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Theresa May encara o parlamento por Brexit

Essa é a terceira vez que pacto, acordado por May e a União Europeia, é colocado em votação. Caso seja rejeitado, Reino Unido pode deixar o bloco, sem acordo, em abril

Theresa May encara o parlamento por Brexit
Analistas acreditam que May será derrotada mais uma vez (Foto: Reprodução/UK Parliament/Youtube)

O parlamento do Reino Unido votará, pela última vez, o acordo para a saída da União Europeia (Brexit) nesta sexta-feira, 29. A expectativa, no entanto, é que o documento seja rejeitado pela terceira vez. A votação está prevista para às 14h30 (11h30 no horário de Brasília).

A primeira-ministra britânica, Theresa May, chegou a um acordo com a União Europeia em 2018. No entanto, o parlamento britânico já rejeitou o pacto em duas oportunidades – na última, por 149 votos. Analistas acreditam que a derrota de hoje será menor, mas dificilmente será revertida.

Em uma pesquisa recente da Conservative Home, 60% dos deputados do partido conservador Tory admitiram passar a apoiar o acordo de May. Antes, o índice era de 19%. Como cartada final, May dividiu o acordo em duas partes, o que irritou alguns deputados do Parlamento. Anteriormente, como tentativa de convencer a oposição, a primeira-ministra admitiu deixar o cargo se o parlamento aprovar o acordo. Mesmo com as mudanças, as expectativas não são boas.

Caso o acordo seja aprovado nesta sexta-feira, o processo do Brexit vai acontecer no dia 22 de maio. No entanto, se o pacto for, mais uma vez, rejeitado, o Reino Unido deixará a União Europeia no dia 12 de abril – May ainda pode tentar convencer os líderes da União Europeia a estender a data para novas tratativas.

O secretário de Comércio Internacional do Reino Unido, Liam Fox, já admitiu que esta é a última chance de aprovar o acordo. A incerteza sobre o acordo a respeito do Brexit tem impactado a economia britânica. Empresas estão deixando o país por medo da falta de acordo, enquanto outras já anunciaram mudanças em sua forma de operar – uma companhia aérea, inclusive, já declarou falência.

A afirmação de Fox foi reforçada pelo procurador-geral do Reino Unido, Geoffrey Cox. Na abertura do debate no Parlamento nesta sexta-feira, horas antes do início da votação, Cox voltou a lembrar aos deputados que a votação de hoje é a última oportunidade de se conquistar um acordo para o Brexit. “Todas as saídas negociadas da União Europeia exigirão que este acordo de retirada seja aprovado”.

O referendo do Brexit foi votado no dia 23 de junho de 2016, recebendo o apoio de 52% dos votantes – aproximadamente 17 milhões de cidadãos britânicos. Inicialmente, a saída do Reino Unido da União Europeia estava prevista para esta sexta-feira. No entanto, diante dos intensos debates internos, May conseguiu negociar uma extensão – para maio, caso o acordo seja aprovado, ou abril, caso seja rejeitado.

O acordo acordado entre May e a União Europeia, basicamente, cobre o pagamento da separação, estimado em 39 bilhões de libras esterlinas, e garante os direitos dos europeus que vivem no Reino Unido e dos britânicos que vivem em outros países do bloco econômico.

Aprovado por uma diferença de apenas 4%, o Brexit, desde então, tem dividido políticos e população. No último final de semana, cerca de 1 milhão de britânicos, contra a saída do Reino Unido da União Europeia, saíram às ruas de Londres para pedir um novo referendo. O movimento foi chamado de Put it to the People March (Marcha Deixe para o Povo, em tradução livre).

Já o movimento March to Leave (Marcha para Sair, em tradução livre), que é a favor do Brexit, começou uma manifestação no último dia 16 de março, prevista para terminar nesta sexta-feira, em frente ao parlamento britânico. De acordo com a página oficial do movimento, os parlamentares contra o Brexit tiveram “mais de dois anos para implementar o Brexit e fizeram tudo ao seu alcance para evitá-lo”. Para os organizadores e apoiadores, uma extensão do Brexit ou um acordo ruim são “completamente inaceitáveis”. Caso isso ocorra, a preferência é “apenas sair”.

Leia mais: Como o Brexit afeta a saúde mental dos britânicos

Fontes:
Financial Times-Theresa May faces uphill battle to sway MPs on Brexit deal
The Guardian-Brexit: May at risk of fresh defeat as MPs debate withdrawal agreement for third time - live news

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