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Ataques nos EUA fazem com que professores tenham novo papel

Casa Branca afirma que Trump apoia melhor controle de antecedentes na venda de armas

Ataques nos EUA fazem com que professores tenham novo papel
Professores agora se preocupam se estão preparados para pular em frente a uma bala para salvar alguém (Foto: Wikimedia)

Os professores americanos estão percebendo a cada novo ataque em escolas que seu papel não é mais só de educador. A profissão, que antes era vista como sem risco de vida ou morte, passa agora a ser arriscada.

No último sábado, 17, professores do condado de Broward, se reuniram no sindicato para discutir seu novo papel de “escudo humano”. Foi nesse lugar da Flórida que o jovem Nikolas Cruz matou a tiros 14 estudantes e três professores na escola secundária de Parkland com um fuzil de assalto AR-15, além de ferir outras 14 pessoas, na última quarta-feira, 14.

“Na noite passada, eu disse a minha esposa que levaria um tiro pelas crianças”, disse Robert Parish, professor numa escola próxima a Marjory Stoneman Douglas High, onde ocorreu o ataque. Desde a semana passada, Parish diz que pensa nisso o tempo todo.

Os professores agora se preocupam se suas salas estão propriamente equipadas, se reconheceriam os sinais de um aluno perigoso, e acima de tudo, se estão preparados para pular em frente a uma bala para salvar alguém.

Nos últimos dias, professores escreveram ao Congresso pedindo proibições de armas de assalto, e para os deputados estaduais, pedindo permissão para portar armas de fogo na escola. Eles estão participando de protestos locais e revisando seus planos de segurança com os alunos.

Laurel Holland, que foi professora de Cruz, diz que não se pode esperar que professores em grandes escolas públicas analisem o passado de cada aluno. No ano que foi professora de Cruz, ela tinha mais de 150 alunos. No caso de Cruz, ela disse que era claro que tinha algo errado. Ela reportou a direção e ele foi retirado de sua turma depois de um semestre.

Cruz é órfão, obcecado por armas e se gabava por matar animais. Ele tinha sido expulso da escola no ano passado por problemas disciplinares.

O FBI recebeu um alerta, no mês passado, de que o atirador tinha um “desejo de matar”, acesso a armas de fogo e poderia estar planejando um ataque. A agência, porém, não investigou a denúncia.

A questão do controle das armas

Há um projeto de lei bipartidário, apresentado em novembro, que está em tramitação no Congresso. A proposta visa obrigar a aplicação do requisito já existente de que agências federais informem sobre qualquer crime ao Sistema Nacional Instantâneo de Verificação de Antecedentes Criminais (NICS, na sigla em inglês) do FBI.

O projeto também cria incentivos financeiros para que os estados informem ao NICS sobre qualquer crime, com o objetivo de fortalecer essa base de dados e evitar que pessoas com antecedentes criminais possam adquirir uma arma de fogo.

Trump conversou com um dos autores, o senador republicano John Cornyn. A Casa Branca afirmou que Trump apoia os esforços para aprimorar o sistema federal de controle de antecedentes criminais e saúde mental para os compradores de armas. A declaração da Casa Branca veio depois de falas polêmicas do presidente. Ele disse que o FBI falhou na reação aos alertas sobre o atirador por estar demasiadamente focado nas investigações no caso da Rússia, e acusou os democratas de não aprovarem um maior controle de armas “porque não quiseram”.

Apesar de seu discurso, Trump jamais mencionou aumentar o controle de armas em suas declarações após os massacres ocorridos durantes sua presidência. Ele é defensor da Associação Nacional do Rifle (NRS, na sigla em inglês), que se opõe a qualquer limite à posse de armas nos EUA. Além disso, um mês após chegar ao poder, ele assinou uma lei que suspendia um regulamento de Barack Obama, que dificultava a compra de armas de fogo por pessoas com problemas mentais.

Não se sabe se o Congresso americano conseguiria aprovar medidas que fossem além desse plano limitado. Em 2013, por exemplo, após o então presidente Barack Obama tentar aumentar o controle de armas, o Senado dos EUA rejeitou expandir a verificação de antecedentes apesar do consenso sobre a proposta que existia no país.

Fontes:
The New York Times-School Shootings Put Teachers in New Role as Human Shields
DW-Trump apoia melhor controle de antecedentes na venda de armas

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