem disponíveis para o compromisso”.

Os caminhos até a renúncia

A primeira-ministra Theresa May assumiu o cargo em julho de 2016, depois que o então primeiro-ministro David Cameron deixou a posição. Conservadora e líder do Partido Conservador, May se tornou a segunda mulher a atuar como premier britânica.

Ao assumir, May tinha um importante desafio à sua frente: garantir um bom acordo com a União Europeia para o Brexit, deixando ambas as partes satisfeitas. A premier chegou com confiança ao cargo, recebendo elogios de Cameron, que a classificou como uma brilhante negociadora.

O referendo popular do Brexit tinha ocorrido poucos dias antes de May assumir, no dia 23 de junho de 2016, com aprovação de 52% dos votantes – cerca de 17 milhões de britânicos. O referendo, inclusive, foi um dos principais motivos para Cameron deixar o cargo, visto que o ex-primeiro-ministro defendia a permanência do Reino Unido na União Europeia.

Inicialmente, May, assim como Cameron, se posicionou favorável à permanência do Reino Unido na União Europeia. No entanto, a primeira-ministra sempre destacou que o resultado do plebiscito deveria ser respeitado. Ao longo de quase três anos a frente do cargo, porém, a primeira-ministra parece não ter conseguido conquistar acordos que agradasse a todos.

De um lado, May enfrentava a pressão interna, com os parlamentares britânicos almejando um acordo que fosse benéfico para o Reino Unido. Do outro, a primeira-ministra negociava com a União Europeia, que buscava proteger os interesses do bloco econômico e conquistar uma parceria importante com o Reino Unido.

Na tentativa de equilibrar os fatores, May viu a economia britânica começar a ficar instável. Com as incertezas diante do Brexit, dezenas de empresas começaram a abandonar o Reino Unido, enquanto outras anunciavam o encerramento das atividades dentro de alguns anos. Ademais, algumas não conseguiam se salvar e anunciavam falência.

Junto com a pressão política, May encarou a divisão popular. Desde a época da votação do referendo, antes da primeira-ministra assumir, o Reino Unido já estava dividido. Isso porque, a votação teve uma margem de apenas 4% de diferença (52% a 48%), mostrando um equilíbrio entre permanecer e deixar a União Europeia.

Com a demora na decisão, mobilizações populares pró e contrárias ao Brexit se iniciaram, aumentando a tensão interna no país. Isso porque, de perfil reservado, May avançava pouco nas negociações com a União Europeia. Tanto que, apenas no dia 25 de novembro de 2018, as partes chegaram a um acordo sobre o Brexit.

O pacto acordado entre May e a União Europeia, basicamente, cobre o pagamento da separação, estimado em 39 bilhões de libras esterlinas, e garante os direitos dos europeus que vivem no Reino Unido e dos britânicos que vivem em outros países do bloco econômico.

No entanto, aquela foi, de fato, a última grande conquista de May. Isso porque, de novembro até este mês de maio, a primeira-ministra focou seus esforços no Parlamento britânico, buscando a aprovação dos parlamentares ao acordo. E, em diferentes oportunidades, falhou seguidamente.

Em dezembro de 2018, a saída de May já era especulada na mídia britânica. No dia 13 daquele mês, a primeira-ministra teve que enfrentar uma moção de desconfiança. Na ocasião, porém, May se manteve ao conquistar apoio suficiente do Parlamento.

Um mês depois, em janeiro de 2019, May passou pela mesma moção, permanecendo, mais uma vez, no cargo de primeira-ministra. Colocada contra a parede, a premier começou a explorar suas opções para a aprovação parlamentar do acordo do Brexit. Ainda em janeiro, May apostava na apresentação de um “plano B” para a separação do Reino Unido da União Europeia. O bloco econômico, por sua vez, sempre se portou contrário a renegociar o acordo.

À medida que May encarava o Parlamento, o prazo final para o Brexit, previsto para o último dia 29 de março, se aproximava. Os britânicos seguiam rejeitando o acordo entre May e a União Europeia. Até que, em março, a premier ganhou uma sobrevida: o bloco econômico aceitou estender o prazo do Brexit para o último dia 22 de maio, caso o acordo fosse aprovado.

A partir de então, May passou a se empenhar ainda mais, principalmente internamente, a fim de conquistar o apoio necessário para fazer com que o acordo fosse aprovado. Isso porque, caso a aprovação não fosse conquistada, o Brexit iria ocorrer no dia 12 de abril. Dessa forma, o Reino Unido seria obrigado a deixar o bloco econômico sem nenhum pacto, o que poderia prejudicar seriamente diferentes setores britânicos.

Vendo sua popularidade cair, assim como a sua influência, May chegou a propor a sua renúncia ao Parlamento caso o acordo fosse aprovado. No dia 29 de março voltou a encarar o Parlamento, mas ainda sem expectativas de aprovação. Aquela era vista, na época, como a última chance de aprovar o acordo.

Conforme as pesquisas apontavam, o pacto foi, mais uma vez, rejeitado, fazendo com que os parlamentares aumentassem a pressão pela renúncia da premier. Com apenas 15 dias, May voou para a União Europeia para tentar conquistar uma nova extensão.

Dessa forma, May conseguiu uma nova extensão para o Brexit, que vai ocorrer no próximo dia 31 de outubro. No entanto, como parte do acordo, o Reino Unido foi obrigado a participar das eleições para o Parlamento Europeu, que ocorrem desde a última quinta-feira, 23, e terminam no próximo domingo, 26.

Se os britânicos não participassem do pleito, seriam obrigados a deixar a União Europeia no próximo dia 1º de junho. Com a participação, o Reino Unido tem até o dia 31 de outubro para aprovar o acordo, ou renegociá-lo com a União Europeia, para sair do bloco econômico. A saída pode ocorrer a qualquer momento dentro deste prazo.

Sem conseguir lidar mais com a pressão, e tendo falhado, diferentes vezes, em aprovar o acordo do Brexit, May renunciou ao cargo de primeira-ministra britânica nesta sexta-feira. Agora, ela terá que acompanhar, pelo lado de fora, como o próximo premier conduzirá as negociações.

Quem vai assumir?

May só deixará oficialmente o cargo no próximo dia 7 de junho. No entanto, o novo primeiro-ministro britânico só deve assumir no mês de julho. Isso porque, as nomeações serão encerradas na semana do dia 10 de junho. A partir daí, diferentes rodadas de votação ocorrerão até o fim de junho. Dessa forma, o novo premier só deve ser anunciado entre o início e o meio de julho.

O principal favorito para assumir o cargo deixado por May é o conservador Boris Johnson, uma proeminente figura defensora do Brexit. Porém, de acordo com o Guardian, outros políticos correm por fora para tentar assumir a posição de premier. Entre eles aparecem o ex-secretário do Brexit Dominic Raab, o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, e o secretário do Meio Ambiente, Michael Gove. Outros nomes também têm chances, mas substancialmente menores.

Ainda não se sabe qual será o destino do Brexit, visto que depende de qual primeiro-ministro assumir. Entre as principais opções estão: seguir em frente com o acordo e encarar o Parlamento britânico; tentar renegociar o pacto com a União Europeia; abandonar o bloco econômico sem acordo; e tentar abandonar o plano do Brexit e permanecer na União Europeia – a mais improvável, atualmente, entre as opções.

Fontes:
EBC-Primeira-ministra britânica anuncia renúncia
BBC-Theresa May: em discurso emocionado, premiê admite fracasso com Brexit e anuncia renúncia

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *